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Como cuidar dos pais idosos sem negligenciar o cônjuge

avó e neta conversando

fizkes | Shutterstock

Marie Lucas - publicado em 29/06/23

Quando a velhice se aproxima e nossos pais precisam de nós, devemos ajudá-los de uma forma que não prejudique nosso casamento

Quando os pais envelhecem e não são mais autossuficientes, os filhos precisam intensificar os cuidados com eles. “Escolher como cuidar de pais idosos, levar em consideração suas escolhas, gerenciar contas e procedimentos administrativos, organizar visitas e férias — tudo isso consome muito tempo”, explica Geneviève de Leffe, conselheira matrimonial.  

E o cônjuge daquele que se tornou cuidador? É fundamental estar atento aos sinais de dificuldades no relacionamento para evitar o efeito “panela de pressão” e evitar que o casamento exploda. A Aleteia conversou com alguns casais que estão passando por esse momento difícil.

Cuidado com a sobrecarga emocional

Um perigo é a sobrecarga emocional. “Meu marido me critica por ser emocionalmente dependente de meus pais. Ele acha difícil lidar com o fato de que estou sempre cuidando deles”, conta Pauline. Ela ama profundamente seus pais e, às vezes, se sente dividida entre os dois amores de sua vida: seu marido e seus pais idosos.

Comumente, esse tipo de apego emocional é exagerado, baseado no dever filial, com o cônjuge ficando em segundo plano. “Nesses casos, é o cônjuge que chama a atenção para o fato de que alguém está se cobrando demais. Isso leva primeiro a inúmeras discussões e depois a uma degeneração gradual do casamento, a ponto de acabar com ele”, observa a conselheira matrimonial.

Outra dificuldade pode ser o excesso de investimento do casal na situação. Numa idade em que os casamentos muitas vezes são enfraquecidos pela saída dos filhos de casa, os cônjuges podem compensar esse ninho vazio cuidando excessivamente dos pais idosos. Isso não é saudável e pode tirar do casal o foco em manter o próprio relacionamento saudável.

Por fim, existe um risco real de levar vidas paralelas neste momento específico. “Recentemente, a necessidade de minha presença junto à minha mãe aumentou. Eu ficava tão cansada, que não conseguia encontrar forças para falar com meu marido, Thomas”, lembra Florence. Além do mais, dar toda a sua atenção aos pais idosos pode ocupar toda a sua mente, causando ansiedade e falta de paciência com seu cônjuge. “Isso me deixava irritada, agressiva e física e mentalmente indisponível”, admite Pauline.

O que podemos fazer? 

Para Pauline, é essencial reagir rapidamente aos primeiros sinais de desconforto do cônjuge. Assim que você sentir que seu marido ou esposa não aguenta mais, você precisa ajustar a maneira como organiza as coisas. Talvez você possa tentar melhorar a comunicação, ligando para o seu cônjuge quando não estiverem juntos. E, claro, você deve ouvir o Espírito Santo! 

De fato, a comunicação e a estrutura são vitais. “A menos que você diga o que funciona e o que não funciona, a situação não sairá do controle. A estrutura também ajuda a evitar que as coisas saiam do controle. Por exemplo: em casa, cada um de nós cuida da própria mãe e cada um toma decisões com os próprios irmãos, sem interferir”, diz Jehanne, que também se encontra nessa situação complicada.

Diálogo, adaptação, realismo, oração

Para Geneviève de Leffe, o primeiro passo é conversar com o cônjuge, expressando suas emoções e sentimentos, que podem ser ambivalentes. Isso ajuda vocês a se entenderem melhor. Falar permite que você desabafe, então esclareça as reais necessidades de seus pais.

Também é preciso saber se adaptar. Tudo evolui: vida profissional, relacionamentos, doenças, velhice… Não se prenda a um modo particular de cuidar. Você pode ter que reinventar novas soluções conforme as necessidades.

Também é fundamental identificar e tomar consciência do tempo efetivamente investido nos pais idosos e do impacto que isso tem na vida do casal. E lembre-se de pedir ajuda e aceitar seus limites.

Confiar em Deus através da oração

Enfim, é importante passar um tempo de qualidade com nossos pais idosos, com nosso cônjuge e com toda a família. E não devemos esquecer de buscar ajuda se precisarmos, seja individualmente ou em casal. Terapeutas, grupos de apoio e de discussão são maneiras pelas quais podemos encontrar conforto e, acima de tudo, nos ajudar a encontrar maneiras de viver nosso relacionamento com nossos pais e nosso cônjuge. 

É fundamental recorrer regularmente à oração por ambos os cônjuges: intercessão, novenas — tudo é bem-vindo. Aos poucos, as coisas ficarão mais claras.

E lembre-se: esta é apenas uma fase da vida. Mais cedo do que desejamos, nossos pais terão ido para a casa do Pai e será nossa vez de nos prepararmos para nossa própria partida.

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