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EUA: mídia fala em disseminação de “doença bíblica” provocada por bactéria

Hanseníase

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Hanseníase

Francisco Vêneto - publicado em 01/08/23

Não há razões para alarmismo e, muito menos, para se retroceder ao preconceito contra as pessoas afetadas pela doença, comum nos tempos de Jesus

A Bíblia menciona em diversas passagens a dramática situação das pessoas afetadas pela doença que hoje conhecemos como hanseníase e que, na antiguidade, era chamada de lepra.

Trata-se de uma doença infecciosa causada pela bactéria Mycobacterium leprae – mas é muito importante registrar que mais de 95% das pessoas infectadas pela bactéria nunca cheguem a desenvolver de fato a hanseníase, já que o seu sistema imunológico dá conta de combater a infecção.

Nos casos em que a doença se desenvolve, ela atinge pele, olhos e membranas mucosas, provocando feridas, além de poder acarretar diversos danos aos nervos. Quando agravada, pode levar à paralisia, à perda de visão, à desfiguração do nariz e a danos permanentes nas mãos e nos pés, incluindo o encurtamento dos dedos.

A hanseníase pode afetar pessoas de qualquer idade, mas se mostra mais comum em pacientes de 5 a 15 anos ou acima dos 30. Hoje em dia, os antibióticos conseguem tratá-la com grande eficácia quando a doença é detectada precocemente.

Na antiguidade

Mas este não era o caso na antiguidade, quando a hanseníase, então conhecida como lepra, era quase sinônimo de condenação à morte ou, no mínimo, à exclusão da sociedade. De fato, os doentes, que eram chamados de leprosos, eram comumente isolados em “colônias de leprosos” e a população tinha pavor de aproximar-se deles. Essas colônias perduram séculos, como podemos constatar na impactante história de São Damião de Molokai:

Na maioria dos casos, a doença é transmitida de pessoa para pessoa em casos de contato prolongado, embora também possa transmitir-se por contato zoonótico, em especial com tatus. O contágio é causado por gotículas transportadas pelo ar a partir do nariz ou da boca de uma pessoa infectada.

Aumento nos EUA

Relativamente frequente na antiguidade em regiões como o Oriente Próximo e a Europa, a hanseníase é historicamente incomum nos Estados Unidos, onde a maioria dos casos se registrava em pessoas oriundas de regiões em que a doença era frequente.

No entanto, ao longo dos anos 2000, a incidência de hanseníase nos EUA tem aumentado gradualmente, chegando a mais que dobrar na última década. Além disso, 34% dos casos relatados entre 2015 e 2020 foram de transmissão local e não decorrentes de viagens.

O aumento mais chamativo tem acontecido na Flórida, cuja região central contabiliza quase 20% de todos os casos do país e mais de 80% dos casos relatados em todo o território estadual. Segundo o New York Post, especialistas em saúde pública acreditam que a doença tenha se tornado endêmico no Estado.

As causas ainda estão sendo estudadas, mas, considerando-se a ampla disponibilidade de tratamento, não há razões para alarmismo e, muito menos, para se retroceder ao preconceito contra as pessoas afetadas pela doença.

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