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Os graves erros anticatólicos de O Código da Vinci

Pope Francis during his weekly general audience in Saint Peter's square at the Vatican

Antoine Mekary | ALETEIA

Vanderlei de Lima - publicado em 17/09/23

Quem, com um pouco de senso crítico, toma contato com uma breve síntese do filme, vê-se diante de um romance que ataca a fé católica. Você concorda?

Em março de 2023, o filme O Código da Vinci voltou à exibição na Netflix. Vale, pois, a pena comentá-lo brevemente, pois constitui um forte ataque à fé católica.

O tema central do enredo é o Santo Graal. Este não seria o cálice que Nosso Senhor usara na Última Ceia e que José de Arimateia teria recolhido gotas do sangue jorrado de Cristo na cruz – conforme antiga tradição –, mas, sim, o sepulcro de Maria Madalena. Dentro dele, estariam escondidos documentos secretos que, se descobertos, acabariam com a Igreja Católica. Por isso, esse túmulo é, segundo o filme, disputado pelo Priorado de Sião, sociedade secreta do século XI, e pelo Opus Dei, instituição católica radical do século XX. Mais ainda: Cristo fora casado com Maria Madalena e com ela tivera filhos. Ele não era Deus. O imperador Constantino, no Concílio de Niceia I, em 325, foi quem O divinizou… Que dizer?

Quem, com um pouco de senso crítico, toma contato com esta breve síntese do filme, vê-se diante de um romance que ataca a fé católica, pois parte de uma tradição um tanto lendária (o Santo Graal), distorce-a e ainda põe em foco o Priorado de Sião e o Opus Dei. Todavia, aquela sociedade secreta, com a suposta missão de guardar os segredos do Santo Graal, não foi, como aí se diz, constituída no século XI, mas, sim, no século XX, por Pierre Plantard (1920-2000). Já o Opus Dei é uma instituição católica fundada por São Josemaría Escrivá de Balaguer, em 1928, na Espanha, com a missão de promover entre pessoas de todas as classes da sociedade a mensagem da chamada universal à santidade, no seu próprio ambiente de vida, de família e de trabalho. Mereceu elogios de todos os Papas que a acompanharam de perto, de Pio XII a Francisco.

Ainda: Alegar que Nosso Senhor se casou com Maria Madalena é se opor a vinte séculos de Cristianismo, a admitir ser o Filho de Deus celibatário, e contestar renomados estudiosos contemporâneos ouvidos por Edison Veiga na matéria “De onde surgiram as teorias de que Jesus e Maria Madalena tiveram um relacionamento amoroso” (BBC News Brasil, 28/03/2023, on-line). Daí a questão: Como o romance supôs a união de Jesus com Maria Madalena? – Replicamos: Com base em apócrifos de origem gnóstica, sobretudo nos Evangelhos de Felipe e de Tomé. Expliquemos melhor cada termo desta afirmação: Apócrifo é um texto oculto, não por conter segredos, mas meramente por não ser lido nos cultos públicos. Há dois tipos de apócrifos posteriores a Cristo: os cristãos e os gnósticos. Os primeiros, não obstante o seu estilo fantasioso, são, é óbvio, respeitosos para com o Cristianismo. Já os gnósticos têm conteúdo herético, pois supõem que o mundo material é mau e, por isso, deve ser rejeitado e superado. Ora, na verdade, tudo o que Deus fez é bom (cf. 1Tm 4,4; Gn 1,31; Catecismo da Igreja Católica n. 285: Gnose).

Que créditos merecem, então, tais Evangelhos? – Nenhum, pois: a) são posteriores aos Evangelhos canônicos (Mateus, Marcos, Lucas e João) e os distorcem; b) revelam-se, em seu conjunto, contraditórios: ora dizem que Cristo era contrário à mulher, ora que a tinha por companheira (cf. Evangelho de Tomé, 114, e Evangelho de Felipe, 28 e 48); c) além dos estudiosos ouvidos pela BBC News Brasil, outros também julgam ser difícil sustentar o matrimônio entre o Senhor Jesus e Maria Madalena (cf. Frei Jacir de Freitas Faria, OFM. O outro Pedro e a outra Madalena segundo os apócrifos. Petrópolis: Vozes, 2004, p. 128, e J. Y. Leloup. Jesus e Maria Madalena. Petrópolis: Vozes, 2007, p. 137s.).

Por fim, a profissão de fé na divindade de Cristo é alicerce do Cristianismo (cf. Jo 1,1; 20,28; 1Jo 5,20; Tt 2,13; Rm 9,5. Ver ainda: Santo Inácio de Antioquia († 107), Aos Efésios 7,2; Orígenes († 254), Contra Celso 4,15 etc.). Para deixar assente este dogma, o imperador Constantino, com aval do Papa São Silvestre, convocou o Concílio Ecumênico (= universal) de Niceia I. Realizado entre 26/05 e 25/07 de 325, ele definiu que o Filho de Deus (Jesus) é consubstancial (homousios, em grego) ao Pai, ou seja, não foi criado, mas gerado da mesma essência do Pai (cf. J. Collantes, SJ. La fe de la Iglesia Católica. 3ª ed. Madri: BAC, 1986, n. 272). Ora, isso é revelação divina, não mera invenção humana!

Eis o que, muito brevemente, cabia dizer a respeito dos graves erros anticatólicos de O Código da Vinci.

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