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Arquidiocese de San Francisco deve entrar em recuperação judicial

Dom Salvatore Cordileone

Jeffrey Bruno

Dom Salvatore Cordileone

J-P Mauro - publicado em 11/08/23

O arcebispo, dom Salvatore Cordileone, afirmou que as atividades paroquiais não devem ser afetadas

Neste 4 de agosto, dom Salvatore Cordileone, arcebispo de San Francisco, na Califórnia, escreveu uma carta aberta aos fiéis informando que a arquidiocese enfrenta risco de falência e deve recorrer à recuperação judicial.

O cenário é resultado de acordos judiciais ligados a casos de abusos sexuais perpetrados por sacerdotes. Grande parte desses casos teria acontecido nas décadas de 1960, 1970 e 1980, com a maioria dos padres acusados já falecidos e, portanto, não podendo mais contestar as acusações. Embora esses casos tenham prescrito, a Califórnia abriu, por duas vezes, prazos retroativos para o registro de denúncias contra supostos perpetradores – e contra terceiros acusados de conivência, como seria o caso da arquidiocese.

A primeira dessas janelas excepcionais foi aberta em 2002, quando a arquidiocese se viu forçada a vender propriedades e recorrer a seguros para pagar cerca de 68 milhões de dólares em indenizações. Em 2019, o governo da Califórnia abriu uma segunda janela, com duração de três anos, voltada a todas as organizações sem fins lucrativos do estado – o que resultou em mais de 500 ações judiciais adicionais. Agora, com os tribunais começando a estabelecer datas de julgamento para esses processos, a arquidiocese de San Francisco avalia que a recuperação judicial pode ser a única opção para administrar e resolver adequadamente todos os casos.

Dom Cordileone lamentou a situação, mas destacou os atuais esforços da Igreja para proteger as crianças que estão sob seus cuidados e prometeu que as atividades paroquiais não devem ser afetadas pelo colapso financeiro da arquidiocese.

Ele também ressaltou dois objetivos que a recuperação judicial pode ajudar a atingir: a resolução justa e equitativa de centenas de casos e num ritmo mais rápido que o das audiências individuais; e a reestruturação e continuidade dos ministérios vitais para os fiéis.

“As operações das nossas paróquias e escolas devem continuar normalmente, sem interrupções, assim como as atividades da arquidiocese. A arquidiocese se juntaria a uma lista crescente de dioceses nos Estados Unidos que pediram proteção sob as leis de falência. Algumas dessas dioceses já se reestruturaram e saíram desse processo”.

O arcebispo destacou algumas das políticas atuais em vigor na arquidiocese para proteger as crianças e até “estabelecer o padrão para outras organizações”. Elas incluem rigorosos processos de triagem de funcionários para a arquidiocese, gerenciamento diligente de “programa de ambiente seguro” e mesmo a documentação das impressões digitais dos voluntários que trabalham com menores.

O arcebispo incentivou os fiéis a renovarem seu compromisso com a Consagração Viva, um chamado que ele lidera desde 2017, quando consagrou a arquidiocese ao Imaculado Coração de Maria.

“A grande maioria desses pecados foi cometida há muitas décadas, mas é um sinal da solidariedade cristã nos unirmos para rezar o terço diariamente, e pelo menos uma vez por semana em família, além de fazer uma hora de adoração a Nosso Senhor no Santíssimo Sacramento uma vez por semana e guardar jejum às sextas-feiras pelo bem dos sobreviventes dos abusos, pela missão de nossa arquidiocese e pela erradicação deste crime vergonhoso da nossa sociedade como um todo. Apraz a Deus essa oração e penitência, que abrirão os nossos corações para as bênçãos que Ele deseja derramar sobre nós”.

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