“Senhor, meu coração não é orgulhoso, nem se eleva arrogante o meu olhar; não ando à procura de grandezas nem tenho pretensões ambiciosas!
Fiz calar e sossegar a minha alma; ela está em grande paz dentro de mim, como a criança bem tranquila, amamentada no regaço acolhedor de sua mãe.
Confia no Senhor, ó Israel, desde agora e por toda a eternidade!”
Este salmo faz parte de uma série de 15 que são chamados de cantos da subida e vão do salmo 120 até o 135. A subida era para Jerusalém em peregrinação. Então, digamos assim, fazia parte de um livrinho de cânticos do romeiro.
Imaginemos, primeiramente, que no longo trajeto até Jerusalém, vendo já o templo à distância, os fiéis fizessem uma pausa na caminhada para recitar este salmo. A primeira palavra já define a quem se dirigem as palavras. Senhor abre o poema falando da identidade de Deus e também está presente na última frase, como se fosse uma moldura para o que é retratado.
Se o peregrino está na fase final de seu trajeto em direção a Jerusalém, os versos mostram que ele também realizou uma peregrinação interior. O salmista usa por três vezes uma negação para mostrar que está distante de condutas que não agradam a Deus. Diz que o coração não é orgulhoso, não tem olhar arrogante e não procura grandezas, inclusive que deixou pretensões ambiciosas, certamente para estar nesta peregrinação.
É curiosa a parte que fala da criança no colo da mãe. Para quem caminhou longos dias, chegar à Cidade Santa parece ser um lugar de aconchego. A imagem da criança alimentada perfaz a ideia de satisfação e paz. A criança que teve suas necessidades satisfeitas pode descansar na proteção da mãe. Assim, o peregrino sente que ao cumprir sua meta satisfez uma necessidade interior importante e, por isso, alcança a paz.
A criança amamentada representa a alma da pessoa que reza e tem suas necessidades básicas satisfeitas. Nesse sentido, este verso se conecta com o primeiro, no qual deixou por meio de um tríplice não os desejos e ambições, para se deixar satisfazer pelo que há de mais básico e interior.
As palavras finais do salmo são um convite à esperança que é dirigido para todos. As expectativas dos desejos e ambições nem sempre são satisfeitas, mas aquelas da alma Deus vai satisfazer, certamente, Esse é o testemunho e convite que o salmista peregrino dirige a todos.









