Nascido em uma família de feroz anticlericalismo, nada predestinou Sébastien a bater à porta da Igreja. No entanto, aos 51 anos, as águas do batismo logo fluirão em sua fronte, durante a Vigília Pascal em 21 de abril. "Quando criança, senti algo muito forte, um sentimento de presença benevolente. Eu tinha enterrado dentro de mim porque não sabia como explicar", diz ele.
Já adulto, este pai de três filhos guarda, enterrada no fundo do coração, a certeza de que Deus existe. "Jesus batia paciente e regularmente na porta, mas eu nunca a abria para ele." E então, um dia, aos 48 anos, ele se decidiu. "Eu estava andando e entrei em uma pequena igreja perto de minha casa", diz Sébastien. “Naquele dia, tomei a decisão de abrir a porta, mergulhar e ser batizado."
Naquela mesma noite, ele anunciou a notícia para sua esposa e filhos. Embora tenham recebido bem a notícia, os pais de Sébastien reagiram mal ao anúncio de sua decisão. Mas não importa, ele está seguro de si. Depois de anos enterrando o chamado do Senhor, ele agora quer responder. "Eu não contei a ninguém sobre isso, mas acabei depondo minhas armas. Eu disse sim a Jesus. Na minha idade, não nos importamos com o que as pessoas pensam", diz ele.
Ao iniciar a jornada de catecumenato, Sébastien experimentou uma profunda reviravolta, que o levou a se voltar para os outros. "Desde o momento em que comecei a ler a Bíblia, disse a mim mesmo que tinha que ser menos egoísta", explica ele. O pai da família tornou-se voluntário no Secours Catholique e participou de ações de solidariedade. "Minha primeira experiência em uma ação solidária foi extraordinária: minha visão das pessoas mudou, vi suas experiências, suas fraquezas, mas também seus pontos fortes, sua humanidade."
Sébastien garante que sua decisão não mudou fundamentalmente sua vida, mas sim sua maneira de ver as coisas. "Eu entendi que o perdão era a base. Houve um antes e um depois, a mudança é interna, é muito profunda." O seu modo de viver o Evangelho é viver como cristão nas pequenas coisas da vida quotidiana, simplesmente. "Não é quem grita mais alto que mais acredita. Para mim, testemunhar é dar o exemplo", diz o homem de cinquenta anos.
Dentro da família, Sébastien experimentou outra grande alegria. Sua filha, "a mais nova", também está pedindo o batismo e o receberá ainda este ano. "Conversamos sobre isso juntos, foi uma coincidência, mas no final não muito... Ela me disse de uma maneira tão natural e bonita ", diz ele.
Durante seu catecumenato, Sébastien mergulhou na leitura da Bíblia e até planejou organizar um grupo de estudo bíblico após seu batismo. Ele também descobriu a história de São Paulo, que o tocou particularmente: "São Paulo fala comigo, maltratou os cristãos, depois se converteu tarde na vida e acabou dando a vida. Ele falou comigo", diz ele. “Posso ter dito coisas estúpidas ou zombado de mim mesmo. Seu exemplo me tranquilizou. Somos tomados como somos, com nossas falhas."
Poucas semanas antes de seu batismo, que acontecerá na catedral de Quimper, na França, Sébastien continua a caminhar. "Mal posso esperar. Vi o batismo de forma administrativa, mas durante a missa com o chamado decisivo onde você recebe o lenço roxo, fiquei emocionado, tomado de emoção", continua ele. "Não é trivial, não vou sair disso do jeito que entrei."
Enquanto isso, ele continua a viver sua fé plenamente, com "confiança absoluta". "Devemos abandonar-nos, como Cristo se abandonou à vontade do Pai". Sébastien sorri: "Para aqueles que duvidam, eu digo: 'Tudo funciona para o bem. Vai ficar tudo bem, é um final feliz."