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“Os demônios queriam assustar-me; São Miguel me libertou”, revela diretor do filme sobre o Arcanjo

SAINT MICHAEL

Zvonimir Atletic | Shutterstock

Loo Burnett - publicado em 13/08/23

Diretor do documentário "São Miguel Arcanjo - O Anjo Maior" fala sobre o que o levou a fazer o filme e se refere a uma profecia: 100 filmes sobre São Miguel?

Inédito nos cinemas brasileiros, o filme documentário “São Miguel Arcanjo – O Anjo Maior”, já é um sucesso. Porém, poucas pessoas conhecem a história que levou o polonês Wincenty Podobinski a dirigir o filme, sem nunca ter atuado no segmento cinematográfico.

Como escritora de um nicho da teologia, a angelologia, busco conhecimento e informações com angelólogos, padres, historiadores, teólogos e escritores do mundo inteiro, sobretudo da Europa. A Itália, a Polônia e a França são países extremamente devotos de São Miguel, cujo apostolado nos inspira a aprofundar o entendimento das realidades espirituais que nos ladeiam: os santos anjos. 

Após sete anos peregrinando e pesquisando in loco nos santuários erguidos em honra ao Arcanjo Miguel na França e Itália, deparei-me com Don Marcello Stanzione, referência mundial em angelologia e que protagoniza nas entrevistas do documentário dirigido por Wincenty Podobinski.

Ao conversar com o diretor sobre o filme que entraria em cartaz no Brasil, não pude deixar de escrever este artigo, devido à proposta surpreendente de Wincenty: cem filmes com São Miguel Arcanjo!

Loo Burnett – Acredito que sejas um grande devoto de São Miguel por ter dirigido um documentário sobre a devoção ao Arcanjo no Ocidente. Que momento foi decisivo para a realização deste documentário?

Wincenty Podobinski – A determinação de tornar realidade a ideia de fazer um filme foi decisiva. Nunca tinha estado envolvido na realização de filmes, esta é a minha estreia, por isso precisava de alguém que me ajudasse neste empreendimento. A Fundação São Miguel Arcanjo, da qual sou fundador e presidente, organiza anualmente o “Retiro Angélico à Vela para São Miguel Arcanjo” – uma viagem de dez dias em iate à vela no Mar Mediterrâneo, com o objetivo de visitar o Santuário de São Miguel Arcanjo na Península de Gargano, na Itália. Um dos capelães deste retiro acabou por ser um cineasta; era o Padre Przemysław Krakowczyk, que, por acaso, soube dos meus planos e concordou em colaborar num filme. A determinação de fazer este filme só foi possível pela Graça de Deus. O Pai Celeste conhece as nossas intenções e se for possível cooperar com a Graça, tudo pode acontecer, mesmo o que parece ser inatingível. Não me dediquei ao cinema porque gosto de fazer filmes, mas porque amo o Senhor Jesus, a Imaculada e, claro, São Miguel Arcanjo. Este é, de fato, o “momento decisivo” na realização deste documentário. Os obstáculos e as dificuldades, especialmente na pós-produção, não foram poucos, mas o que parece mais interessante é que, ao fazer o filme, não me ocorreu que ele seria exibido nos cinemas do Brasil e provavelmente em toda a América. Talvez queiram ouvir a minha história de como voamos com um drone em Roma sem a devida autorização, ou como viajámos 6000 quilômetros de carro em seis dias para filmar na Bélgica, França e Espanha? Talvez mais interessante seja o fato de termos realizado as entrevistas na França e Espanha sem um tradutor, ou conhecimento da língua dos interlocutores. O meu Anjo da Guarda certificou-se de que eu traduzia as perguntas da entrevista antes de partir. Ele também ajudou a orientar a entrevista, afinal, todos nós usamos a comunicação não-verbal.   

Como pesquisadora dos anjos, especialmente de San Michele, também estive nos principais santuários erigidos em honra do Arcanjo: Sacra di San Michele, Monte Gargano, Le Mont-Saint-Michele, Castel Sant’Angelo. Nesses espaços apresentados em seu filme, você encontrou alguma conexão profunda que liga os dois santuários de forma mística e extraordinária?

