No verão de Roma, a grife Dolce & Gabbana apresentou dois desfiles ao ar livre. No dia 14 de julho as mulheres desfilaram nos Fóruns Imperiais, que são as ruinas da Antiga Roma, apresentando a coleção de roupas e joias. Já o outro desfile, próximo ao Vaticano, seguiu a um estilo de liturgia.
No dia seguinte, sob as estátuas de anjos de Bernini a ponte Sant’Angelo foi palco para o desfile de alta costura assinado por Domenico Dolce e Stefano Gabbana. Os modelos apresentaram trajes inspirados na alfaiataria eclesiástica. As roupas apresentavam, sobretudo, características barrocas que lembram os paramentos litúrgicos. Havia também trajes clássicos e esculturas em tecido recordando São Pedro e São Paulo.
Liturgia de entrada
A abertura do desfile contou um cortejo com incenso e acólitos, ao estilo católico; e um grupo de modelos vestindo púrpura representou os cardeais que neste ano tiveram tanto destaque.
Segundo o comunicado divulgado à Imprensa, a grife justificou a inspiração na vestimenta eclesiástica porque “a Igreja com seu esplendor e austeridade desenvolveu ao longo de milênios uma estética altamente refinada na qual os paramentos litúrgicos desempenham um papel central”.
Pontos de vista
Houve críticas de todos os lados. Diversas pessoas gostaram das referências eclesiásticas outras se sentiram incomodadas. Alguns fatos são inequívocos: primeiramente a alfaiataria eclesiástica não é somente de inspiração barroca. São diversos modelos e fontes de inspiração que tem origem em todos os cantos do mundo. Destaco aqui um paramento do Papa Francisco que, inspirado na Amazonia, trazia detalhes em verde escuro e verde claro, representando as folhas crescidas e os brotos da floresta, como os filhos crescidos da Igreja e os novos na fé. Não tem referências barrocas, tem referências da natureza, e um profundo significado de fé.
Outro fato inquestionável é que as celebrações católicas prezam pela beleza. O cortejo reproduzido no desfile se repete em grandes catedrais e pequenas comunidades em que a harmonia dos gestos, sons, aromas e cores mostram a reverência ao sagrado e o zelo humano.
Segundo o artista Filippo Sorcinelli, fundador do LAVS (Laboratorio Atelier Vesti Sacre) a coleção Dolce&Gabbana não mostra a emoção que está ligada à alfaitaraia eclesiástica.
Segundo o artista, “a liturgia está longe de exibir figurinos. Este desfile demonstra, pelo menos para mim, quão tênue é a linha para quem produz roupas e paramentos sacros”.
Ele explica que existe “algo a mais” nos paramentos litúrgicos. Eles rementem a uma realidade maior do que aquela que representam. "Moda sem transcendência, sem busca pelo mistério, sem busca e sede de Deus, é moda, mesmo quando rouba e imita — e sempre o fez — os estilos e gramáticas da arte sacra”, diz Sorcinelli.
Multa por descumprimento de normas
A Dolce & Gabbana SPA, anos atrás foi multada por não cumprir normas de segurança e higiene em suas instalações, além de impor jornadas de trabalho excessivas a seus funcionários. A fiscalização, realizada por autoridades trabalhistas italianas, identificou irregularidades significativas relacionadas à falta de medidas adequadas para garantir um ambiente seguro e saudável para os colaboradores.
Os inspetores apontaram a inadequação nas condições de trabalho, incluindo a falta de equipamentos de proteção e a ausência de protocolos de segurança essenciais. Além disso, muitas horas extras estavam sendo exigidas, sem o devido pagamento ou compensação. Essas práticas contrariam a legislação trabalhista italiana, que busca proteger os direitos dos trabalhadores e garantir condições dignas









