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Entenda o uso do escapulário

szkaplerz z Maryją

fot. Vanesa Guerrero, rpm / Cathopic

Julia A. Borges - publicado em 17/12/23

Trata-se de um "sacramental", verdadeiro instrumento da graça divina para que nos convertamos e levemos uma vida nova e de fervorosa oração

Mesmo sendo uma das devoções católicas mais populares, há muitas pessoas que desconhecem sua origem e significado autênticos, pelo que, infelizmente, não é raro ver quem a subestime ou reduza a uma espécie de “amuleto” de superstição, fato é, no entanto, que a festa de Nossa Senhora do Carmo, que a Igreja celebra dia 16 de julho, está intimamente ligada ao seu uso.

A expressão “escapulário” vem da palavra latina scapula e quer dizer, aquilo que se traz sobre os ombros. A princípio, tratava-se realmente de um hábito comprido que todos os monges carmelitas estavam obrigados a vestir, em sinal de obediência e como símbolo do jugo suave e o fardo leve de Cristo (cf. Mt 11, 30). Com o passar do tempo e a expansão dessa devoção, todavia, o escapulário foi diminuindo de tamanho, até a forma reduzida que se vê hoje. Especialmente após a aparição de Nossa Senhora a São Simão Stock, em 16 de julho de 1251, a essa devoção acresceu-se um novo significado: o escapulário passou a ser o “hábito da Virgem Maria” e quem quer que começasse a usá-lo deveria procurar consagrar-se à Mãe de Deus e imitar-lhe as virtudes, recebendo dela a tríplice promessa de proteção durante a vida, assistência na hora da morte e salvação eterna.

Trata-se de um “sacramental”, verdadeiro instrumento da graça divina para que nos convertamos e levemos uma vida nova e de fervorosa oração. Inúmeras pessoas foram, de fato, conduzidas a Deus por meio dessa devoção, sem falar de tantas outras que, por misericórdia divina, receberam graças extraordinárias no momento de sua morte e salvaram as suas almas. É por isso que, em carta endereçada aos superiores da Ordem dos Carmelitas, por ocasião do 700 anos de aniversário do escapulário, o Papa Pio XII exortava todo o povo de Deus a não receber em vão o hábito carmelita: “Este Sagrado Escapulário é, de fato, como um hábito mariano, sinal e penhor da proteção da Mãe de Deus. Ninguém pense, todavia, que, usando essa veste com preguiça ou torpor espiritual, mesmo assim terá assegurada a sua salvação eterna, porquanto adverte o Apóstolo: Com temor e com tremor operai a vossa salvação” (Fl 2, 12). 

Nossa esperança, ao trazermos sobre os ombros esse piedosos sacramental, é que ele seja “força salvadora de Deus” para nós que cremos (cf. Rm 1, 16), assim como era curado, durante a vida terrena de Jesus, quem quer que tocasse ainda que fosse somente nas orlas do Seu manto (cf. Mc 5, 25-34).

O escapulário deve ser usado constantemente, de dia e de noite. Quando, por alguma razão, seu uso se torne dificultoso, a Igreja dá a possibilidade de substituí-lo por uma medalha em que, na frente, esteja cunhada a imagem de Nossa Senhora do Carmo, e, atrás, a do Sagrado Coração de Jesus. É a medalha de Nossa Senhora do Carmo que, no lugar do escapulário, deve ser sempre carregada com a pessoa.

Da primeira vez que se recebe o escapulário, é necessário apresentá-lo ao sacerdote, a fim de que ele o abençoe e o imponha. É também interessante lembrar que o uso do escapulário permite aos fiéis lucrarem algumas indulgências:

Indulgência parcial – O uso piedoso do escapulário ou da medalha (por exemplo: um pensamento, uma lembrança, um olhar, toque ou beijo etc.), além de favorecer a união com Maria Santíssima e com Deus, obtém uma indulgência parcial, cujo valor aumenta na proporção das disposições de piedade e fervor da pessoa.

Indulgência plenária – Pode-se lucrá-la no dia em que se recebe pela primeira vez o escapulário, na festa de Nossa Senhora do Carmo (16 de julho), de Santa Teresa de Ávila (15 de outubro), de São João da Cruz (14 de dezembro), de Santo Elias (20 de julho), de Santa Teresinha do Menino Jesus (1º de outubro), de todos os santos carmelitas (14 de novembro) e de São Simão Stock (16 de maio). Para lucrar tais indulgências plenárias, são exigidas as seguintes condições: Confissão, Comunhão eucarística, oração pelo Sumo Pontífice e propósito firme de querer observar os compromissos da associação do escapulário.

O mundo no qual vivemos é uma constante batalha muito além das guerras vistas e presenciadas entre os humanos; há, todavia, um verdadeiro combate espiritual ocorrendo diariamente e com o qual, muitas vezes, não nos damos conta. Nunca é demais insistir nesta passagem: “Sede sóbrios e vigiai, porque o vosso adversário, o diabo, rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar” (1Pd 5, 8). A batalha espiritual já está acontecendo ao nosso redor, e precisamos entender para quem e por qual motivo lutamos. Devemos nos armar com tudo o que Deus nos concedeu através de sua Igreja, e o escapulário é uma forte arma nessa guerra.

Fonte: https://padrepauloricardo.org/

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