É verdade, a localização dos primeiros lugares de culto de São Miguel Arcanjo é geralmente uma colina rochosa, uma montanha e uma nascente de água. É de grande interesse que, na Europa, os santuários mais famosos estejam localizados numa linha. É importante recordar que estes locais estavam anteriormente associados a cultos pagãos. Penso que o Arcanjo Miguel lutou contra o paganismo desta forma.  Nos locais onde os pagãos adoravam divindades, o Arcanjo colocou santuários dedicados ao Deus Uno e Trino. Mesmo na Polônia, em Cracóvia, onde nasci e vivo, uma das primeiras igrejas a ser construída foi dedicada a São Miguel Arcanjo, situada numa colina rochosa rodeada por um rio, onde anteriormente se adoravam ídolos. Mais interessante do que a localização dos santuários em si, é o fato de as pessoas serem incitadas a prestar culto cristão nesses assentamentos, que o próprio Arcanjo transmitiu quando apareceu aos bispos no Monte Gargano ou no Mont-Saint-Michel, na França. 

Qual foi o objetivo de dirigir este documentário?

 Em algum momento do meu desenvolvimento espiritual, descobri a necessidade de promover a criatura celeste e difundir o culto de São Miguel Arcanjo. Esta é uma das tarefas dos Cavaleiros de São Miguel Arcanjo, um apostolado laico ao qual pertenço desde 2008. Vendo o quanto o Arcanjo Miguel é mal compreendido, ignorado ou completamente esquecido pelos fiéis, quis proclamar a grandeza deste Poderoso dos Céus. Perguntei-me como poderia chegar mais eficazmente aos fiéis com conteúdos para mudar esta situação e cheguei à simples conclusão de que deveria ser feito um filme.  Rapidamente se tornou evidente que a história apresentada no documentário não esgotava o assunto, mas apenas o abria. 

O próprio fato de ter entrado para a Ordem de São Miguel Arcanjo está relacionado com a minha procura de uma resposta à questão de como ajudar as pessoas que estão possuídas ou especificamente atormentadas por Satanás. Vendo como as pessoas estavam a sofrer, quis discernir o problema e ajudá-las. Neste caminho de discernimento, os demônios queriam assustar-me. Sentia a sua presença na escuridão da noite que rodeava a minha casa. Não podia então olhar para a escuridão da noite fora da minha janela depois do anoitecer, esperando ver aí a abominação demoníaca. Fui libertado desta situação irracional pelo Arcanjo logo no primeiro dia do início da oração destinada aos Cavaleiros de São Miguel. De uma forma tão inesperada, São Miguel Arcanjo deu-se a conhecer a mim. Os demônios recuaram. Agora, movendo-me por vezes no escuro, só tenho de ter cuidado para não tropeçar. 

Quero apresentar o diretor Wincenty no Brasil através deste artigo que estou escrevendo para o site Aleteia. Fui a pessoa responsável ​​pela apresentação do documentário para uma produtora brasileira, a Kolbe Arte Produções. No entanto, queremos conhecer melhor Wincenty!

Durante o período em que o documentário estava a ser realizado, dei uma entrevista à revista bimestral polaca “Któż jak Bóg”. No decurso da entrevista, o editor da revista comentou que tinha acabado de ser feito mais um filme sobre São Miguel Arcanjo na Polônia, ao que eu respondi que isso era muito bom, porque podia haver até cem filmes sobre São Miguel Arcanjo. Esta entrevista intitulava-se “100 filmes sobre São Miguel”, e por isso penso que talvez tenha “feito” uma profecia a mim próprio desta forma, porque estão a nascer na minha alma muitas ideias para filmes sobre anjos. Talvez consiga fazer 100 filmes sobre anjos? Acabei de trabalhar num outro documentário intitulado “Sob a asa de um arcanjo”, com o qual quis apresentar o mundo dos anjos através do prisma do escritor angélico, o padre italiano Marcello Stanzione, autor de mais de 300 livros sobre os anjos e a vida dos santos da Igreja. Quero sublinhar que o Padre Stanzione é também protagonista do meu primeiro filme, pelo que o público brasileiro terá a oportunidade de conhecer este extraordinário sacerdote. Em outubro passado, começamos a rodar o filme “Angelofania”, que descreve as mensagens do Arcanjo Miguel dadas a Salvatore Valenti. Espero concluir a rodagem ainda este ano.  Em agosto, se Deus permitir, começarei a rodar mais dois filmes: “O Milagre que Escurece o Sol” e “Mãos para o Arcanjo”. Por enquanto, não estou a escrever mais ideias, pois quero concentrar-me nas que foram mencionadas. Acredito que o meu Anjo da Guarda, no momento certo, me lembrará do que preciso e indicará o caminho para a ação. O amor de Deus pelas pessoas impele os Anjos a ajudar-nos, a apoiar-nos no caminho para o Céu. Esta é a sua missão enquanto parte do Corpo místico de Cristo. Espero que os meus filmes ajudem as pessoas a aceitar a ajuda dos Anjos. Este é o lema da Fundação São Miguel Arcanjo – ajudamos as pessoas a aceitar a ajuda dos Anjos.

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