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O que Toy Story nos ensina sobre vocação?

TOY STORY 3
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Dário Ramos - publicado em 23/07/25
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Cuidar de corações feridos. Esta foi a missão de Woody em todos os filmes de Toy Story. E o quarto filme inicia mostrando justamente a capacidade dele se sacrificar.

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Por causa de Andy, Woody deixa Beth, a pastorinha do abajur de Molly, ir para a doação sem ele. Os dois eram apaixonados, mas diante de sua responsabilidade ele prefere permanecer com os seus.

Além do sacrifício, outro aspecto presente na vida de Woody é justamente o amor desinteressado. Isso se manifesta de forma muito especial em Toy Story 4 na sua relação com Bonnie, sua nova criança. Ela o amava, no entanto já não o considerava uma novidade, e por isso não brincava mais com ele. 

Poderíamos pensar que Woody teria razões para agir com indiferença, mas não foi o que aconteceu. Sem pedir nada em troca, o xerife manifestava o seu amor na preocupação, no serviço, em gestos concretos.

O amor consiste em um compromisso de liberdade, vai nos ensinar Karol Wojtyla, na obra “Amor e Responsabilidade”. O que isso significa? Que o amor exige uma limitação da liberdade. Karol explica que o amor é dar-se, e dar-se é “limitar a própria liberdade para vantagem de outro”. 

Isto parece algo negativo, afinal, acabamos olhando demais para a renúncia. No entanto, quando voltamos o olhar para a beleza que esta verdade carrega tudo se torna mais leve: ao investir a minha liberdade por alguém, a minha vontade está agindo em direção ao amor, realização última de minha existência.  

No fundo, não queremos só ser livres. A liberdade existe para o amor, diz Wojtyla. Mais do que a liberdade, o nosso coração anseia pelo amor verdadeiro.

Aqueles que são solteiros podem se perceber livres, mas sozinhos. Isso pode ser motivo de uma certa dor interior, porém revela algo grandioso: a liberdade só é bem utilizada quando investida no bem, no amor. E alguém solteiro, mesmo se ainda não tem clareza da sua vocação, já pode se exercitar nisso. 

Por isso, o tempo da solteirice é um período para investir a liberdade no amor, como uma espécie de treinamento para que um dia se assuma a vocação que Deus prepara para cada um. 

Woody fez justamente esta experiência. ‘Solteiro’, com sua família – os brinquedos- não desperdiçou tempo e ali já começou a viver uma educação para o amor. Compreendeu que sua liberdade não fazia sentido se não fosse empregada para uma doação de si mesmo aos outros.

Estar solteiro não é motivo para estar estagnado. Se, ainda solteiro, já se busca a educação para o amor que dá sem reservas, a tomada de posse da vocação (seja ela o matrimônio ou o celibato) será muito mais tranquila. 

Não é porque se é solteiro que não se pode dar passos rumo à compreensão de que o amor é sacrifício e ocorre de forma desinteressada; de que a solidão não se encerra nessa terra, pois é para nós um chamado à eternidade; de que a liberdade existe para o amor, e por isso não faz sentido usá-la na tentativa de preencher vazios interiores. 

E, o principal: buscar o entendimento de que a correspondência ao chamado que Deus fizer, seja ele o matrimônio ou o celibato, depende do tempo presente, do hoje. O (a) esposo (a) de amanhã é o solteiro de hoje. O (a) celibatário(a) de amanhã é o solteiro de hoje. A escola do amor já começou, não se pode esperar chegar lá.

Woody só foi capaz de compreender que precisava deixar sua família e corresponder “à sua voz interior” – como diz Buzz Lightyear – porque, antes disso, foi capaz de amar, de dar a vida, de fazer renúncias por amor, de comprometer a sua liberdade, de agir de forma desinteressada, de sacrificar-se.

Não desperdice o seu tempo de solteiro: já é tempo de aprender a amar, de educar-se para o amor. 

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