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5 maneiras de amar a vida como ela é (e parar de reclamar)

Mulher com copo de água na mão e sorrindo na janela

fizkes | Shutterstock

Mathilde de Robien - publicado em 26/06/23

Um monge beneditino nos convida a experimentar uma justa e boa satisfação em relação à nossa própria vida

“Estar contente com a própria sorte é a maior riqueza”, diz o provérbio. Um tesouro difícil de considerar, sobretudo quando estamos eternamente insatisfeitos. No entanto, existem maneiras de acessar a paz interior e saborear a alegria dos humildes. 

No limite entre a psicologia e a espiritualidade, o monge beneditino alemão Anselm Grün fornece pistas para amar a vida como ela é. Entre a satisfação sonolenta dos saciados e a ruidosa satisfação dos exibicionistas, emerge a satisfação que ele chama de “agradecida”. A justa e boa satisfação de quem se contenta com o que tem e agradece pelo que lhe é dado. É aquele que não reclama, mesmo que a vida não seja um mar de rosas. Um sentimento que leva à alegria e à felicidade.

Como atingir esse patamar. Aqui estão alguns caminhos.

1Encontre a paz interior

Pré-requisito para a serenidade: paz interior. “Quem encontrou a sua paz interior ou se esforça por alcançá-la fica mais facilmente satisfeito com a sua vida”, assegura o monge beneditino. Isso significa aceitar-se como você é, estar em sintonia consigo mesmo, aceitar suas fraquezas. “Se sou dominado por minhas necessidades, se estou furioso comigo mesmo e contra minhas fraquezas”, então não tenho paz interior. “Estar em paz significa que tudo é permitido no espaço protegido da minha alma e do meu corpo. Tudo me pertence, mas nada me domina. Tudo o que aceito de mim me permite viver livremente. Não sinto a pressão de ter que me encaixar em um molde”, diz Anselm Grün.

Aquele que está em paz consigo mesmo fica mais facilmente satisfeito com o que o cerca. Porque nada vai tirar sua paz interior. Por outro lado, observa o monge, aquele que está insatisfeito com as coisas externas (o aluguel que não corresponde ao que desejava, o ambiente ruidoso que o perturba, as condições de trabalho de sua empresa etc.) não está em paz consigo mesmo. Então, ele reclama de tudo.

2Cultive a simplicidade e a modéstia

Uma das fontes de satisfação reside em não ter exigências muito altas. Cultivar a simplicidade, amar a moderação, adotar a modéstia: tudo isso contribui para sentir satisfação. Não se trata de resignar-se, mas de contentar-se com o que a vida nos oferece, em vez de querer sempre mais ou sempre melhor.

“Não ter expectativas muito altas faz você se sentir calmo”, comenta Anselm Grün. “Percebo hoje que muitos de nós temos reivindicações exageradas: tenho direito à saúde, direito a um quarto tranquilo no hotel, direito de exigir dos meus filhos que respeitem o meu descanso”. Tantas reivindicações que não te deixam nem sereno nem feliz. “Quem pensa constantemente nas próprias necessidades não é sereno, e busca o motivo profundo de sua insatisfação nas circunstâncias externas, enquanto ela está em si mesmo”, explica o monge.

3Seja gentil consigo mesmo

Os insatisfeitos são duros consigo mesmos. Ficam pensando que poderiam ter feito melhor, comparam-se com os outros e se repreendem. No entanto, lembra Anselm Grün: “sempre haverá pessoas que se expressarão melhor do que eu, que terão uma vida melhor, que terão mais sucesso e influência do que eu. Enquanto me comparo, não posso estar satisfeito com o que sou e com o que possuo. Nesse sentido, Soren Kierkegaard acreditava que a comparação marca o fim da felicidade e o início da insatisfação”.

Para o monge alemão, “estar satisfeito e sereno é aceitar o que foi, mesmo o que não foi um sucesso total, e apresentá-lo a Deus, com a esperança de que Ele o transforme em bênção”. Na realidade, o insatisfeito dá demasiada importância ao seu ego. Gostaria de ter sucesso, de ser admirado, de causar boa impressão… Mas é o seu ego que pretende ser apreciado, reconhecido e elogiado. Ele só ficará satisfeito e sereno se descumprir essas exigências.

4Pratique a gratidão

A satisfação está intimamente ligada à gratidão. O ingrato nunca está satisfeito. Ele nunca está feliz e sempre quer mais. Ao contrário, reconhecer um benefício possibilita a experiência de satisfação. Anselm Grün exorta a não pensar no que não tenho, mas a agradecer pelo que tenho. Uma grata satisfação que pressupõe ter consciência do dom que me foi feito. “Fico feliz com a água que bebo, mas só fico feliz de verdade se sinto que sacia minha sede e como fico feliz de beber água fresca”, explica. 

O filósofo búlgaro Omraam Mikhaël Aïvanhov disse: “No dia em que me acostumei a pronunciar conscientemente a palavra obrigado, senti que tinha uma varinha mágica capaz de transformar tudo”. O ser agradecido identifica a cada momento os dons que Deus lhe oferece.

Uma atitude que não diz respeito apenas a quem a vida sorri. O monge dá muitos exemplos de homens e mulheres provados que, apesar de tudo, souberam manter a alegria de viver e demonstrar gratidão. Que souberam aceitar a vida tal como lhes foi oferecida. Estar satisfeito com a própria vida, portanto, não depende do que se viveu, mas da maneira como a examinamos e interpretamos, deduz Anselm Grün. É tudo uma questão de perspectiva. “Cabe a cada um de nós decidir se quer olhar para o passado com um olhar amargo ou um olhar de gratidão. O passado é o que é, você não pode mudá-lo. Mas se olharmos com olhos de gratidão, em vez de reclamar do nosso destino, o veremos de maneira diferente”.

5Confie na misericórdia de Deus

Um dos caminhos espirituais para alcançar a paz interior e a serenidade reside na confiança que depositamos no amor incondicional de Deus por cada um de nós. Deus nos chama à santidade, não à perfeição. O insatisfeito pode imaginar que Deus o quer perfeito. Mas “Deus ama-me tal como sou”, sublinha o monge. “Ele não espera que eu compre seu amor com meu desempenho ou comportamento impecável.” 

Como um pai ama seu filho incondicionalmente, e não em relação ao que ele realiza, Deus ama cada uma de suas criaturas. Ele não disse, dirigindo-se a todos, no batismo de Cristo: “Tu és o meu Filho muito amado; em ti ponho minha afeição” ( Mc 1, 11 )?

Fonte: La joie des petites choses, Anselm Grün.

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