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Prato favorito do Papa Leão: cabrito chiclayano

Seco de Cabrito
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Daniel R. Esparza - publicado em 16/07/25
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O cabrito chiclayano exemplifica a gastronomia peruana em sua forma mais autêntica: ingredientes simples transformados por um preparo cuidadoso e pelo orgulho regional.

O Papa Leão XIV viveu quase quatro décadas no Peru antes de sua eleição para a Sé de Pedro em maio de 2025. Chegando em 1985 como missionário agostiniano, ensinou direito canônico, atendeu paróquias rurais remotas a cavalo e foi Bispo de Chiclayo de 2015 a 2023. Conhecido como defensor dos direitos humanos e voz dos pobres, manifestou-se durante a era Fujimori e apoiou refugiados da Venezuela. Sua década em Chiclayo fez com que os moradores o adotassem como um dos seus — hoje o chamam de “Papa de Chiclayo”.

Foi nos mercados movimentados e restaurantes simples de Chiclayo que Prevost descobriu um prato que se tornaria seu favorito: o cabrito chiclayano.

Como relata Stefano Pozzebon da CNN, o Papa continuou a saborear essa especialidade regional até pelo menos 2023 (que se tenha registro).

O que torna o cabrito chiclayano especial

O cabrito chiclayano é um ensopado farto de carne de cabrito, central na gastronomia da região de Lambayeque. A carne do cabrito jovem — mais macia e suave que a de animais adultos — é marinada com alho, cominho, pimenta amarela local e suco de limão. Cozinha lentamente com cebolas, coentro e um toque de chicha de jora (uma bebida fermentada de milho), até que a carne praticamente se desprenda do osso.

O prato é tradicionalmente servido com arroz branco, cancha (milho tostado) e, às vezes, mandioca ou banana-da-terra. O resultado é uma combinação de sabores salgados, ácidos e levemente adocicados, com um caldo rico que reflete raízes culinárias tanto indígenas quanto coloniais.

Gastronomia peruana: um padrão global

A cultura alimentar do Peru é um mosaico de história e inovação. A herança indígena se manifesta no milho, nas batatas e nas pimentas que remontam a milênios. A chegada dos espanhóis introduziu carnes e especiarias; ondas posteriores — de imigrantes africanos e asiáticos (notadamente japoneses e chineses) — enriqueceram ainda mais esse mosaico culinário.

Os chefs peruanos de hoje fundem essas tradições, dando origem a pratos renomados como ceviche, lomo saltado e ají de gallina.

Os restaurantes de Lima figuram regularmente entre os melhores do mundo, mas a excelência vai além da capital. No norte, os sabores ecoam os ecossistemas locais — frutos do mar da costa, tubérculos das montanhas e frutas da floresta — celebrando a identidade regional. Muitos argumentam que os melhores restaurantes do Peru não estão apenas em Lima, mas em lugares como Chiclayo, onde a autenticidade e o frescor se encontram com um patrimônio cultural vivo.

O cabrito chiclayano representa a gastronomia peruana em sua forma mais autêntica: ingredientes simples transformados com preparo cuidadoso e orgulho regional.

Não é alta gastronomia, mas sim a alma da culinária do dia a dia — exatamente o que atraía repetidamente o futuro papa. Seja em um restaurante familiar ou partilhado entre peregrinos que visitam as muitas igrejas barrocas do Peru, o cabrito chiclayano é um sabor de comunidade, fé e história.

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