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Padre tira férias? 

Ataki na księży w Polsce
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Paulo Teixeira - publicado em 24/07/25
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Como funciona o repouso daqueles que "trabalham" justamente no domingo? No Brasil existem mais de 182 milhões de fiéis católicos. Mais de 30 mil padres animam as comunidades católicas e celebram os sacramentos.

Seja nas grandes cidades ou enfrentando as grandes distâncias das regiões interioranas, podemos dizer que “tem muito trabalho” para os padres no Brasil e eles precisam também de repouso. 

Apesar de figurar na lista do Ministério do Trabalho da Classificação Brasileira de Ocupações, padre não é uma profissão, mas uma vocação. Por isso, em geral as relações da atividade não são reguladas pelos contratos de trabalho comuns. Mas os padres têm compromissos comum com os trabalhadores como por exemplo a pontualidade, assiduidade, responsabilidades legais, entre outros. Os padres também não recebem salário, mas cada diocese organiza uma forma para remunerar os sacerdotes por meio do que é chamado côngrua. No fim do ano não tem décimo terceiro e não tem adicional de um terço de férias, aliás, nem tem férias.  

Repouso necessário

Explicando melhor e tirando uma lição para todos, as dioceses, de diferentes formas asseguram um período de repouso para padres. Em geral, quando as pessoas pensam em férias logo pensam em viagens ou em se desligar do trabalho para se dedicar a outras atividades. Os padres não se desligam das atividades da vocação, nem pensam em se dedicar a outras coisas. Mas precisam, sim, de um período de repouso para manter as energias para o “trabalho” intenso e importante que desenvolvem nas comunidades.  

Quem tem um padre na família sabe que ele pode dar uma mão para buscar os sobrinhos na escola ou cuidar dos pais idosos em um dia ou outro na semana, mas no almoço de domingo, raramente o familiar padre aparece; e quando consegue dá uma passadinha rápida. O domingo é o dia de mais atividades e encontros para os padres, justamente porque é o dia em que os fiéis mais podem ir à Igreja devido ao recesso semanal. Mas nos outros dias da semana as atividades dos padres também são intensas. Sem falar da atenção aos enfermos e orações nos funerais, que não têm dia certo da semana para acontecer.  

Dicas para as comunidades

As comunidades precisam apoiar seus padres em períodos de repouso. Saber que não são super-homens, mas são homens de Deus. Se cansam e têm fragilidades que precisam ser compreendidas e aceitas pela comunidade.  

A comunidade precisa ser sensibilizada sobre a questão do estresse sacerdotal, os líderes e agentes de pastoral precisam ter consciência e orientar os fiéis para evitar contextos de esgotamento. Em muitas regiões do Brasil, por exemplo, existem os mutirões de confissões na quaresma. Muitos padres ficam até tarde da noite ouvindo confissões dos fiéis. As comunidades precisam se organizar para que essa atividade exigente também do ponto de vista físico não seja um acréscimo à jornada do padre. Nos períodos mais intensos, por exemplo, a comunidade pode desmarcar reuniões e outros compromissos.  

Outro exemplo são as festas de padroeiros que contam com muitos dias de preparação, e os padres são os responsáveis e ficam atentos a tudo o que se passa. Talvez seja importante dividir as responsabilidades, apresentar gestos de confiança para que o sacerdote possa saber que tem com quem contar. 

Os padres são, em geral, pessoas muito discretas e sem muitos momentos de distensão. As comunidades litorâneas, por exemplo, podem receber padres das grandes cidades para que possam tomar um pouco de sol; os fieis podem convidar o pároco para assistir uma partida de futebol ou para uma pescaria. Tudo sem fiscalização, sem vigilância, sem constrangimentos.  

Planejar o trabalho e o repouso

O que creio ser o principal desse debate é o planejamento do repouso, e isso é uma lição para todos. O repouso está ligado às energias, tanto físicas como psíquicas. Para as famílias o repouso é importante também para a prática espiritual e a integração familiar. Para os padres também é importante o repouso, que é preenchido pela oração, pela relação com pessoas queridas e pelo estudo.

Quando a comunidade se reúne para fazer o planejamento anual, por exemplo, deve figurar no calendário também o repouso do padre. Se não estiver no calendário fica parecendo que não é importante ou que é algo secundário, se houver tempo. Os agentes de pastoral precisam perguntar ao padre quando estará de férias, quando vai viajar, qual o período em que não poderão contar com ele, quando vai descansar depois da Páscoa ou antes da festa do padroeiro.  

É importante que a Igreja reflita o rosto de Deus que ama seus filhos e tenha atitudes de humanidade para com todos, inclusive com os clérigos. A admiração pelos sacerdotes deve gerar respeito e o reconhecimento que precisam de um tempo para recompor as energias físicas e psíquicas.  

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