Quantas vezes já nos pegamos presos em perguntas sem resposta? “Por quê isso aconteceu comigo?”,“O que eu poderia ter feito diferente?”, “E se…?”CAMPANHA DE NATAL 2025
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O nosso coração fica preso ao passado tentando entender, explicar, justificar.
Mas existem momentos na vida em que as respostas simplesmente não vêm. E é justamente aí que precisamos decidir caminhar, mesmo sem entender tudo.
Como psicóloga, trabalho essa realidade no processo psicoterapêutico com frequência. Muitas pessoas paralisam sua vida tentando encontrar explicações exatas para as dores que viveram. Mas o caminho da saúde emocional e espiritual não está em compreender tudo — e sim em aceitar o que não pode mais ser mudado, e ainda assim, se abrir para o novo com esperança.
Carregar culpa, reviver erros, alimentar cenários que não aconteceram: tudo isso esgota a alma. O passado é importante — ele nos forma, nos ensina, nos dá raízes. Mas não é lugar de morada. Não fomos feitos para viver olhando para trás.
Quantas vezes a culpa se torna um cárcere? Quantas vezes nos sabotamos achando que, por termos errado, não merecemos recomeçar?
No processo terapêutico, aprendemos que seguir em frente é uma decisão ativa.
Não acontece quando “tudo se resolve”, mas quando escolhemos não deixar que aquilo que passou defina aquilo que podemos viver daqui para frente.
A fé não exige garantias. A fé é justamente caminhar mesmo quando tudo está escuro, confiando que Deus guia os passos, mesmo sem mostrar o caminho inteiro: “Te basta a minha graça.” (2 Cor 12,9)
Essa é a promessa: a graça sustenta, mesmo quando a lógica falha. Mesmo quando não compreendemos o que aconteceu, mesmo quando as respostas não vieram. A graça é suficiente para fazer com que você volte a caminhar, mesmo em terras secas.
Recomeçar dói. Dizer adeus ao que não foi como esperávamos exige luto. Mas também exige fé. Fé de que há mais, de que ainda existem outros caminhos, de que o que passou não define quem somos. Recomeçar é escolher plantar no hoje, mesmo que o coração ainda esteja ferido pelo ontem. É permitir que Deus reconstrua algo novo a partir dos estilhaços do que quebrou.
Na psicoterapia, encorajo cada paciente a dar esse passo de fé: seguir em frente mesmo com cicatrizes, mesmo sem todas as peças do quebra-cabeça emocional no lugar. Porque viver é isso: uma escolha corajosa de continuar caminhando mesmo sem entender coisas que julgávamos importantes serem entendidas para seguir em frente.
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