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Teologia do Corpo – O celibato por amor

Katolicki ksiądz trzyma złożone ręce

Calamity Jane | Shutterstock

Julia A. Borges - publicado em 10/09/23

Não crer na ação de Deus, em sua presença, em seu poder de transformar e capacitar o ser humano para o voo rumo ao céu, faz com que não se creia igualmente na possibilidade da vivência do celibato

Em 1870, o Papa Pio IX iniciou com as chamadas Audiências Gerais, uma tradição que se prolonga até os dias de hoje. Elas acontecem às quartas-feiras, e são um modo do Sumo Pontífice relacionar-se mais de perto com os peregrinos. Nelas são proferidas as chamadas “catequeses”. Fato é que enquanto ainda era cardeal, o Papa João Paulo II iniciou a escrita de um livro que acabou não sendo terminado justamente em virtude de sua eleição. Tal livro, intitulado Homem e Mulher Ele o Criou, teve seus capítulos apresentados durante essas audiências entre os anos de 1979 e 1984.

Foram 129 catequeses a respeito da Teologia do Corpo, e ao longo de suas explicações, o Pontífice esclarece que a união de Adão e Eva no Paraíso, antes do projeto de Deus ser distorcido pela desobediência, reflete um outro enlace ainda mais importante: as núpcias do Cordeiro, o casamento entre Deus e o homem. É interessante notar o desejo de Deus em unir-se à humanidade, ou seja, o ser humano foi feito para este casamento último. É por isso que nenhum homem ou mulher encontrará em seu companheiro aqui na Terra o preenchimento do coração, porque somente em Deus será saciado o anseio do coração humano.

Mas é necessário ter em mente que o namoro ou o casamento não podem ser empecilhos para a aproximação com Deus, pelo contrário, o relacionamento de amor honesto, casto, de doação deve ser um trampolim para o Divino e o desejo que se sente pelo sexo oposto deve refletir a busca pela verdadeira felicidade que, como já foi dito, somente será saciada em Deus.

Durante sua explanação, o Papa afirma que “a revelação cristã reconhece duas formas específicas de realização completa da vocação do amor do ser humano: matrimônio e celibato”. E continua dizendo que “tanto uma quanto a outra, em suaforma própria, representa a realização da verdade mais profunda a respeito de o homem ter sido criado à imagem de Deus”.

O celibato por amor a Deus ilumina de forma extraordinária o matrimônio, pois recorda aos esposos que a finalidade de cada um é a vida eterna, o casamento eterno com Deus. Juntos, o casal deve caminhar rumo ao seu objetivo, sem colocar um no outro a razão da felicidade, pois isso seria destruidor para ambos. O sacerdote, por sua vez, à luz do matrimônio, deve se recordar que está despojado de si mesmo em função do outro, como um esposo deve ser. Por isso o celibato é uma grande riqueza da Igreja e aboli-lo seria, de certa forma, destruir o matrimônio, pois é ele que lança luz e recorda a verdadeira finalidade do ser humano: contemplar Deus face a face.

É a liberdade que move o homem na busca por algo. Se é através da liberdade que se encontra a luz da sabedoria sabedoria, e também a possibilidade de amar, assim também ocorre com a primeira característica fundamental do celibato. Na Igreja existem aqueles que têm a vocação divina para o matrimônio e aqueles que têm a vocação divina para o celibato. O que existe no mundo hoje é uma crise de ambas as vocações. Se faltam vocações sacerdotais, faltam também matrimoniais. A solução para as duas crises não é abolir o celibato dos padres, mas fazer com que todos vivam suas próprias vocações de maneira plena.

Por ser livre, o celibato é também sobrenatural, já que a matriz do que se entende por verdadeira liberdade é o condicionamento direto com o criador, e. por isso, o celibato é totalmente incompreensível para aqueles que não têm fé. Não crer na ação de Deus, em sua presença, em seu poder de transformar e capacitar o ser humano para o voo rumo ao céu, faz com que não se creia igualmente na possibilidade da vivência do celibato. Mesmo com uma vida apostólica é preciso ter oração, até para ter algo a oferecer aos irmãos. Não é possível viver o celibato sem a graça do Espírito Santo.

Viver o chamado de forma consciente e plena é viver a perfeita liberdade, e abolir o celibato, como muito se tem escutado, não é a solução para a pedofilia, nem a cura para transtornos de origem sexual. É preciso entender que a liberdade é consequência de uma vida ascética e mística e ao ser livre não é válida a escolha pela prisão em vícios, distúrbios e pecado. Portanto, estejamos prontos ao real matrimônio sem esvaziar o sentido verdadeiro que tal união significa.

Referências

  1. 1)  São João Paulo II, Teologia do Corpo – O amor humano no plano divino, Editora Ecclesiae, 2014
  2. 2)  WEST, Christopher, Teologia do Corpo para principiantes: Uma introdução básica à revolução sexual por João Paulo II, Ed. Myrian, Porto Alegre, 2008, pag. 79-89.
  3. 3)  Site: https://padrepauloricardo.org/aulas/o-celibato-por-amor-ao-reino-dos-ceus

Tags:
DoutrinaIgreja
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