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Não haverá nenhuma celebração de Natal este ano em Belém?

Natal na Praça da Manjedoura, em Belém, em 2018

Footballkickit | CC BY 3.0

Natal na Praça da Manjedoura, em Belém, em 2018

Francisco Vêneto - publicado em 28/11/23

O que significa, na prática, a notícia de que a prefeitura cancelou as celebrações na cidade em que nasceu Jesus?

Descrevendo a cena melancólica dos fios de luz sendo retirados por trabalhadores da Praça da Natividade e de outras áreas de Belém, na Cisjordânia, a agência católica de notícias CNA registrou as palavras da prefeita da cidade, Hanna Hanania, a respeito do cancelamento das celebrações natalinas da cidade onde Jesus nasceu: “Belém, como qualquer outra cidade palestina, está de luto e triste. Não podemos comemorar enquanto estivermos nesta situação”.

A situação em questão é a presente guerra entre o Estado de Israel e o grupo terrorista Hamas, que executou um brutal ataque-surpresa em 7 de outubro contra civis em território israelense.

Em 10 de novembro, as igrejas cristãs na Palestina, mediante comunicado conjunto, pediram que os fiéis deixem de lado, neste ano, “quaisquer atividades festivas desnecessárias”, “focando mais no significado do Natal espiritual” e “tendo em nossos pensamentos, nossos irmãos e irmãs afetados por esta guerra e suas consequências” e oferecendo “orações fervorosas por uma paz justa e duradoura para nossa amada Terra Santa”.

Outras perspectivas a respeito do contexto da supressão das festividades natalinas em Belém podem ser lidas neste artigo:

Mas o que significa, na prática, a notícia de que a prefeitura cancelou as celebrações na cidade em que nasceu Jesus? Não haverá nenhuma celebração de Natal este ano em Belém?

Não exatamente. Conforme o pedido das igrejas cristãs e a determinação das autoridades locais, não haverá decoração festiva nem eventos comemorativos, mas a liturgia do tempo de Natal, na medida do possível, será celebrada.

Na véspera de Natal, em 24 de dezembro, o patriarca latino de Jerusalém, cardeal Pierbattista Pizzaballa, fará a entrada solene em Belém para a celebração litúrgica do Natal do Senhor. Deverá manter-se também a procissão pela Rua das Estrelas, um percurso que, diz a tradição, teria sido feito pelos Reis Magos; no entanto, a procissão será feita sem música e com participação reduzida dos escoteiros da Terra Santa.

A afluência de fiéis como um todo, aliás, será gravemente reduzida neste ano. A mesma agência CNA registra o lamento da cristã local Lina Canavati, que relatou que a cidade está “muito triste” e esvaziada. Praticamente ninguém vem de Jerusalém ou das cidades vizinhas, até porque a intensificação dos postos de controle e dos bloqueios nas estradas dificultam severamente a locomoção. Estas circunstâncias, aliás, repercutem com força também na situação econômica das famílias, que, sem a presença dos peregrinos e turistas, vê minguarem ou mesmo sumirem as suas perspectivas de receita.

Lina, que é responsável pelo Departamento de Serviço Social de um hospital pediátrico em Belém, acrescenta que, apesar de tudo, os cristãos da Terra Santa vão celebrar, sim, o nascimento de Jesus Cristo:

“Acredito que o maior presente que Deus nos deu é o dom da esperança, e, com o Natal, alimentamos esta esperança nos nossos corações”.

Não à toa, as missas dominicais na igreja latina de Santa Catarina, ao lado da Basílica da Natividade, em Belém, têm estado mais lotadas do que o habitual.

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