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Com falta de leitores, 14 dioceses da Alemanha unificam publicação de revistas

Caminho Sinodal Alemão

SEBASTIAN GOLLNOW / DPA / DPA PICTURE-ALLIANCE VIA AFP

Caminho Sinodal Alemão

Francisco Vêneto - publicado em 11/08/23

A publicação unificada terá início na Páscoa de 2024; analistas veem o fato como mais um "sinal de agonia" da Igreja alemã, às voltas com seu polêmico Caminho Sinodal

O portal Kath.net informou que 14 das 27 dioceses da Alemanha pretendem unificar a publicação das suas revistas diocesanas a partir da Páscoa de 2024, com a impressão centralizada em Paderborn.

As arquidioceses e dioceses participantes são as de Berlim, Dresden-Meissen, Erfurt, Fulda, Görlitz, Hamburgo, Hildesheim, Limburgo, Magdeburgo, Mainz, Munique-Freising, Osnabrück, Paderborn e Würzburg. Apesar da publicação conjunta, serão mantidos os nomes dos jornais diocesanos anteriores.

As razões apontadas pelo Kath.net para esta medida são basicamente a falta de leitores e as dificuldades financeiras da maioria dos atuais jornais eclesiásticos do país. Por sua vez, esses dois sintomas são entendidos por analistas como mais uma mostra do desinteresse crescente dos católicos alemães pelo atual discurso da Igreja na Alemanha, às voltas com seu polêmico Caminho Sinodal.

Risco de cisma

A própria Santa Sé já chegou a alertar que o Caminho Sinodal Alemão pode ser uma ameaça para a unidade da Igreja.

De fato, os participantes dessa iniciativa já votaram a favor de “mudanças” que contradizem a doutrina católica em pontos que a Igreja sequer tem autoridade para alterar, como os sacramentos da ordem sacerdotal, do matrimônio e da Eucaristia.

Entre os exemplos de “propostas” incompatíveis com a doutrina estariam a ordenação sacerdotal de mulheres, a união homossexual e a cessão às pressões para que a Santíssima Eucaristia seja dada em comunhão a divorciados em segundas núpcias e mesmo a não católicos. Os participantes do Caminho Sinodal Alemão também pressionam pelo fim do celibato sacerdotal obrigatório. Recentemente, uma representante leiga do Caminho Sinodal Alemão chegou ao cúmulo de advogar por “mais acesso ao aborto”.

O que é o Caminho Sinodal Alemão?

O Caminho Sinodal Alemão é basicamente um longo processo de debates entre os bispos do país, um grupo de leigos católicos e uma parcela das religiosas e dos clérigos, que discutem e lançam propostas sobre o exercício do poder na Igreja, o papel das mulheres, a moral sexual e o sacerdócio.

Dadas as várias manifestações de aberta discrepância que caracterizam o Caminho Sinodal Alemão como uma ameça à doutrina consolidada, o Papa Francisco já chamou a atenção dos participantes para o risco real de romperem com a Igreja. Em entrevista publicada em 14 de junho de 2022, o papa contou que teve uma conversa com dom Georg Bätzing, presidente da Conferência Episcopal Alemã, e lhe disse que “a Alemanha não precisa de duas igrejas evangélicas“.

Aparentemente, os leitores de publicações diocesanas na Alemanha também não estão interessados em seguir esse caminho.

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