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Quando um cristão decepcionar você, siga o conselho de Santa Teresinha

woman praying in church with st. therese of lisieux

Milkovasa | Immaculate | Gorodenkoff | Shutterstock | Collage by Aleteia

Cecilia Pigg - publicado em 06/12/23

Santa Teresinha nos ensina a manter acesa a chama do amor, ainda que a mágoa e a decepção pareçam incontroláveis

“Por que você os trouxe? Deixe-os em casa!”, disse um senhor para mim enquanto eu passava por seu banco no caminho de volta da comunhão com meus filhos pequenos a reboque. Já lidando com o que tinha sido uma caminhada longa e frustrante, simplesmente continuei andando e cheguei aos fundos da nossa igreja, abalada e triste.

Acabou sendo um daqueles domingos. Eu estava sozinha, tentando conter meus filhos de dois e de um ano, e passamos a maior parte da missa nos fundos da igreja. Eu gentilmente lembrei ao meu filho de dois anos que estávamos prestes a receber a comunhão e que ele precisava andar sozinho, pois já é um menino crescido. Ele segurou minha mão, satisfeito, por um momento, mas, ao passarmos pelas portas da igreja, seu humor mudou drasticamente. “Nãooooo!”, protestou ele em voz alta com lágrimas começando a brotar em seus olhos. “Eu não quero isso!”

 Ele começou a chorar alternadamente, recusou-se a andar e começou a gritar. Assim foi durante todo o caminho até a Comunhão e todo o caminho de volta.

Tentei em vão ajudar meu filho a se acalmar, mas com meu caçula contorcido nos braços, além de tentar seguir em frente na fila, nada funcionou. Pensei em simplesmente sair da fila e recuar para o fundo, mas se fizesse isso a fila acabaria e eu não seria capaz de receber Jesus. Então, continuei com meu filho pequeno se contorcendo e meu filho grande gritando – criando uma cena a cada passo do caminho.

Da raiva à paz

Quando me sentei no banco de trás, depois de todo o incidente, minha primeira reação foi de raiva. O que aquele senhor estava pensando? Ele acha que eu já não estava envergonhada o suficiente? Poxa!

Porém, respirei fundo e comecei a orar por ele. Mudei meu monólogo interior para dialogar com Jesus sobre aquilo e pensei: Quem sabe o que está acontecendo na vida dele? Talvez ele estivesse esperando que a paz e a tranquilidade da Missa fossem um bálsamo curativo – e então ele ficou muito mais desapontado quando meus filhos barulhentos passaram por ele, arruinando a pouca estabilidade que lhe restava.

Tentei reformular a situação para entendê-lo, em vez de me afundar em meu desconforto e em minha mágoa. E sabe de uma coisa? Funcionou. Senti-me em paz e simplesmente deixei de lado a experiência como mais um dia memorável na vida de ter filhos pequenos. Devo agradecer à Santa Teresinha por isso. Ela me ensinou a me comportar quando os cristãos que encontro (incluindo os da minha própria família) me decepcionam ou me magoam.

Uma graça transformadora

Santa Teresinha compartilha um momento de dor no capítulo cinco de “História de uma Alma”, quando ficou magoada com palavras de seu pai, mas depois recebeu a graça para superar a dor. Ela era uma menina de 13 anos muito sensível e era época de Natal. Ela ouviu seu pai comentar irritado: “Bem, felizmente, este será o último ano!” quando viu que os sapatos dela estavam esperando presentes perto da lareira. Seus olhos se encheram de lágrimas, mas ela recebeu uma graça fundamental e transformadora para superar sua dor e transformá-la em serviço. Ela explica: “Senti a caridade entrar em minha alma e a necessidade de esquecer de mim mesma e de agradar aos outros; desde então, estou feliz!”

O Papa Francisco promulgou recentemente uma exortação apostólica sobre Santa Teresinha chamada C’est la Confiance. Nela, o Pontífice escreve como Santa Teresinha descobre o coração da Igreja:

“Tal descoberta do coração da Igreja é uma grande luz também para nós hoje, a fim de não nos escandalizarmos por causa das limitações e fraquezas da instituição eclesiástica, marcada por obscuridades e pecados, e entrarmos no seu coração ardente de amor, que se incendiou no Pentecostes graças ao dom do Espírito Santo. É o coração cujo fogo se reaviva ainda com cada um dos nossos atos de caridade. «Eu serei o amor»: esta é a opção radical de Teresinha, a sua síntese definitiva, a sua identidade espiritual mais pessoal.”

Mantendo viva a chama do amor

Substitua “instituição eclesiástica” por “nossos companheiros cristãos” e você terá outra maneira de lidar com o desapontamento. O coração de Jesus ardendo de amor ofusca toda a dor que causamos uns aos outros. Além disso, nossos atos de amor e caridade ajudam a manter viva e acesa a chama do amor. Meus atos proativos de amor e caridade ajudam quando a situação está no outro pé, e causo dor e frustração aos meus companheiros cristãos por meio de minha própria pecaminosidade e negligência. Espero que outros orem por mim quando eu falhar com eles!

Então, da próxima vez que um colega paroquiano, ou um pai ou irmão, fizer algo que o ofenda ou machuque, mantenha acesa a chama do amor. Transforme a dor em um ato de caridade, assim como Santa Teresinha fez. 

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