separateurCreated with Sketch.

Marian Kołodziej a história do homen que sobreviveu ao primeiro comboio de Auschwitz

AUSCHWITZ-DEPORTATION-SECONDE-GUERRE-MONDIALE-shutterstock

Auschwitz.

whatsappfacebooktwitter-xemailnative
Paulo Teixeira - publicado em 13/08/25
whatsappfacebooktwitter-xemailnative
No dia 14 de junho de 2025 foi recordada na Polônia a data do primeiro comboio que chegou ao Campo de Concentração de Auschwitz

Quaresma 2026

Para que a Aleteia continue sua missão de evangelização, faça uma doação.
Assim, o futuro da Aleteia também se tornará o seu.

Apoie a Aleteia

Foram 728 militares poloneses que combateram contra a invasão nazista iniciada em setembro de 1939.  As homenagens tiveram início com a missa em sufrágio pelos prisioneiros mortos na Igreja do Centro São Maximiliano Kolbe, dirigido pelos Frades Franciscanos, em Harmeze, localidade vizinha ao campo. Após a missa, as autoridades, convidados e dez sobreviventes do campo, visitaram a mostra “fotografias da memória. Labirintos”, de Marian Kołodziej. Depois disso, se dirigiram ao campo para ofertas florais e cantos. 

Um artista silencioso

Quando eu era jovem conheci Marian Kołodziej que já era bem idoso e convivia com as sequelas de um derrame. Fiquei muito impressionado ao saber que era um sobrevivente do primeiro comboio que chegou ao campo de concentração. Ele recebeu o número 432 ao ser preso e passou cinco anos sobrevivendo no campo.  

Ele contou que tinha conseguido fugir dos alemães, mas havia quebrado a perna. Embarcou em um trem para fora da Polônia, mas foi fácil para os invasores localizarem o fugitivo pela característica da perna quebrada. No campo utilizou de diversos artifícios e habilidades para sobreviver. Uma coisa que surgiu dentro de si foi de preparar o cenário para as pequenas peças de teatro que aos domingos eram permitidas aos prisioneiros encenar.  

Eram pequenas obras, com amadorismo dos atores e com a precariedade do cenário feito com cobertas e lençóis desbotados. Mas era um momento importante porque eram as poucas horas em que podiam se ver sem a opressão, sem o trabalho forçado e sem o medo.  

Libertado em 1945, Marian passou a vida sem tocar no doloroso assunto da sua prisão. Sobretudo, porque era amargo para ele estar entre os poucos sobreviventes, pensando em quão numerosos foram os que morreram. O campo não era assunto, mas algo que surgiu no campo floresceu em sua vida. Do cenário das pequenas encenações, Marian estudou e se tornou cenógrafo. Elaborou mais de 200 cenários para uma companhia de teatro de Gansk. Atuou também com cenários para o cinema e para grupos famosos de teatro. Foi o responsável pela decoração de dois altares em que o Papa João Paulo II celebrou Missa na Polônia. 

Já aposentado e reconhecido como brilhante artista, Marian sofreu um avc e teve parte dos movimentos comprometidos. Ele me contou que mal conseguia manusear uma moeda e o médico disse que ele deveria exercitar os movimentos fazendo algo e sugeriu desenhar. Com lápis preto em papel Marian começou a colocar para fora o assunto que não tinha abordado em sua vida. Começou a desenhar sua visão do campo de concentração. Em traços minuciosos o lápis preto deu forma a olhares e gestos profundos que compuseram a mostra “fotografias da memória. Labirintos”.

Marcas da vida

Os prisioneiros que chegaram em junho de 1940 foram os primeiros de mais de um milhão que foram mortos no complexo de Auschwitz-Birkenau. A vida de Marian Kołodziej foi um milagre e a sua recordação por meio da arte deve iluminar as consciências sobre essas páginas tristes da história da humanidade.  

Com 88 anos, em 2009, Marian Kołodziej morreu e sua memória permanece na sua obra artística e nos “labirintos da memória”. Suas cinzas repousam na igreja dedicada a Nossa Senhora sobre a qual está sua exposição de desenhos sobre o campo de concentração.

Newsletter
Você gostou deste artigo? Você gostaria de ler mais artigos como este?

Receba a Aleteia em sua caixa de entrada. É grátis!