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A religiosidade e a justiça

Jezus Chrystus

Sergey Rusakov | Shutterstock

Francisco Borba Ribeiro Neto - publicado em 30/07/23

A nossa procura por Deus é justamente a busca por aquilo que pode satisfazer de fato esse nosso anseio original, essa experiência de incompletude que nos move em direção ao Outro e a toda a realidade

Buscando compreender o que é a essência religiosa do ser humano, Dom Luigi Giussani, em seu livro O senso religioso (São Paulo: Companhia Ilimitada, 2023), observou que todos nós somos movidos por uma série de anseios e desejos fundamentais, que ele denominou com uma palavra forte: “exigências”. Podemos até enganar a nós mesmos, fingir que essas exigências não existem, que não somos machucados pelo fato delas não serem satisfeitas (ou serem satisfeitas apenas parcialmente), mas elas permanecem em nosso coração – e temos que nos confrontar com elas se não quisermos abdicar a uma parte de nossa humanidade.

Podemos tentar fazer uma lista dessas exigências, tais como exigência de felicidade, de realização, de amor, de liberdade, de justiça, etc… Mas será sempre um esforço de aproximação, pois cada um de nós poderá perceber essas exigências de um modo um pouco diferente dos demais e, mais importante, não se trata de uma dimensão particular ou outra, mas sim de uma totalidade que inclui tudo o que somos, um elemento constitutivo que integra todo o nosso ser, e que Giussani denominou “experiência elementar”. Trata-se de um dado universal do ser humano. Podemos não concordar sobre os caminhos que devemos trilhar para responder a essa experiência elementar, designá-la com termos diferentes, até nos digladiarmos sobre ela, mas todos a encontraremos no fundo de nosso coração, se formos honestos conosco mesmo.

A nossa procura por Deus é justamente a busca por aquilo que pode satisfazer de fato esse nosso anseio original, essa experiência de incompletude que nos move em direção ao Outro e a toda a realidade. Por isso Giussani associou a experiência elementar ao senso religioso. Um aspecto interessante dessa abordagem é que passamos a compreender todos os nossos esforços de realização, nos mais diferentes aspectos da vida, como manifestações parciais da nossa religiosidade – e nos damos conta de porque a experiência religiosa nos apaixona e nos envolve tanto.

A exigência de justiça

Entre essas exigências, poucas são tão evidentes para nós, no Brasil de hoje, quanto a exigência de justiça. Existe um nível, digamos que mais epidérmico, mais evidente, dessa exigência de justiça. Ninguém quer ser roubado, todos nos sentimos indignados diante de um estupro ou de um assassinato. Mas existem outros níveis, mais profundos, e nos quais as percepções se confundem e os juízos não são tão fáceis. Não queremos ser roubados, mas o que fazer se o roubo foi motivado por uma carência desesperadora? Todos temos livre-arbítrio, mas como nós mesmos teríamos reagido se estivéssemos naquela situação limite? Um político, vendo que seria derrotado numa votação, escolheu a opção que lhe parecia o “mal menor”. Terá agido com justiça ou simplesmente sido conivente? Que justiça poderá apaziguar a dor de um casal que teve o filho morto atropelado por um motorista irresponsável? A punição é capaz de realizar a plena justiça? Como viver a impotência que tantas vezes experimentamos diante da injustiça? Qual nossa responsabilidade individual diante de tantas injustiças sociais que ocorrem em nossa sociedade?

Compreender a relação entre a experiência elementar que todos vivemos e a exigência de justiça em particular não irá resolver a essas complexas questões, mas nos ajuda a assumir uma posição adequada para encontrar as respostas devidas. Por essa razão, o Movimento Comunhão e Libertação está promovendo um diálogo com o título “O que é a Justiça que eu Desejo?”, no qual um juiz, uma procuradora e uma defensora pública irão conversar sobre a relação entre o senso religioso e a exigência de justiça.

Serviço

Diálogos sobre o Senso Religioso. O que é a Justiça que eu Desejo?

Com: João Matos Junior, Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Amapá desde 2004. Mestrando da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (ENFAM) e Juiz das Execuções Penais de Macapá (Capital do Amapá); Maria Carolina Martins e Ortiz Pelosini, Procuradora no Município de Santo André-SP, membro da Comissão de Justiça e Paz do ABC; Paula Cruz, Defensora Pública do Estado de São Paulo.

Data e hora: 04 de agosto, às 20h

Local: Auditório Paulo Apóstolo, em São Paulo, Rua Dona Inácia Uchôa, 62, Vila Mariana, São Paulo

Online: https://us02web.zoom.us/j/88658613210, com a senha 087592.

Tags:
Doutrina Social da IgrejaJustiçaReligião
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