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“Brincando com fogo”, o reality Netflix e o tema da castidade

Sexualidade
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Dário Ramos - publicado em 15/08/25
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Vamos entrar em profundidade no tema da castidade, da religião, do amor de Deus, do relacionamento e das emoções que vivemos

A Netflix lançou em abril de 2020 um reality show, produzido pela britânica Fremantle Talkback, chamado Too Hot too Handle. O título no Brasil foi dado como “Brincando com o fogo”. Resumidamente, alguns jovens (homens e mulheres), considerados bonitos, são confinados em um resort localizado em uma ilha paradisíaca. O grande desafio que eles precisam enfrentar é se abster de qualquer relação sexual. Os que conseguirem ganham cem mil dólares.

Antes de continuar o texto quero deixar claro que não estou recomendando o reality, até porque não o assisti. O que vai basear esta partilha é justamente a ideia do programa de colocar homens e mulheres com uma vida sexual ativa no mesmo local, e pedir para que eles se abstenham daquilo que mais dependem: o sexo.

É fácil observar que todos eles viviam em uma realidade hedonista, ou seja, de uma busca desenfreada pelo prazer. Viver sem sexo, nesse caso, parece algo impossível. Mas, por que? E aqui chegamos ao ponto daquilo que quero partilhar.

“A castidade comporta um aprendizado do domínio de si que é uma pedagogia da liberdade humana. A alternativa é clara: ou o homem comanda suas paixões e obtém a paz, ou se deixa subjugar por elas e se torna infeliz”. Catecismo da Igreja Católica 2339.

Talvez, muitos ali até viveriam dias sem sexo, mas sairiam de lá sem ter aprendido a amar. A escola do amor é a castidade, que não se reduz à abstinência sexual.

Como toda virtude, a castidade implica em um exercício. Para vivê-la é necessário exercitar-se. E, como diz o catecismo, está longe de ser algo que aprisiona. Pelo contrário, é uma experiência que nos liberta para o amor maduro e verdadeiro, capaz de olhar o outro como dom e não como objeto a ser utilizado.

Nós podemos até viver sem sexo, mas também não conseguiremos amar sem o exercício da castidade. Se nós nos propormos esta vivência só como uma simples abstinência sexual, terminaremos infelizes e acusando a Igreja de “aprisionar nossos corpos”.

A primeira atitude a ser tomada, portanto, é a espiritualidade. Ninguém vive a castidade sem a oração. Não aquela na qual pedimos para que Deus destrua os nossos desejos (e como pedir isso se foi Ele mesmo quem nos deu?). Mas a oração que permite que Deus adentre no mais profundo de nós e nos faça redescobrir nosso Eros como um impulso ao Infinito (TdC 18,1). Ninguém pode sem a Graça.

Depois, a necessidade de ascese. Gosto de um exemplo narrado por um autor: um grande pianista precisou de anos de disciplina, treino e esforço para tocar a Terceira Sinfonia de Beethoven. Nós precisamos de disciplina, treino e esforço para conseguir tocar a ‘sinfonia do amor’. Isso exige o exercício do autocontrole. Uma prática simples, mas que será decisiva nessa hora: o jejum. Como dizer não à luxúria se não conseguimos recusar um pedaço de chocolate ou um copo de Coca-Cola?

A castidade não é a repreensão dos desejos. Claro que os primeiros passos implicam sim “a resistência aos impulsos da luxúria” (o famoso desviar o olhar). Mas, ao decorrer do tempo – afinal, estamos no lindo processo de aprender a amar como Cristo Amou – até aquilo que é erótico se tornará, aos nossos olhos, verdadeiro, bom e belo.

O convite feito aos participantes do reality foi simplesmente o de reprimir os seus desejos por alguma quantia em dinheiro. Já nós, somos chamados a redescobrir os nossos tendo em vista a saciedade eterna que nos espera no Céu. 

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