O Vaticano anunciou que o Papa faria sua primeira aparição pública , ao meio-dia do dia de Domingo, para a oração do Angelus. Para muitos, era um sinal de esperança, um retorno à vida que ele sempre abraçou com tanta fervor.
Nos dias anteriores, a comunicação do Vaticano havia sido escassa e cautelosa. O cardeal Pietro Parolin, secretário de Estado, pedira à imprensa para não especular sobre a saúde do Papa, e frases curtas passavam a mensagem de que a recuperação estava em andamento, mas lenta. Entre as vozes que se manifestavam, a do cardeal Victor Manuel Fernández, próximo do Papa, também ressaltava as dificuldades encontradas, e muitos começaram a se perguntar se Francisco participaria das celebrações da Semana Santa.
Porém, tudo tomou um rumo inesperado durante uma coletiva de imprensa no sábado à tarde. Os médicos revelaram que o Papa havia manifestado o desejo de deixar o hospital já há alguns dias. O anúncio de sua saída no domingo, feito com serenidade pelo doutor Sergio Alfieri, pegou a todos de surpresa. Afinal, rumores a respeito da recuperação do Papa não haviam circulado até então, e a expectativa sempre havia sido cautelosa.
Na manhã de domingo, a multidão tomou conta do espaço em frente ao Hospital Gemelli. Entre os rostos ansiosos, Alejandra, uma colombiana residente em Roma, expressou o sentimento que permeava todos ali: “Ele passou por momentos difíceis. É importante estarmos aqui para apoiá-lo.” E, então, do quinto andar do hospital, Francisco apareceu. Em um cadeira de rodas, seu semblante revelava os sinais de uma luta que ainda ecoava em seu corpo.
Com poucos e significativos gestos, ele agradeceu à multidão, recebendo flores e mostrando uma fragilidade que poucos já haviam visto. A cerimônia do Angelus seguiu um formato familiar, mas a atmosfera era diferente. O Papa cumprimentou uma senhora com um bouquet de flores amarelas e agradeceu a multidão. Após poucos minutos, seus assistentes o levaram de volta para dentro.
Mas havia mais por vir. Em vez de seguir diretamente para o Vaticano, um novo caminho se desenhou: ele foi levado a Santa Maria Maior. Ali, em um ato de devoção habitual, decidiu não entrar na igreja, mas solicitou que seu buquê de flores fosse colocado diante da icônica Salus Populi Romani, um gesto que simbolizava sua conexão renovada com a fé e sua responsabilidade espiritual.
À medida que se dirigia de volta ao Vaticano, acompanhados pelo olhar atento das câmeras, o Papa Francisco se preparava para reassumir seu espaço, mesmo que, desta vez, com um novo entendimento sobre suas limitações e um fresco sentido de propósito. Os próximos dois meses seriam dedicados a sua recuperação e reflexão.
“Uma nova etapa do pontificado terá início”, previu o cardeal Fernández. A experiência da hospitalização poderia ser mais do que um desafio; poderia ser um momento fecundo para o Papa e para a Igreja. E assim, entre crenças renovadas e um futuro incerto, a história continuava a se desenrolar, prometendo surpresas e lições a cada passo.