Aleteia logoAleteia logoAleteia
Quinta-feira 18 Abril |
Aleteia logo
Histórias Inspiradoras
separateurCreated with Sketch.

22 anos após os tiros que mataram seu irmão e o paralisaram, ele se torna sacerdote

Pe. Cesar Galan

LA Catholics | YouTube (Captura de Tela)

Pe. Cesar Galan

Francisco Vêneto - publicado em 22/06/23

"Um dia eu vou fechar os olhos e, quando os abrir, sei que você vai estar lá: você vai ser o primeiro a me abraçar"

Ele acaba de ser ordenado sacerdote católico, aos 50 anos de idade e 22 anos depois de ter perdido o irmão e ficado paralítico em decorrência dos tiros de um criminoso.

O portal Angelus News publicou a história do agora padre César Galán, ordenado neste mês de junho pelo arcebispo dom José Gómez, de Los Angeles, junto com outros sete novos sacerdotes.

César é o sexto de oito filhos. O pai o influenciou fortemente a viver fé, desde pequeno, mediante o testemunho: levava os filhos à Missa e rezava com eles o terço. Por outro lado, as ruas da periferia onde a família morava apresentavam descaminhos a César e aos irmãos: a triste combinação de violência, pobreza e tentações ao vício e à criminalidade. Aos 13 anos, César começou a trabalhar no turno da noite em um depósito. As economias lhe permitiram mudar para um bairro melhor, quando terminou o ensino médio.

Os tiros

Em 3 de abril de 2001, porém, César presenciou o início de uma discussão entre seu irmão Héctor e “um dos meninos do bairro”, que tinha acabado de sair da cadeia. Os dois saíram à rua, e pouco depois, César ouviu um tiro. Quando correu para ver o que estava acontecendo, viu o criminoso tentando fugir depois de alvejar Héctor. César tentou tirar a arma das mãos do bandido – e só se lembra de cair imóvel na calçada: ele também foi alvejado, com um tiro no ombro e outro na coluna. Quando voltou a abrir os olhos, dois dias depois, estava num quarto de hospital, acordando da forte sedação a que tinha sido submetido para enfrentar uma série de operações. Ele estava paralisado da cintura para baixo. Permanentemente.

Não obstante, César se lembra que, no momento dos tiros, quando estava caído na calçada, experimentou uma estranha sensação de paz. Ele relata:

“Ouvi uma voz dentro de mim, que dizia: ‘Não tenha medo. Eu vou estar sempre com você'”.

O adeus ao irmão

Outra voz silenciosa ainda se manifestaria muito em breve: a do próprio César, dirigida ao irmão Héctor.

Quando acordou no hospital, o futuro sacerdote não sabia que o irmão estava no quarto ao lado. Diferente dele, porém, Héctor não mais acordaria neste mundo. Conectado aos aparelhos de suporte vital, ele não tinha mais chances de sobreviver. Foi quando o capelão do hospital tomou as medidas necessárias para que os dois irmãos ficassem no mesmo quarto, cada um deitado na sua cama. César teve então a oportunidade de “conversar” interiormente com Héctor:

“Eu não disse isso em voz alta, mas eu falei para ele, sabe, que isso não era o fim. Eu disse a ele: ‘Um dia eu vou fechar os olhos e, quando os abrir, sei que você vai estar lá: você vai ser o primeiro a me abraçar'”.

Héctor partiu deste mundo e César ficou, preso a uma cadeira de rodas.

O processo de “rendição”

Começou assim um novo processo em sua vida, que ele descreve como “rendição”.

Ainda no hospital, fez grande amizade com o capelão, que foi o instrumento de Deus para a sua reaproximação da Igreja. “Ele era Jesus para mim naquela época”.

Os anos se passaram. Em 2015, César fez a profissão dos votos religiosos perpétuos, como frade da ordem dos Pobres Doentes, na capela do mesmo hospital onde tinha ficado internado naqueles fatídicos dias que se seguiram aos tiros.

Em 3 de junho de 2023, mês do Sagrado Coração de Jesus, tornou-se sacerdote de Jesus Cristo para toda a eternidade.

“Existe Alguém que me criou e que me ama muito além do que eu sequer consigo imaginar”.

Tags:
ConversãoPadresTestemunhoViolênciaVocação
Top 10
Ver mais
Boletim
Receba Aleteia todo dia