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Qual a melhor forma de gerenciar o tempo?

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Julia A. Borges - publicado em 19/06/23

É necessário sobreviver, é necessário estar vivo; mas não há qualquer preocupação em realmente viver e absorver da vida o que ela tem para oferecer, e tal fato tem gerado pessoas quase robotizadas

Atualmente a sensação que se tem é que a vida passa de uma forma tão apressada que parece esvair diante da vã tentativa que o ser humano tem de refrear o tempo e intervir para que possa ser mais devagar. A percepção é de que não há a menor condição de correr atrás da velocidade que os dias, as semanas, os meses e os anos resolveram voar; e essa incapacidade de acompanhar o tempo vai refletindo de maneira cada vez mais patente as escolhas erradas que estamos tendo em nossas vidas.

É quase que unânime a sensibilidade em perceber que a nossa existência realmente tem passado mais rápido e que não estamos conseguindo dar conta das obrigações e responsabilidade que nos cabe. Tem-se as mesmas 24 horas, mas do mesmo modo que passa em um piscar de olhos, também se percebe uma certa improdutividade excessiva, mesmo com todas as informações na palma das mãos. O dia termina e chega-se à conclusão que passou rápido e que, de fato, nada foi feito de útil e substancial.

Ócio

Na era arcaica, existia um forte apreço ao ócio, e bem diferente do valor ignóbil que o termo acabou por ser configurado, a ociosidade era considerada de grande relevância na vida do ser humano, uma vez que era, através desse momento, que havia a possibilidade de reflexão sobre diversos aspectos, dando espaço, assim, a filósofos e pensadores que pensavam o dinamismo cósmico e os sujeitos a fim de chegar a respostas que pudessem explicar de maneira um pouco mais precisa as incógnitas presentes no Universo e também na psique humana. Vale acrescentar que o termo “negócio” seria justamente a negação e privação desse tempo que levava o homem a refletir e, de tal modo, fazia com que o indivíduo apenas produzisse, como máquina, e não como um ser pensante e autônomo.

A grande questão é que os antigos filósofos e pensadores também possuíam as mesmas 24 horas que hoje se dispõe. Então, o que mudou? Para início de conversa, é possível afirmar que o próprio desvio de valor do ócio já é um grande sinal da sociedade doente e meramente reprodutiva que existe atualmente. É necessário sobreviver, é necessário estar vivo; mas não há qualquer preocupação em realmente viver e absorver da vida o que ela tem para oferecer, e tal fato tem gerado pessoas quase robotizadas pelo simples propósito de ganhar o salário no final do mês, à espera do final de semana e feriados. Não se trata de aniquilar tal finalidade, mas é necessário perceber que durante o caminho é que o ser humano tem a possibilidade de crescer, afinal, o processo de evolução não se faz na chegada. A travessia é que torna a experiência verdadeiramente compensadora.

Informações

Outro ponto é a quantidade desmedida de informações que são bombardeadas todos os dias e sem, ao menos, termos buscado por elas. São tantas notícias, referências, dados, ideias, pesquisas que geram um acúmulo de nadas que acabam por pesar e ocupar a nossa mente com vazios substanciais e que, consequentemente, acaba-se por não ter espaço nem tempo para o que verdadeiramente importa. Esse dinamismo já está tão estabelecido na vida do homem moderno que se tornou quase impossível fazer o filtro do que deve ou não deve ser assimilado. Apreende-se tudo mas não se conserva nada porque toda essa absorção é tão fugaz que ao longo dos anos fica até difícil saber se houve alguma evolução concreta.

Um último tópico interessante é o desperdício intelectual. Com a tecnologia realizando cada vez mais tarefas, perde-se a necessidade de pensar e parece que o cérebro vem se atrofiando com o tempo, uma vez que não está sendo usado, o corpo entende que sua capacidade já não precisa estar funcionando de maneira integral. Estamos preguiçosos intelectualmente e estamos formando uma geração cada vez mais oca e superficial, sem o poderio da arma mais fantástica que existe: a inteligência. É triste e devastador perceber que a busca pelo saber não se configura dentre as conquistas mais buscadas e que estamos enterrando a dádiva do tempo com insignificâncias e ninharias que só atrapalham o nosso crescimento pessoal.

Sabedoria

Vivemos no mundo, estamos nele, mas não fomos chamados a sermos dele, não são as coisas do mundo que devemos seguir, e, por isso, é tão necessário conter esse avanço da inutilidade e fazermos do aqui e agora um momento e um lugar de profunda comunhão com a verdade. Fato é que não é preciso ter mais tempo, contudo, é imprescindível ter a sabedoria necessária para gerenciar de maneira eficaz a nossa vida. Mire-se no homem mais inteligente que habitou esta terra e perceba a fonte inesgotável de sapiência que existe. Suga, porque é através do conhecimento que se chega à verdade, é através, portanto, do saber que se chega a Cristo. Afinal, já dizia Santo Agostinho: “se não tivéssemos almas racionais, não seríamos capazes de acreditar. Não adianta ficar perto da luz com os olhos fechados”. Portanto, abra-os para o que verdadeiramente importa. 

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