Eu também estive lá” — é assim que Yesica González começa seu testemunho. Um relato que nasce da dor mais profunda — a do aborto —, mas que floresce em esperança, misericórdia e missão. De Nicarágua a Medjugorje, Yesica percorreu um caminho de transformação radical que hoje a torna instrumento de cura para muitas outras mulheres feridas pelo aborto. Sua história não só comove, como confirma uma verdade eterna: em Deus, a dor mais escondida pode se tornar semente de vida nova.
“Jesus me perdoou, mas eu não me perdoei”
Yesica tinha apenas 16 anos quando se deparou com um teste de gravidez positivo. O namorado reagiu com medo:
“Eu te amo, mas não podemos ser pais.”
Menos de uma semana depois, ela estava sedada em uma clínica na Nicarágua, país onde o aborto é ilegal em todas as formas. Nunca viu nada. Não sentiu dor. Apenas acordou com um vazio impossível de nomear.
“Procurei provas físicas de que algo havia acontecido. Mas estava tudo limpo, como se nada tivesse ocorrido. E, no entanto, minha alma gritava o contrário”, conta.
Após confessar o aborto, recebeu a absolvição de um sacerdote franciscano graças a uma dispensa especial de São João Paulo II. Mas a paz não veio.
“Jesus me perdoou, mas eu não me perdoei”, explica a jovem nicaraguense.
Quatro anos depois, já em outro relacionamento e com proposta de casamento, engravidou novamente. Desta vez, ouviu:
“Eu sei que não fizemos as coisas corretamente, mas, apesar disso, estou feliz. Vou ser pai.”
Essas palavras lhe deram segurança para viver o momento. Porém, a dor voltou cedo. Aos sete meses de gestação, sua bebê, Alicia Marcela, morreu no ventre. O impacto foi devastador.
“Pensei: isto é um castigo. Não mereço ser mãe. Deus está me cobrando por ter negado a vida ao meu primeiro bebê. Eu mereço sofrer.”
Naquela noite, no hospital, rodeada de mães que puderam ter seus filhos vivos, Yesica viveu “a sexta-feira mais dolorosa” de sua vida.
A mudança começa
Em 2012, após anos de tristeza e silêncio, sem contar a ninguém sobre o aborto, sua vida começou a mudar graças a um retiro de castidade da missão Corazón Puro. Pela primeira vez, ouviu falar do verdadeiro sentido do amor, da virtude da castidade, do significado da feminilidade e masculinidade, do Sacramento do Matrimônio e do perdão verdadeiro.
“Ali soube que queria mudar, porque eu buscava algo, mas, na verdade, era alguém que eu precisava: Deus. Contei novamente minha história, meu pecado do aborto, e algo em mim começou a sarar.”
A verdadeira cura

A cura profunda chegou apenas em 2016, quando aceitou o convite do Padre Agustín María Conner para participar do Viñedo de Raquel, o maior retiro de cura pós-aborto do mundo.
“Fui com medo, vergonha e dúvidas… mas dei o salto de fé. No retiro, vivi uma experiência mística: Jesus me mostrou meus filhos no Céu. Eles correram até mim e eu os abracei. Meu filho Gabriel me disse: ‘Mamãe, não fique triste. Minha irmãzinha e eu te amamos e vamos te esperar.’”
Yesica então perguntou:
“Mas se este é o céu, onde está a Virgem Maria?”
“A vi, ao longe, no alto de uma colina, vestida de branco, com um bebê nos braços e crianças ao redor. E, naquele instante, entendi: claro! Meus filhos têm a melhor e mais bela mãe — a Virgem Maria. Ela cuida dos meus filhos no Céu.”
Missão pró-vida
Desde então, Yesica se dedica à missão pró-vida, compartilhando seu testemunho em escolas, retiros e comunidades, e colaborando com o Viñedo de Raquel na Nicarágua. Com apoio do Padre Agustín, da comunidade Oasis de la Paz e da organização Peregrinando con María, realizou um grande sonho:
Em 2023, aconteceu o primeiro retiro do Viñedo de Raquel em Medjugorje. Na terra de Maria, Yesica hoje ajuda homens e mulheres a se reconciliarem com seus filhos no Céu, a experimentarem a misericórdia de Jesus e a abrirem-se à ternura infinita da Rainha da Paz.
“Sim, há cura. Sim, há perdão. Sim, há um Céu nos esperando. E minha Mãe te espera em Medjugorje”, afirma Yesica.









