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“Como Vossa Santidade quer ser chamada?” Curiosidades sobre o nome dos papas

Papa Francisco

Antoine Mekary | ALETEIA

Papa Francisco

Ray Cavanaugh - publicado em 16/08/23

Passou-se quase meio milênio desde o último papa que manteve o seu próprio nome de nascimento

Imediatamente após um papa recém-eleito aceitar a nova missão, ele se depara com a pergunta do decano do Colégio Cardinalício: “Quomodo vis vocari?“, que, traduzida do latim, significaria “Como Vossa Santidade quer ser chamada?”.

Hoje em dia, é praticamente dado como certo que todo novo papa adotará um novo nome. Afinal, passou-se quase meio milênio desde o último pontífice que manteve o seu nome de nascimento. Nos primeiros séculos da Igreja, porém, o normal era justamente que eles continuassem usando os seus próprios nomes.

O início da troca de nome

A adoção de um nome papal diferente começou no ano 533, quando um padre chamado Mercurius foi eleito papa e considerou impróprio que o bispo de Roma tivesse o nome do deus pagão Mercúrio. Ele então deixou de lado o seu nome de nascimento e se tornou o Papa João II. Não restam muitas informações sobre seu papado de apenas dois anos, mas parece que João II era zeloso da moralidade, já que confinou pelo menos um bispo mulherengo à reclusão de um mosteiro.

O segundo pontífice a adotar um nome papal foi João III. Nascido Catelino, era filho de um importante membro do Senado Romano. Seu papado durou quase exatamente 13 anos, de 17 de julho de 561 a 13 de julho de 574 – um feito e tanto naquela época.

Nenhum pontífice subsequente adotou novos nomes até o século X.

Nascido Otaviano, o Papa João XII era um jovem muito bem relacionado, uma vez que foi eleito pontífice quando tinha em torno de 20 anos de idade, no ano de 955. Apesar de ter se tornado bispo de Roma, “os assuntos eclesiásticos não pareciam atraí-lo”, registram os historiadores, acrescentando que ele “passou toda a vida entre vaidades e fornicação”. Depois de ocupar o papado de forma indigna durante mais de oito anos, ele morreu em circunstâncias pouco claras.

O quarto papa que adotou um novo nome foi João XIV. Nascido no século X como Pietro Canepanova, ele foi escolhido não pelo clero ou por aclamação popular, mas pelo exclusivo critério de Otto II, o Sacro Imperador Romano. De fato, quando Otto II morreu pouco tempo depois, João XIV perdeu seu principal (e talvez único) aliado e ficou política e fisicamente vulnerável. Um antipapa logo se alçou para tomar o papado e prender João XIV no Castelo Sant’Angelo, onde ele morreu de causas não naturais em 20 de agosto de 984. Seu pontificado durou oito meses, incluindo o período de cativeiro.

Nascido Bruno de Caríntia no ano de 972, o Papa Gregório V era filho de um duque e foi feito papa pelo Sacro Imperador Romano Otto III, que era seu primo. O pontificado de Gregório V começou em 3 de maio de 996 e terminou quase três anos depois, com sua morte repentina e suspeita em 18 de fevereiro de 999.

Foi logo após este papado que se tornou costumeiro os novos papas adotarem um novo nome – a tal ponto que somente dois papas ao longo da era moderna mantiveram o seu nome de nascimento.

Os dois últimos a manter o nome de nascimento

O primeiro desses dois foi Adriano VI, o único papa holandês em dois milênios. Nascido Adriaan Florensz Boeyens, era filho de um carpinteiro, foi professor de teologia durante muito tempo e se tornou tutor do futuro Sacro Imperador Romano Carlos V. Em 9 de janeiro de 1522, foi escolhido como resultado de um arranjo entre facções rivais de cardeais, muitos dos quais se uniram no ressentimento em relação ao novo papa quando ficou claro que ele estava falando sério sobre erradicar a corrupção e dar um basta nos gastos extravagantes. Adriano VI era um pontífice justo, realmente disposto a reformar uma Igreja atolada num pântano de simonia, opulência e deturpação das indulgências, bem como ferida por príncipes católicos em guerra, além de ver-se às voltas com a crescente ameaça do Império Otomano e a nascente Reforma Protestante. Seu maior obstáculo, porém, eram os cardeais que queriam continuar vivendo como príncipes renascentistas. Vinte meses depois do início do seu pontificado, ele morreu em 14 de setembro de 1523, aos 64 anos – exausto e frustrado, mas incorruptível.

O pontífice mais recente a manter o seu nome de nascimento foi o Marcelo II. Nascido em 1501 como Marcello Cervini degli Spannocchi, era filho de um tesoureiro apostólico. Já no começo do seu papado, em 9 de abril de 1555, Marcelo II se sentiu mal. Ele morreu em decorrência de um derrame três semanas depois. Diante de um pontificado tão breve como o de Marcelo II, há quem possa imaginar que manter o nome de nascimento seja pouco . Não é esta, nenhum novo papa fez isso desde então.

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