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Sobrevivente de ataque em Gaza: ‘O amor é mais forte que a guerra’

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Gilberto Vanderlei - Daniel R. Esparza - publicado em 23/07/25
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Ele foi internado em um hospital em Ashdod, uma transferência rara, possível apenas pela gravidade de seus ferimentos e pela intervenção de líderes católicos.

Em um quarto de hospital em Ashdod, Israel, Suhail Abo Dawood, de 22 anos, sorri apesar da dor. Poucos dias atrás, ele foi atingido em um ataque israelense que acertou a paróquia da Sagrada Família em Gaza, onde ele e outros cristãos haviam buscado refúgio. Agora, recuperando-se de várias cirurgias após estilhaços atravessarem seu corpo, Suhail se agarra não à amargura, mas a algo mais radical: o amor.

“A paz vai voltar a Gaza”, disse ele ao L’Osservatore Romano, o jornal semi-oficial da Santa Sé, onde ele ocasionalmente contribui. “Porque o amor é mais forte que a guerra.”

As palavras de Suhail não são um otimismo ingênuo. Elas foram forjadas no sofrimento. Na manhã de quinta-feira, quando mísseis atingiram o complexo da única paróquia católica de Gaza, Suhail estava dentro. É um lugar que ele considera seu lar — onde a fé, a família e a comunidade o ajudam a entender um mundo que desmorona ao seu redor.

A violência destruiu esse frágil santuário. Mas, em meio aos escombros, Suhail sobreviveu. Ele foi retirado da Faixa de Gaza naquela mesma noite e levado a um hospital em Ashdod, em uma transferência rara, possível graças à intervenção de líderes católicos de ambos os lados da fronteira, segundo informou o Vatican News.

O padre Gabriel Romanelli, pároco da Sagrada Família, esteve em contato com a mãe de Suhail, Randa. “Rezamos para que ele sobrevivesse”, disse ela. “E ele sobreviveu. Deus o devolveu para nós”, relatou o Vatican News.

Embora ainda estivesse fraco, Suhail fez questão de receber o repórter do Vaticano que o visitou. “Sempre dissemos que nos encontraríamos em Roma ou em Gaza quando a paz chegasse”, brincou. “Nunca imaginei que seria aqui, em um quarto de hospital.”

Suhail é estudante de literatura, escritor talentoso e uma voz católica respeitada na Terra Santa. Seu artigo mais recente para o L’Osservatore Romano, escrito poucos dias antes do ataque, é sobre avós. Ele reflete sobre a vida dentro do complexo da paróquia — onde várias famílias vivem em comunidade há mais de 330 dias desde o início da guerra.

“Compartilhamos quase tudo”, escreveu ele, “inclusive a comida que a Igreja nos dá.” Ele destacou, em especial, o vínculo entre as crianças e os idosos.

“Três semanas atrás, uma avó chamada Magy morreu de uma doença repentina”, relatou. “Ela foi forte durante 10 meses de guerra. Sua morte nos surpreendeu e nos entristeceu.” Ele a recorda como uma mulher honesta, leal e profundamente devota — que nunca faltava à Missa e sempre segurava o terço nas mãos.

“Aqui vemos frequentemente crianças e idosos rezando juntos, brincando, sorrindo. Essas relações entre gerações continuam fortes — aqui em nossa paróquia e em todo o Oriente Médio.”

Esse senso de comunhão, mesmo em meio à crise, é o que anima a escrita de Suhail.

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