Na Cúpula da IA para o bem realizada em Genebra em julho de 2025, o Vaticano entregou uma mensagem em nome do Papa Leão XIV, enfatizando a necessidade urgente de governança ética e responsabilidade global no desenvolvimento da inteligência artificial.
A mensagem, assinada pelo Cardeal Secretário de Estado Pietro Parolin, foi dirigida aos participantes reunidos sob os auspícios da União Internacional de Telecomunicações (UIT) das Nações Unidas, para celebrar seu 160º aniversário.
Enquadrando a revolução digital como um momento decisivo para a humanidade, a declaração do Vaticano alertou contra uma abordagem puramente tecnocrática à IA, salientando que tais sistemas, embora capazes de feitos impressionantes, não pode substituir o raciocínio moral ou os relacionamentos humanos autênticos.
“A IA não consegue replicar o discernimento moral ou a capacidade de formar relacionamentos genuínos”, observou Parolin. Ele pediu maior atenção às questões antropológicas e éticas das tecnologias emergentes, especialmente em áreas como saúde, educação e governança.
O bem
O Papa Leão XIV, eleito no início de 2025 após a morte do Papa Francisco, já deixou claro que seu pontificado dará continuidade ao forte engajamento moral de seu antecessor com a ética digital.
A mensagem enviada à cúpula instou os promotores, reguladores e utilizadores a darem prioridade ao bem comum, à dignidade humana e à “tranquilidade da ordem” — uma frase retirada da Carta de Santo Agostinho. Cidade de Deus, evocando a paz por meio da justiça e de relacionamentos corretamente ordenados.
Com uma estimativa 2,6 mil milhões de pessoas em todo o mundo ainda não têm acesso a ferramentas de comunicação modernas, a mensagem do Vaticano também reconheceu a atual exclusão digital.
Destacou a responsabilidade da comunidade internacional de garantir que os avanços tecnológicos sejam inclusivos e equitativos, especialmente para comunidades rurais e carentes.
A mensagem também está alinhada com o ensinamento católico mais amplo sobre desenvolvimento humano integral— um princípio que defende que o progresso deve ser medido não apenas pelas conquistas econômicas ou técnicas, mas também a valorização da pessoa humana em todas as dimensões. Como afirma o Catecismo da Igreja Católica, “o homem é a única criatura na terra que Deus quis por si mesma” (CIC 1703).Qualquer inteligência artificial, não importa quão avançada, deve permanecer serva desta verdade fundamental.
Inovação + sabedoria
O Cardeal Parolin concluiu a mensagem expressando o apoio do Papa a uma abordagem globalmente coordenada para a supervisão da IA — uma abordagem que se baseie em padrões éticos compartilhados e respeito pelas liberdades humanas.
Ele também ofereceu as orações do Papa Leão XIV pelo sucesso da cúpula e por todos os esforços “em prol do bem comum”. A voz sóbria do Vaticano e a ênfase na governança centrada no ser humano sublinham a sua preocupação de que, sem uma direção ética clara, a IA corre o risco de reforçar a injustiça em vez de promover o florescimento humano. Ao oferecer sua voz a este fórum internacional de alto nível, a Santa Sé continua a defender um futuro digital moldado não apenas pela inovação, mas pela sabedoria.









