Na sacralidade dos grandes palcos do esporte, onde multidões aplaudem e o mundo celebra quem vence, há também espaço para silêncios profundos e lágrimas não vistas. Foi o que testemunhamos recentemente com o tenista alemão Alexander Zverev, que após sua eliminação em Wimbledon, revelou com desabafo comovente: “Não fico feliz nem mesmo quando ganho uma partida.”
Essas palavras não falam apenas de frustração momentânea, mas de algo muito mais profundo: um cansaço da alma, um esvaziamento de sentido. Ditas por alguém que ocupa os holofotes do mundo, elas revelam uma das verdades mais esquecidas do nosso tempo: o sucesso não é suficiente para sustentar o coração humano.
Zverev não está sozinho. Diversos atletas — como Simone Biles, Naomi Osaka, Michael Phelps — já vieram a público partilhar dores semelhantes: ansiedade, depressão, solidão, angústia. E o que todos esses testemunhos têm em comum é um grito que vem do íntimo: “Estou me perdendo de mim mesmo.”

O alto rendimento exige muito: disciplina, renúncias, dor física e emocional, cobranças incessantes. A identidade se dilui na performance. O afeto dá lugar à estratégia. A alegria cede espaço à obrigação. E o que deveria ser fonte de realização, torna-se muitas vezes uma prisão invisível. Quando tudo gira em torno da vitória, o coração se torna refém do resultado. E mesmo a vitória, uma vez alcançada, pode soar vazia — porque falta algo essencial: um para quê.
É nesse ponto que a vida interior se revela insubstituível. A psicoterapia é um caminho precioso, pois permite ao ser humano se escutar, se compreender, resgatar sua história e reconectar-se com sua essência. Mas há feridas que tocam regiões ainda mais profundas — onde nem a razão, nem a técnica, conseguem curar. São feridas espirituais, existenciais. Feridas que pedem oração, silêncio e reencontro com Deus.
Talvez Zverev, ao nomear sua tristeza, tenha iniciado um caminho. Porque há uma graça escondida no sofrimento: ele nos obriga a parar. Ele nos chama à verdade. E, às vezes, é nesse ponto de exaustão e vazio que o Espírito Santo começa a agir, se o coração se abre.
Nossos dons e talentos não existem para nos consumir, mas para nos aproximar do amor de Deus. Toda vocação, mesmo a esportiva, é uma ponte: para os outros, para si mesmo e, sobretudo, para Deus. Quando nos esquecemos disso, até os aplausos se tornam peso, e até a glória se torna poeira.
A fé não elimina o sofrimento, mas dá sentido a ele. Nos mostra que somos amados não pelo que fazemos, mas por quem somos. E que existe um lugar — secreto e silencioso — onde a alma pode descansar, mesmo quando tudo ao redor é ruído.
Zverev nos lembra que todos, mesmo os que parecem mais fortes, precisam ser cuidados. Que há uma solidão que só o amor cura. E que, por trás das vitórias humanas, há uma sede que só Deus sacia.

Que a fala de Zverev possa ecoar não apenas entre atletas, mas em todos os que, em algum momento, já se perguntaram: “Por que continuo, se nada disso me faz feliz?” A resposta talvez não venha pronta. Mas ela começa a se formar no instante em que deixamos de fugir — e passamos a buscar.
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