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Para ser basílica, é preciso antes ser catedral?

Basílica de Nuestra Señora del Pilar, em Saragoça, Espanha

margouillat photo | Shutterstock

Basílica de Nuestra Señora del Pilar, em Saragoça, Espanha

Francisco Vêneto - publicado em 30/06/23

Ou para ser catedral é que precisaria primeiro ser basílica? Ou uma coisa não tem nada a ver com a outra?

Para entender melhor a relação entre basílicas e catedrais, é preciso primeiramente entender o que é uma basílica e o que a diferencia de uma catedral. Então vamos lá!

1 | O que é uma basílica?

Basílica é uma espécie de “título honorífico”, uma designação que o papa concede a certas igrejas devido ao seu especial significado espiritual, histórico ou arquitetônico.

2 | De onde vem a palavra “basílica”?

O surgimento desse termo é anterior ao cristianismo. A palavra vem do grego “basileus“, que significa rei: “basílica”, portanto, se referia a um lugar reservado ao soberano. Os cristãos adotaram esse nome para as igrejas justamente porque as dedicam ao Rei dos Reis, Jesus Cristo.

3 | Como surgiram as primeiras basílicas?

Na Roma Antiga, a palavra “basílica” não tinha nenhuma conotação religiosa. Eram chamadas de basílicas certas construções retangulares, amplas, dedicadas a diversas funções públicas que iam de atividades comerciais até assembleias cívicas, além de servirem até como tribunais.

Assim como adotaram o nome grego “basílica” em referência a Jesus Cristo como Rei, os cristãos também adaptaram aquele estilo de construção muito comum no Império Romano para servir como local de culto a Deus. As igrejas mais antigas, em grande parte, foram desenhadas nesse estilo arquitetônico, já que ele aliava um interior espaçoso, adequado para grandes assembleias, à grandiosidade que Deus merecia.

4 | E hoje, o que caracteriza as basílicas?

Santuário Basílica de Nossa Senhora Aparecida
Santuário Basílica de Nossa Senhora Aparecida

Se no começo o termo estava mais associado ao estilo de construção, ao longo do tempo os papas passaram a conceder o “título honorífico” de basílica somente a algumas igrejas, em reconhecimento à sua particular importância espiritual, histórica ou mesmo artística.

Um exemplo ligado à importância espiritual é o do Santuário Basílica de Nossa Senhora Aparecida, por estar associado diretamente à devoção do povo brasileiro à sua padroeira.

Muitas basílicas também guardam notáveis relíquias ou constituem locais destacados de peregrinação, por estarem associadas a grandes santos ou a eventos especiais da história cristã. Elas também podem conter preciosas obras de arte, revestindo-se assim de grande relevância histórica e cultural.

Além disso, as basílicas podem receber do papa certos privilégios e honrarias, como, por exemplo, ter um altar reservado ao pontífice, ao cardeal ou ao patriarca, ou possuir uma espécie de “status internacional”, não estando submetidas à jurisdição eclesiástica local.

5 | Qual é a diferença entre “basílicas maiores” e “basílicas menores”?

Basílica de São Paulo Extramuros, em Roma
Basílica de São Paulo Extramuros, em Roma

As “basílicas maiores” são somente as quatro grandes e históricas basílicas romanas: São Pedro no Vaticano, São João de Latrão (sede da diocese de Roma e, portanto, a “basílica do papa”, que é o bispo de Roma), São Paulo Extramuros e Santa Maria Maior.

Todas as demais basílicas do mundo são consideradas “basílicas menores”, independentemente das suas dimensões, em reverência às “quatro grandes” de Roma e do Vaticano.

6 | Existe alguma relação hierárquica entre “basílica” e “catedral”?

Explicamos o que é uma catedral neste artigo, que recomendamos que você leia antes de prosseguir:

Mas resumindo para recapitular: a catedral é uma igreja que serve como sede de uma diocese; portanto, é a “igreja do bispo”. Esta classificação está diretamente ligada ao papel dessa igreja dentro de uma hierarquia territorial e administrativa.

Já uma basílica não tem necessariamente relação com a estruturação administrativa da Igreja: para que um templo católico receba o título honorífico de basílica, o requisito é a sua relevância espiritual, histórica, artística, conforme já vimos.

Uma basílica, portanto, pode ser ou não também uma catedral, e vice-versa, já que são denominações de natureza diferente: uma denominação não exige nem impede a outra. De fato, ambas as denominações podem caber simultaneamente a uma mesma igreja, caso esta igreja cumpra os respectivos requisitos para cada “título”: para ser catedral, é preciso ser a sede da diocese; e para ser basílica, é preciso receber esse título do papa em reconhecimento às especiais características que mencionamos acima.

Com informações de artigos de Philip Kosloski e Daniel Esparza para Aleteia em inglês.

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