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Mulher com pensamentos suicidas procura ajuda, mas médico sugere plano para se matar

Mulher com médico

Monkey Business Images | Shutterstock

J-P Mauro - Francisco Vêneto - publicado em 01/09/23

Kathrin Mentler tem 37 anos, luta contra a depressão e pretendia justamente se livrar da ideia de suicídio

O Canadá tem se tornado, em velocidade estonteante, um dos países mais devastados pelas ideologias que o Papa Francisco descreve como “cultura do descarte”, assim como seus governos e sua mídia têm sido pródigos em cercear ostensivamente a fé cristã nos espaços públicos e em distorcer os fatos para impor narrativas que atacam frontalmente a Igreja Católica.

Confira alguns dos abundantes exemplos:

Suicídio como remédio?

Um dos mais recentes casos chocantes produzidos no país exemplifica o avanço da “cultura do desacarte” impulsionada pela legislação sobre a eutanásia e o suicídio assistido.

Kathrin Mentler, de 37 anos, luta contra a depressão e os pensamentos suicidas. Ela foi ao Vancouver General Hospital em busca de ajuda precisamente para se livrar desse tipo de pensamentos – e ficou estarrecida quando o médico lhe sugeriu que a solução poderia ser a Assistência Médica na Morte (MAiD, pela sigla em inglês).

A MAiD foi introduzida na lei canadense em 2016, aplicável a casos de “morte razoavelmente previsível”. Em 2021, contudo, os legisladores expandiram o seu âmbito de aplicabilidade para incluir pessoas com condições incuráveis que “sofrem intoleravelmente”, o que poderia valer para pessoas com qualquer tipo de “doenças mentais” – ficando a delimitação deste diagnóstico amplamente abrangente. O governo suspendeu a legislação, de modo provisório, para que fossem feitos “novos estudos” a respeito, mas espera-se que ela volte a entrar em vigor em março de 2024.

Quando Kathrin Mentler procurou o hospital em Vancouver, ela o fez porque queria viver e precisava de ajuda especificamente para isto. Entretanto, de acordo com o jornal Globe and Mail, o que disseram a ela no hospital foi que haveria uma longa fila de espera para consultar um psiquiatra, já que “o sistema está quebrado”. Diante disto, ela foi questionada se já não tinha considerado a MAiD como uma alternativa (!)

A “proposta” estava em tamanho descompasso com o encaminhamento civilizado que ela tinha ido procurar que Kathrin relata nem sequer ter entendido inicialmente o que o médico estava lhe dizendo. Diante da linha de “raciocínio” do profissional que deveria existir para salvar vidas e não para propôr suprimi-las, Kathrin ficou tão nervosa que admitiu já ter tentado suicidar-se antes, por meio de uma overdose de medicamentos. Neste momento, o médico abordou detalhes do processo do MAiD, fazendo com que parecesse um procedimento “atraente e confortável”.

Kathrin Mentler contou à reportagem do Globe and Mail que saiu do hospital rapidamente, sem nem querer pensar naquela situação, mas, no dia seguinte, acordou perturbada e compartilhou o seu desconforto com um grupo privado em uma rede social. Ela desabafou:

“Eu fui lá naquele dia muito especificamente porque não queria cair na situação de pensar em tomar uma overdose de medicamentos. Quanto mais eu penso sobre isso, vejo que surgem cada vez mais questões éticas e morais em torno disso”.

Opções de “cuidado”?

O hospital defendeu a atitude do médico dizendo que certas “perguntas difíceis” devem ser feitas aos pacientes a fim de “determinar qual é o cuidado apropriado e o risco para o paciente”. A instituição acrescentou que seus médicos são obrigados a “explorar todas as opções de cuidados disponíveis” e que perguntar se o paciente havia considerado a MAiD faz parte da rotina para pacientes com tendências suicidas. No entanto, o hospital também admite:

“Entendemos que esta conversa pode ser perturbadora para alguns e compartilhamos as nossas mais profundas desculpas por qualquer sofrimento causado por este incidente”.

Para Kathrin Mentler, esta “explicação” não foi satisfatória. Ela observou que a “oferta” da MAiD para pessoas com problemas de saúde mental ainda não foi sequer legalizada – e mesmo que fosse, como lamentavelmente deverá ser, ela se pergunta como é que o suicídio medicamente assistido pode ser considerado um “tratamento adequado” para pacientes com pensamentos suicidas que procuram ajuda para viver e não para se matar:

“Avaliar o risco de suicídio não é a mesma coisa que oferecer opções de morte, mas foi isso que pareceu. Também vale a pena considerar que, neste momento, a MAiD para saúde mental ainda não é legalizada, então passar para um paciente os detalhes desse processo me parece errado. Como é que isto pode ser um procedimento padrão para os médicos agirem diante de crises suicidas?”.

Tags:
Cultura do descarteDoençaIdeologiaSaúdeSuicídio
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