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As maravilhas surpreendentes de uma prateleira torta para uma família

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Cerith Gardiner - Paulo Teixeira - publicado em 10/08/25
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Em um mundo que muitas vezes busca a perfeição, veja como um pouco de "faça você mesmo" pode colocar tudo em perspectiva

Ao olhar para as duas prateleiras de quadros acima da minha mesa de jantar, não consigo deixar de sorrir e agradecer a Deus pela minha família. Elas estão tortas e eu nunca vou conseguir endireitá-las. Não é que eu não consiga — embora eu tenha minhas dúvidas —, mas porque estar longe de ser reto significa muito mais.

Tudo começou quando meus pais vieram me visitar, e meu pai, octogenário, quis fazer o que sabe fazer de melhor: cuidar de mim. Um gênio do faça-você-mesmo, ele dedicou a vida a consertar tudo, incluindo corações partidos, por todos os seus oito filhos.

Seu molho de chaves é prova disso. Aliás, elas não cabem no bolso dele, pois contêm a chave de todas as casas dos seus filhos.

Ao longo das décadas, ele entrou e saiu de nossas casas agitadas para dar uma mão quando aquecedores precisavam ser trocados, cozinhas precisavam ser instaladas ou apenas para trocar uma tomada elétrica — eu digo "apenas", mas eu não conseguiria fazer isso mesmo se o tivesse observado cem vezes.

Mas agora, aos tenros 83 anos, ele não consegue mais se dedicar a grandes projetos de reforma. Agachar-se para passar fios pelas paredes é uma tarefa difícil demais. E eu consigo entender a frustração dele. Ele precisa ser necessário. E é aqui que minhas prateleiras entram em ação.

Quando meus pais vieram me visitar em Paris (eles moram na Inglaterra), tentei preparar algumas tarefas para ele fazer. Tarefas que eu sabia que não seriam muito desgastantes fisicamente. Mas tarefas que eu sabia que ele consideraria valiosas. De trocar maçanetas a mexer em torneiras, eu tinha algumas coisas essenciais prontas. No entanto, minha mãe também tinha planos.

Um homem em uma missão pela família

Ela sabia que eu queria colocar algumas prateleiras para apoiar quadros e porta-retratos. E, assim como meu pai, minha mãe é uma mulher determinada!

Enquanto eu estava no trabalho, a dupla foi a uma loja local — um feito impressionante para quem está na casa dos 80 anos. Minha mãe, triunfante, chegou em casa com duas prateleiras e os inevitáveis sacos plásticos para freezer e guardanapos de papel. Ela sabia onde eu precisava deles. Papai recebeu instruções e, quando cheguei em casa, eles já estavam no lugar.

Olhei para eles, encantada e emocionada por terem passado o dia inteiro naquele projeto tão urgente. Minha mãe discretamente comentou que eles não estavam perfeitamente alinhados. Eu já tinha visto isso, mas não me importei nem um pouco. Na verdade, eu valorizo o pequeno erro de alinhamento. Pois cada vez que eu olhava para eles, via que meu pai idoso havia se esforçado por mim. Ele queria que tudo na minha vida fosse perfeito. E assim, de repente, essas duas prateleiras... são perfeitas.

Meses depois de terem sido colocadas, ainda as olho. Sorrio. De vez em quando, sinto vontade de endireitá-las, mas aí me lembro que, por muitos anos, muito depois da morte do meu pai, sempre olharei para estas prateleiras e me sentirei incrivelmente amada. Para mim, amor não é perfeição. É o pensamento presente em cada pequena coisa que fazemos por alguém, sem esperar nada em troca.

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