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Nigéria: Cristãos continuam a ser mortos sem que sejam efetuadas detenções

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AFP

Manifestation devant l'Assemblée nationale à Niamey (Niger), 30 juillet 2023.

Reportagem local - publicado em 27/08/23

Depois de 21 cristãos terem sido mortos e mais de 10 terem ficado gravemente feridos por militantes Fulani no estado do Planalto, na Nigéria, na semana passada, fontes locais afirmaram que ataques semelhantes estão a tornar-se mais comuns e que os autores raramente são responsabilizados

Depois de 21 cristãos terem sido mortos e mais de 10 terem ficado gravemente feridos por militantes Fulani no estado do Planalto, na Nigéria, na semana passada, fontes locais afirmaram que ataques semelhantes estão a tornar-se mais comuns e que os autores raramente são responsabilizados.

O ataque teve lugar na madrugada de 10 de Agosto, quando pastores Fulani armados incendiaram edifícios onde se encontrava uma comunidade de cristãos deslocados em Heipang, perto da cidade de Jos, na região centro-norte da Nigéria.

Masara Kim, um jornalista que vive em Jos, disse à organização católica Fundação AIS que, depois de incendiarem as casas, os extremistas apontaram as suas armas aos que tentavam fugir.

Kim, que visitou o local após os assassínios, explicou que as vítimas foram “anteriormente deslocadas das aldeias vizinhas” e encontraram abrigo em Heipang. Cerca de metade das vítimas “estavam queimadas de forma irreconhecível” e pelo menos cinco delas eram crianças.

“Foi uma cena de partir o coração”, acrescentou. “Foram enterrados numa vala comum encharcada pela chuva. Trata-se de aldeões pobres que nem sequer têm dinheiro para comer, quanto mais para caixões.”

Sublinhou que “houve testemunhas e há sobreviventes que viram os seus familiares serem chacinados”, mas as autoridades provavelmente não conseguirão identificar os terroristas, como é habitual.

O Pe. Polycarp Lubo, presidente da Associação Cristã da Nigéria, estado do Planalto, afirmou que “os assassínios sistemáticos”, como os da semana passada, “têm uma longa história” no estado. O Pe. Lubo sublinhou que estas atrocidades deviam ser investigadas e que as autoridades deviam identificar “os autores destes actos perversos”, mas as detenções são raras e os que ocupam cargos de poder raramente têm vontade de “explicar o que se passa”.

Acrescentou ainda que as autoridades nigerianas não estão a fazer nada para ajudar os milhares de cristãos da região que foram deslocados depois de terem sobrevivido aos ataques terroristas.

Kim afirmou que, de entre as muitas atrocidades trágicas cometidas no estado do Planalto este ano, a mais mortífera aconteceu a 15 e a 16 de Maio, quando militantes Fulani mataram mais de 200 cristãos em Mangu, uma área governamental local a sudeste de Jos.

Tanto o Pe. Lubo como Kim confirmaram que se acredita que estes frequentes ataques dos pastores Fulani são motivados por uma série de factores, incluindo a apropriação de terras e a hostilidade étnica e religiosa.

(Com AIS)

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