separateurCreated with Sketch.

Férias nos deixam esgotados porque não sabemos descansar: o Papa dá a resposta

In this handout picture released by the Vatican press office on September 21, 2015 Pope Francis greets children as he arrives at the Jesuit Church of Habana on September 20, 2015 as part of his visit to Cuba. Pope Francis greeted massive crowds of fans and Catholic faithful Sunday as he arrived in his popemobile to give mass on Havana's iconic Revolution Square, the highlight of his trip to Cuba. AFP PHOTO / OSSERVATORE ROMANO/HO RESTRICTED TO EDITORIAL USE - MANDATORY CREDIT "AFP PHOTO / OSSERVATORE ROMANO" - NO MARKETING NO ADVERTISING CAMPAIGNS - DISTRIBUTED AS A SERVICE TO CLIENTS

whatsappfacebooktwitter-xemailnative
Kathleen Hattrup - publicado em 07/07/25
whatsappfacebooktwitter-xemailnative
“O domingo não é um dia para cancelar os outros dias, mas para recordá-los… e fazer as pazes com a vida.”

Não achamos as férias realmente revigorantes porque não entendemos o que é o verdadeiro descanso – nem para que ele serve. Essa foi a observação do Papa Francisco durante sua série de audiências gerais sobre os Dez Mandamentos.

Ao falar sobre o terceiro mandamento — “Guardarás o sábado (o dia do Senhor)” — o Papa comentou que esse “parece ser um mandamento fácil de cumprir, mas essa impressão está errada. Descansar de verdade não é simples, porque existe o falso descanso e o verdadeiro descanso. Como podemos reconhecê-los?”

Falso descanso

O Santo Padre falou sobre como a nossa cultura tem sede de férias, e como a “indústria da distração” está florescendo com promessas de prazer e diversão.

“O conceito dominante de vida hoje tem seu centro de gravidade não na atividade e no compromisso, mas na evasão”, afirmou. “Ganha-se para se divertir e se satisfazer. A imagem-modelo é a de uma pessoa bem-sucedida que pode se permitir espaços extensos e variados de prazer.”

No entanto, explicou o Papa, essa mentalidade não traz satisfação, mas sim o oposto. Em vez de encontrarmos descanso no prazer, experimentamos “alienação e fuga da realidade”.

“O ser humano nunca descansou tanto quanto hoje, e ainda assim nunca sentiu tanto vazio como sente atualmente”, sugeriu Francisco.

A resposta para esse paradoxo está justamente no terceiro mandamento, disse ele.


Um motivo para o descanso

“O descanso em nome do Senhor tem um motivo preciso: ‘Porque em seis dias o Senhor fez o céu e a terra, o mar e tudo o que neles há, mas no sétimo dia descansou. Por isso o Senhor abençoou o dia de sábado e o santificou. […] Deus viu tudo o que havia feito, e tudo era muito bom.’”

Assim, o dia de descanso trata da alegria de Deus por aquilo que Ele criou. É o dia da contemplação e da bênção, afirmou o Papa.

O descanso, como Deus nos ordena, é “o momento da contemplação, é o momento do louvor — não da fuga. É o tempo para olhar a realidade e dizer: como a vida é bela!”

“Em contraste com o descanso como fuga da realidade, o Decálogo apresenta o descanso como a bênção da realidade.”

Por isso, para os cristãos, o centro do dia de descanso é a Eucaristia, que significa ação de graças:

“É o dia para dizer a Deus: obrigado, Senhor, pela vida, pela Tua misericórdia, por todos os Teus dons. O domingo não é o dia de apagar os outros dias, mas de recordá-los, abençoá-los e fazer as pazes com a vida.”

“O domingo é o dia de fazer as pazes com a vida, de dizer: a vida é preciosa. Não é fácil, às vezes é dolorosa, mas é preciosa”, continuou.


O bem não se impõe

O Papa convidou todos a se afastarem do foco constante na infelicidade, de “ficar sempre ressaltando motivos para o descontentamento”.

“O bem é amoroso e nunca se impõe. Ele precisa ser escolhido”, afirmou. E a paz também “não pode ser imposta e não é encontrada por acaso”.

“Para se afastar das amarguras do coração, o ser humano precisa fazer as pazes com aquilo de que foge. É necessário reconciliar-se com a própria história, com os fatos que não se aceita, com as partes difíceis da própria existência. […] Na verdade, a paz verdadeira não significa mudar a própria história, mas aceitá-la, aproveitá-la, exatamente como ela é.”

“Quando a vida se torna bela?”, perguntou Francisco. “Quando você começa a pensar bem dela, seja qual for a sua história. Quando o dom de uma dúvida faz caminho: de que tudo é graça, e esse pensamento santo derruba o muro interior da insatisfação, inaugurando o verdadeiro descanso.”

“A vida se torna bela quando o coração se abre à Providência e descobre que o que diz o Salmo é verdadeiro: ‘Só em Deus repousa a minha alma’ (Salmo 62, 2). É linda essa frase do Salmo: Só em Deus repousa a minha alma.”

Newsletter
Você gostou deste artigo? Você gostaria de ler mais artigos como este?

Receba a Aleteia em sua caixa de entrada. É grátis!

Aleteia vive graças às suas doações.

Ajude-nos a continuar nossa missão de compartilhar informações cristãs e belas histórias, apoiando-nos.