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O diabo é o diabo não porque é sábio, mas porque é velho: entenda

o demônio à sombra dos bons que se corrompem

ra2 studio | Shutterstock

Francisco Vêneto - publicado em 29/06/23

O diabo não é nada sábio, mas é muito, muito esperto: entender esta diferença é crucial para derrotá-lo

O diabo é o diabo não porque é sábio, mas porque é velho, conforme nos ensina um ditado que, aliás, é velho e sábio: não tão velho quanto o diabo, mas certamente mais sábio do que ele.

De fato, se fosse mesmo sábio, o diabo não seria o diabo: teria usado com sabedoria a própria liberdade de escolha e permanecido com Deus em vez de optar por uma ruptura que substancialmente é a garantia da sua derrota.

Mesmo não sendo sábio, ele é astuto, ardiloso, sagaz, esperto, inteligente. Afinal, tem a inteligência dos anjos, já que, embora caído, é um deles. O fato é que não a usou com sabedoria, mas com soberba, que é um dos maiores indícios da falta de sabedoria.

Não sendo sábio, o diabo se empenha em direcionar a sua grande inteligência para o mal, por ódio a Deus. Ele sabe que é o grande derrotado, mas, na sua derrota, quer arrastar o máximo possível de almas, arrancando-as do Deus a quem odeia.

O que aquele ditado popular do primeiro parágrafo nos diz é que o diabo tem muita experiência prática. É um diabo velho: conhece a humanidade não só pela teoria, mas pela nossa história. Ele sabe como jogar conosco para nos derrotar.

Esse é outro matiz importante: o diabo é um grande jogador. Ele joga com estratégia.

Um filme sobre a inteligência do diabo

A sofisticação intelectual da ação do diabo em sua partida contra a humanidade – e não contra Deus, a quem não pode derrotar – é esclarecedoramente destacada por um exorcista, o pe. Carlos Martins.

Este sacerdote canadense, que exerce há mais de vinte anos o ministério de exorcismo e que também dirige o apostolado Treasures of the Church nos Estados Unidos, compartilhou em sua rede social um comentário pessoal sobre o filme “Nefarious“, em cuja produção ele mesmo ajudou como consultor teológico.

Trata-se de um filme que, segundo o próprio sacerdote, “foi produzido por dois católicos devotos e fiéis, Cary Solomon e Chuck Konzelman”. Os dois também produziram e dirigiram o aclamado filme pró-vida “Unplanned“, sobre a trajetória de conversão de Abby Johnson, ex-diretora no conglomerado multinacional de clínicas de aborto Planned Parenthood e hoje ativista pró-vida.

O filme “Nefarious” é sobre o diabo, mas não é igual à média das produções sensacionalistas de Hollywood sobre possessão diabólica. O pe. Martins afirma que “é o melhor filme já produzido em termos de retratar a possessão demoníaca” porque não prioriza a exibição de “fenômenos e poderes diabólicos” como “levitação, força extraordinária e outros sinais que são ‘mais do mesmo’”: o grande diferencial deste filme é que ele “traz o espectador para dentro da mente demoníaca”.

A mente do diabo

Eis o que o pe. Carlos Martins escreveu em sua rede social sobre “Nefarious“:

“Enquanto a tendência do cinema se concentra em exibir a fúria demoníaca, ‘Nefarious’ habilmente mostra o desejo insaciável do diabo e a sua inteligência formidável. Bem menos preocupado em ostentar do que em demonstrar o pensamento e o caráter intelectual do diabo, o filme retrata, acuradamente, como ele sufoca a esperança da vítima”.

O sacerdote também destaca o objetivo do diabo em suas jogadas: destruir-nos.

“O roteiro incorporou um pensamento astuto, cuidadoso e inteligente. Solomon e Konzelman resumiram o dilema com que um demônio sempre pressiona a sua vítima: ‘não importa se você escolher a opção A ou B, porque você estará condenado de qualquer maneira; então se conforme com os termos do inimigo e escolha uma das opções. Claro, você está sempre livre para acabar com a própria vida’… E aí entra mais um dilema”.

Para “entender o inimigo”

O pe. Carlos Martins acrescenta que, a seu ver, “o filme é limpo e não de ‘terror'”, uma vez que “não tem blasfêmias, cenas de sexo e nem mesmo palavrões” – e, mesmo sem esses elementos supostamente “apreciados” pelo público aos olhos do mundo, o filme “é tudo menos chato”, completa o sacerdote. E arremata:

“Como exorcista, eu posso afirmar que [o filme] é verossímil e imperdível para quem deseja entender o inimigo. Achei envolvente. Eu o exibi no seminário onde resido e os seminaristas e padres o comentaram durante dias”.

Entender o inimigo é fundamental para derrotá-lo. E entender o diabo implica entender duas coisas que parecem intercambiáveis, mas são profundamente diferentes: primeiro, que ele é esperto, mas nada sábio; segundo, que ele não é nada sábio, mas é esperto.

Sendo esperto, mas nada sábio, ele jamais vai vencer a Deus. Entretanto, não sendo nada sábio, mas esperto, ele ainda pode vencer a nós.

Não somos tão espertos quanto ele e, portanto, dificilmente o venceremos pela esperteza. Mas, diferentemente dele, nós podemos ser sábios: e com sabedoria, o venceremos com certeza.

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