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Natal: tempo de desfolhar-se

Menininha rezando

Anna Om | Shutterstock

Hozana - publicado em 15/12/23

O Natal é uma nova oportunidade de entendermos como ser o novo Cristo no mundo de hoje

Em breve será mais uma vez Natal… e que grande graça poder renovar todos os anos a beleza de receber o Menino Deus na manjedoura dos nossos corações!

Não sei se o Natal tem um significado especial para você, caro leitor, cara leitora, mas para mim tem. E ele vai para além daquilo que já é belo neste tempo: reuniões familiares, confraternizações com os amigos, o embelezamento das nossas cidades… Natal pode ser entendido também como esse tempo de perdão. Sempre achei bela a iniciativa de algumas famílias de dar e pedir perdão, aproveitando a “magia” do Natal.   

Porém o que é mais belo para mim é a graça de reviver, espiritualmente, o mistério de um Deus que se fez menino. Um Deus todo-poderoso que escolheu nascer de uma mulher, encarnar-se no seio de uma família pobre, fazer de uma manjedoura o seu berço e de humildes pastores de ovelha suas primeiras testemunhas… 

O Senhor da terra e do céu, o criador de todos os anjos e santos, de todas as coisas visíveis e invisíveis, esse Deus nasceu na carne de um menino pobre e já marcado pela perseguição. Do início ao fim de sua vida, Cristo trouxe em seu corpo as marcas do Seu Amor. O Natal, o mistério da encarnação, é uma das maiores loucuras de amor de Deus.

Deixar que Jesus faça morada em nossos corações deve ser, também, em algum sentido, deixar que ele se encarne em nós. É deixar que ele tome posse da nossa carne, dos nossos pensamentos, das nossas certezas e incertezas, das nossas queixas, dos nossos mandos e desmandos, da nossa pobreza humana e espiritual. É deixar que ele transforme nosso olhar. O Natal é uma nova oportunidade de entendermos como ser esse novo Cristo no mundo de hoje. Um Cristo que escolhe estar onde ninguém quer estar. Um Cristo que escolhe amar. Acolher! E hoje? Como está a qualidade do nosso amor? Do nosso acolhimento? Da nossa maturidade? Humana e espiritual?

Santa Teresinha pôde provar logo cedo do poderoso e verdadeiro sentido do Natal. Pôde provar dessa nova encarnação de Jesus em seu seio de menina. Em seu diário ela se refere ao dia 25 de dezembro de 1886 como a noite da sua conversão. Ela narra que foi nesta data, que recebeu a graça de sair da infância. Sigamos um pouco este relato:

“… Papai gostava de ver minha satisfação, de ouvir meus gritos de alegria, quando eu retirava cada surpresa de dentro dos “sapatos encantados”, e o contentamento do meu Rei aumentava minha felicidade”.

Como qualquer criança, Teresinha tinha prazer em receber seus presentes de Natal. A data era esperada por ela também por isso. Mas no Natal de 1886 ela ouviu palavras que, para ela, seriam duras e inesperadas:

“Jesus, porém, querendo mostrar-me que devia livrar-me de alguns defeitos da infância, subtraiu-me também as inocentes alegrias desta idade. Permitiu que Papai, extenuado da Missa da meia-noite, se enfadasse dos meus sapatos na lareira, e profetizasse estas palavras que me atravessaram o coração: Afinal, que sorte ser este o último ano!

Seu querido pai acabara de quebrar o grande encanto que o Natal representava para a pequena Teresa. Ela, porém, no lugar de fechar-se em si mesma escolheu crescer:

“Nessa noite, quando se fez fraco e sofredor por meu amor, tornou-me forte e corajosa, revestiu-me de sua armadura… Depois de sufocar minhas lágrimas, desci rapidamente a escadaria. A comprimir as batidas do coração, peguei meus sapatos, coloquei-os diante do Papai, e fui tirando alegre todos os objetos, com ar feliz de uma rainha”.

Ela cresceu! Não necessariamente em estatura, mas sobretudo em graça e humanidade. Ela entendeu que o mundo não poderia circular em torno de suas necessidades e manhas. Ela entendeu que deveria se comportar como um novo Cristo, como alguém que carrega em si as marcas do Amor. Nesse momento mesmo ela escolheu desfolhar-se. 

Santa Teresinha soube viver esse grande mistério de Amor de Deus reconhecendo sua pequenez e escolhendo permanecer nos braços do Pai. E nós? Onde precisamos que o amor de Deus vença em nós, assim como venceu em Santa Teresinha? Quais são as folhas que precisamos deixar cair para que outras possam nascer? Teresinha recebeu um pequeno milagre na noite de Natal. E assim como ela queremos receber do Menino Jesus a graça que tanto desejamos. É tempo de desfolhar o coração e renovar as esperanças!

Esse ano no Hozana trazemos para você a novena de Natal, tempo de desfolhar-se com Santa Teresinha (clique aqui para participar). Deus se fez pequeno para morar conosco aqui nesta terra. Nós somos convidados por Ele, assim como Santa Teresinha, a desfolhar a nossa vida em Sua presença e acolher o Menino Jesus em nosso coração.

Débora Moreira Araújo, pelo Hozana

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