Foi difícil se orientarem em meio ao clima de animação e confusão festiva que reinava na Praça de São Pedro, mas um grande sorriso iluminava os rostos de Élisa e Jade, duas amigas de Bordeaux, ao saberem da chegada de Leão XIV. Na manhã do dia 29 de julho, o Papa Leão XIV as recebeu com um grupo de quase 600 pessoas, majoritariamente francófonas, no Palácio Apostólico. E depois da audiência, as duas jovens ainda mal podiam acreditar. “Foi como se estivéssemos dentro da tela”, conta Élisa, que até então via Leão XIV como uma figura “inacessível”, alguém que só se via pela televisão.
Élisa é catecúmena e será batizada na Páscoa de 2026, enquanto Jade foi batizada na Vigília Pascal deste ano. Assim como todos os presentes na audiência, elas foram escolhidas por sua recente decisão de se unirem à Igreja — um fenômeno que tem crescido na França nos últimos anos.
“O fato de termos acesso ao Papa por sermos catecúmenos ou neófitos me parece realmente maravilhoso”, enfatiza Élisa. Sua amiga Jade descreve esse encontro como uma “grande graça”, afirmando ter se sentido acolhida. “Esse encontro nos ajuda a encontrar nosso lugar na Igreja, o que nem sempre é fácil quando se vem de uma família não católica”, diz. “De certo modo, conhecemos o chefe da família católica”, confessa Élisa.
A catecúmena diz que o discurso do Papa, pronunciado em francês, a tocou profundamente e lhe pareceu muito acessível. “Ele se colocou no nosso lugar, destacando como nosso caminho pode ser difícil”, comenta. “O Papa parece realmente amável e gentil”, diz a jovem de Bordeaux, ainda sem acreditar que conseguiu saudá-lo.
“Depois chegou o Papa”
“Este é meu primeiro Jubileu, estou apenas me deixando levar, mas acho que foi o momento mais importante da semana”, diz Étienne, de 19 anos, morador de Rennes. O jovem, catecúmeno desde dezembro passado, se desculpa por ainda não conhecer todo o vocabulário da Igreja, mas descreve com naturalidade sua visita ao Palácio Apostólico, para onde foi ao amanhecer com o restante do grupo. A Guarda Suíça, com seus uniformes amarelos, azuis e vermelhos, os salões dourados e imponentes do Vaticano — tudo isso o impressionou profundamente.

“Às vezes, quando você entra na Igreja, dá um certo medo de estar sozinho, mas com esse tipo de visita, você entende que somos realmente uma grande família.”
“Depois chegou o Papa, todo de branco”, relata, destacando a emoção do momento. Embora tenha notado o “forte sotaque americano” do Papa em seu discurso, Étienne acredita que ele demonstrou bom domínio da língua francesa. Da breve intervenção, o que mais marcou o jovem foi a mensagem sobre a “perda de sentido” da sexualidade na sociedade atual.
“Isso nos dá força para ir anunciar o Evangelho”
Aurélien, de 23 anos, Axelle, de 19, e Karl, de 20, fazem parte de um pequeno grupo da diocese de Soissons que pôde conhecer o Papa nesta manhã. Acompanhados por seu bispo, Dom Renauld de Dinechin, eles recordam a manhã inesquecível: os cantos na Sala das Bênçãos, onde foram acolhidos, a troca de testemunhos entre neófitos e catecúmenos, e finalmente a chegada do Papa.
“Eu tive a sorte de ele autografar meu Magnificat”, conta Aurélien, mostrando seu pequeno livreto assinado “Leão XIV”. Axelle, que também recebeu uma dedicatória papal, destaca a atenção do Papa, que fez questão de cumprimentar a maioria dos jovens. “E é muito bom que ele tenha falado conosco em francês, mesmo que às vezes fosse difícil entender”, acrescenta Karl, que apreciou especialmente o conteúdo catequético. “Ele nos alertou sobre os perigos da vida moderna”, destaca, referindo-se à menção do Papa a uma “cultura da morte”.

“Às vezes temos medo de estarmos sozinhos quando entramos para a Igreja, mas com esse tipo de visita, entendemos realmente que somos uma grande família”, afirma Axelle. E acrescenta: “Não estamos sozinhos, o Papa nos enxerga mesmo do nosso pequeno lugar”.
“E isso nos dá força para ir anunciar o Evangelho”, conclui Aurélien, com convicção.









