CAMPANHA DE NATAL 2025
Para que a Aleteia continue sua missão de evangelização, faça uma doação.
Assim, o futuro da Aleteia também se tornará o seu.
Na República Democrática do Congo existem mais de 1500 paróquias em que se reúnem aproximadamente 40% da população do país da África central. A comunidade de 35 milhões está de luto pelos seus 38 mártires na Paróquia de Komanda.
No dia 25 de julho os jovens da Cruzada Eucarística organizaram todo o espaço para celebração do jubileu no dia seguinte. Foi organizada a alimentação, a decoração e a festa para receber também membros da Ação Católica que celebrou 25 anos de presença na Diocese de Bunia.
O sábado foi de festa e comemoração. A Missa foi conduzida pelo Padre Dieudonné Liringa e contou com os cantos e danças da comunidade. Um momento de alegria que em nada poderia preanunciar a tragédia que estava para ocorrer. A manifestação pacífica, puramente espiritual e de confraternização não deveria chamar a atenção dos inimigos, mas parece que causou descontentamento dos operadores da maldade.
Na República Democrática do Congo, que até 1997 era chamado de Zaire, existem diversos grupos paramilitares. Um deles chamado de ADF, sigla em francês para Forças Armadas Aliadas, promove a violência desde 1995 a partir da vizinha Uganda. Em março de 2023 ações militares do governo da República Democrática do Congo enfraqueceram o grupo, eliminando seus líderes e destruindo suas bases. Isso causou uma fuga do grupo para o interior do país e para a fronteira com Uganda, mas tornou mais fortes os ataques contra civis inocentes. Teve destaque nos noticiários internacionais os mais de 3 mil mortos pelo grupo de matriz islâmica em Goma, na fronteira com Ruanda. Esse grupo foi indicado pelas autoridades como autor do massacre.
Na comunidade de Komanda, após a festa jubilar, diversas pessoas foram para suas casas, outras aguardaram o domingo para viajar e pousaram no salão paroquial. Famílias dormiam tranquilamente após os festejos, nas dependências da paróquia que era como a segunda casa deles, quando, pela madrugada, iniciam disparos e comércios são incendiados. Não se podia entrar ou sair da cidade, o desespero tomava conta das pessoas enquanto paramilitares passavam pelas ruas destruindo o que encontravam. Depois da passagem dos terroristas, com o dia clareando, Padre Dieudonné foi até o salão paroquial e encontrou o cenário da tragédia. Os fiéis foram mortos por disparo e golpes de faca. O socorro chegou e aqueles que ainda estavam vivos puderam ser encaminhados a hospitais da região. Mas 38 pessoas tiveram suas vidas tiradas.
Padre Dioudonné contou ao Vatican News que famílias inteiras foram martirizadas, pais com bebês de colo. Estavam dormindo e não tiveram tempo de fugir nem de reagir. O padre conta que a comunidade realizou uma ação conjunta para procurar crianças nos bosques da região. Algumas conseguiram escapar dos agressores e se refugiaram no mato. O sacerdote conta que um menino conseguiu fugir depois que viu os pais serem mortos e ficou dois dias escondido, com medo e desorientado.
32 dos mártires jubilares foram sepultados no cemitério paroquial. Outros foram levados por suas famílias para suas respectivas cidades. O Papa Leão XIV enviou um telegrama ao arcebispo Fulgence Muteba Mugalu, presidente da Conferência Episcopal da República Democrática do Congo no qual afirma que "sangue desses mártires seja uma semente de paz, reconciliação, fraternidade e amor para todo o povo congolês".









