A Comissão Episcopal para Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, através do Setor Espaço Litúrgico, promoveu o Encontro Nacional de Arquitetura e Arte Sacra – ENAAS a cada dois anos. Neste ano, entre 2 e 6 de junho, Anápolis, em Goiás, foio sediado o encontro.
De forma presencial ou remota os artistas se encontraram para partilhar suas experiências e se enriquecerem mutuamente. Todos, com suas habilidades diferentes, sentem que o trabalho artístico ligado à Igreja tem o centro bem definido, bem claro, e é esta concepção da centralidade de Deus como centro que ilumina toda a ação artística. Para Raquel Schneider, assessora do setor espaço litúrgico, todo o trabalho para as obras gira em torno de Deus. “Citando a obra de Van Gogh, O Semeador e o Por-do-Sol, para aprofundar o tema de esperança, por meio da parábola do Semeador, nosso querido Papa Leão XIV disse, em sua primeira audiência geral, que no centro da cena não está o Semeador, que se encontra de lado, mas toda a pintura é dominada pela imagem do Sol. Talvez para nos recordar que é Deus quem move a história, embora às vezes pareça ausente ou distante. É o Sol que aquece os torrões da terra, fazendo amadurecer a semente. Palavras do nosso Papa”.
Raquel destaca que o Papa “nos exorta com beleza, com poesia, com afeto, a colocarmos Cristo no centro das nossas vidas. O Sol nascente que nos visita, que se faz caminho e porta de salvação para nos conduzir ao Pai”. Essa imagem do sol que surge e se põe, que percorre seu caminho e é sempre o centro deve ser refletida "em nossos espaços de celebração, nossas igrejas, que são imagem dessa vida que vivemos em Cristo, da nossa vida eclesial, que tem na liturgia sua fonte, seu cume”, explicou Raquel.
Reformando a Catedral de São Luiz de Montes Belos, em Goiás, a arquiteta Fabiana Longhi recebeu uma poesia de um fiel sobre a reforma e testemunha como o trabalho material reflete uma realidade espiritual. A poesia dizia que a fachada da catedral faz os passantes do centro da cidade diminuir o passo, silenciar e observar aquela construção que remete à tradição. “Isso me gratifica, é sinal de que a vida, nesse sentido, eu estou no caminho certo, são respostas que me dão a vida, que eu estou no caminho certo. Não é um caminho simples, é necessária cada vez mais essa consciência de que esta igreja precisa da simplicidade com nobreza e da nobreza com simplicidade, e que isso não é uma questão fácil de se fazer, e que é cada dia um desafio, e que cada comunidade é uma comunidade, e eu preciso descobrir essa nobreza simples e a simplicidade nobre em cada comunidade, em cada povo, porque para ser casa de Deus, precisa ser casa do povo de Deus, que comunga, que reúne, que ora, que celebra ali”, destaca.
Segundo Cardeal Gianfranco Ravassi, “o arquiteto não deve necessariamente ter uma fé, mas deve necessariamente ter um diálogo com o crente, com a comunidade que se encontrará no interior do seu espaço. É por esta razão que é indispensável a comunidade que interpela, dialoga, naturalmente tomando em consideração as novas exigências, inclusive as novas gramáticas, que são próprias da construção, da arquitetura, da própria urbanística que interpela o arquiteto e vice-versa, de maneira que verdadeiramente não se criem espaços sagrados que por vezes são parecidos com pavilhões, que são parecidos com salas de reuniões, ou que se construam nos lugares nos quais há uma espécie de surdez à espiritualidade”.
Na cabeça de um arquiteto que projeta o espaço celebrativo passa Deus e as pessoas: “Nunca esqueçamos que na Bíblia o templo é chamado no Antigo Testamento de “ohel mo’ed’”, que quer dizer a tenda do encontro: o encontro com Deus antes de tudo, mas também o encontro das pessoas entre elas. Estas duas componentes, a componente sagrada e a componente da assembleia litúrgica devem sempre cruzar-se, e o arquiteto deve aprendê-las, para que a sua obra não prevarique em torno a estas duas componentes”, conclui Ravassi.








