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Como se libertar do peso da culpa? Um Padre do Deserto ensina

CRISIS

LightField Studios | Shutterstock

Michel Gitton - publicado em 04/12/23

Um monge que viveu século IV fala sobre o pecado e a penitência: como se libertar do turbilhão de sentimentos ruins que toma conta da pessoa depois de um pecado?

O Abade Lot, um eremita do deserto egípcio, um dia recebe a visita de um irmão muito agitado. Ele percebe que algo está errado:

“Contou-se de um irmão que cometeu um erro que, ao ir ver o Abade Lot, ficou perturbado, entrando e saindo, sem conseguir sentar-se. E o Abade Lot disse-lhe: “Qual é o seu problema, irmão?” Ele respondeu: “Cometi uma grande falta e não posso confessá-la aos Padres”. O velho disse-lhe: “Confesse-me e eu o ajudarei”. E ele lhe disse: “Caí em fornicação…”

O velho disse-lhe: “Tem fé: a penitência é possível. Vá, sente-se na caverna, coma sozinho dia sim, dia não, e eu carregarei com você metade da sua culpa. Depois de três semanas, o velho teve certeza de que Deus havia aceitado a penitência do irmão. E ele permaneceu submisso ao ancião até sua morte. 

Distribuição de culpa

Em resposta à pergunta direta do ancião, ele finalmente abriu seu coração e confessou um pecado grave e sua incapacidade de falar sobre isso com os monges da comunidade. Lot não hesitou e se ofereceu para ouvir seu pecado, acrescentando a promessa de “ajudá-lo”. Carregar significa assumir o fardo, assumir a vergonha, como se a culpa fosse sua – sem nenhuma sombra de julgamento.

O outro homem, tranquilizado, confessa: teve relações sexuais com uma mulher da cidade vizinha e, o que é mais grave, consentiu numa prática idólatra que ela deve ter-lhe exigido antes de ceder. Depois de se confessar, aguardou a penitência que lhe seria imposta e estava arrependido.

A penitência é séria, mas não terrível: ele deveria ficar longe de casa e comer dia sim, dia não – a duração da provação não é fixa – mas Abade Lot concorda em seguir o mesmo jejum que ele para “carregar” a culpa de seu penitente, como ele havia prometido. Depois de três semanas, o pecado foi perdoado.

Contribua para a sua recuperação

Essa história teria acontecido numa época em que não existia a absolvição sacramental ou, mais precisamente, em que se limitava aos crimes públicos e, portanto, reservada ao bispo. Mas ele seguiu o mesmo caminho que nós na penitência: passar do peso da consciência e do desconforto à verdadeira contrição, confessando a sua culpa para se humilhar, mas, ao mesmo tempo, para mostrar que está se afastando do seu pecado, aceitando a “reparação.”

Tudo isso foi possível graças à intervenção do Abade Lot, que mostrou-se cheio de bondade, mas também de firmeza: não se contentou com algumas palavras tranquilizadoras, mas tomou o seu lugar no processo de libertação, levando literalmente o seu penitente até ao fim da cura. 

Isso é o que nos é oferecido em cada confissão, com a certeza de que a absolvição nos dá a segurança de termos verdadeiramente regressado à graça de Deus.

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