Em 1920, em Glasgow, na Escócia, um grupo de leigos iniciou um serviço de atenção religiosa para os trabalhadores do oceano. O Papa Pio XI, em 1922, chamou de Apostolado do Mar. Em 1997 o Papa João Paulo II instituiu o regulamento desse precioso serviço pastoral com a Carta Apostólica Stella Maris. Esse simpático título que quer dizer estrela do mar refere-se à Virgem Maria que, tal qual a estrela do mar, a estrela polar no hemisfério norte, guia os fiéis para Jesus.
Com o nome de Stella Maris, a obra está presente nos cinco continentes. São mais de 300 portos atendidos em 41 países, e conta com mais de mil sacerdotes que são “padres marítimos”, que atuam acompanhando embarcações ou recebendo trabalhadores náuticos nas cidades portuárias.
Os centros Stella Maris oferecem serviços básicos e importantes como telefone e internet para os marítimos, e também cursos e assistência aos familiares. De forma discreta, também combatem o tráfico de pessoas e ajudam sequestrados fugitivos.
No oceano e no Brasil
No Brasil a primeira casa de acolhimento Stella Maris surgiu em Santos, em 1970. Depois Rio de Janeiro e Porto Alegre também tiveram seus centros erguidos. Em Santos existe a Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes, que é também a base da Paróquia pessoal Stella Maris. Conduz essa paróquia que atende aos marítimos e pescadores o missionário scalabriniano Padre Frandry Tamar. Ele é natural do Haiti e chegou ao Brasil depois de anos de missão em Montevidéu, Uruguai, onde atuou como diretor do Centro Stella Maris. Missas em inglês, acolhida dos trabalhadores para repouso ou serviços básicos, e visitas aos navios fazem parte do cotidiano do religioso e dos agentes de pastoral envolvidos.
Profetas da paz
Todos os anos a Igreja Católica celebra no segundo domingo de julho o Domingo do Mar, ocasião em que se volta com especial atenção à vida dos marítimos e de suas famílias. Por ocasião do Domingo do Mar deste ano, o Prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, Cardeal Michael Czerny, SJ dirigiu uma mensagem aos capelãos, voluntários e comunidades que atuam na pastoral do mar, encorajando-os a serem verdadeiros “profetas da paz”. Ele também exortou as comunidades eclesiais a intensificarem a atenção ao mar como espaço físico e espiritual que interpela à conversão e ao cuidado da criação.
O Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral pede às comunidades, “em particular às Dioceses com territórios marítimos, fluviais ou lacustres”, para “intensificarem a atenção ao mar como ambiente físico e espiritual que apela à conversão”.









