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Clemente de León é, entre outras coisas, profissional de cibersegurança. Nasceu no centro do Panamá, em um povoado chamado Pocrí Aguadulce, mas atualmente vive na cidade da Guatemala com a esposa e dois filhos. Estudou Psicologia Educacional, Psicologia Clínica, Ciências Religiosas e, mais recentemente, Engenharia em Cibersegurança.
Ele dirige uma empresa que capacita e oferece consultoria à sociedade para combater a pornografia nas redes sociais e nos meios digitais.
Jovens católicos e o perigo das redes sociais

Embora as redes sociais possam ser uma ferramenta fabulosa, em matéria de segurança “os católicos estamos na nebulosa, praticamente fora do sistema solar”, alerta o especialista.
De repente, com a entrada em peso de TikTok, Facebook, Instagram, WhatsApp e outras plataformas, os jovens começaram a enfrentar um problema desconhecido para os pais.
“Os pais começavam a ligar e nos contar: ‘Clemente, minha filha é destaque na escola, e na paróquia dá palestras na Semana Santa; mas entrou no banheiro, pegou o celular e se gravou nua’. Recebíamos uma ligação atrás da outra”, relata.
O especialista comenta que pouco importa se o jovem está em um colégio católico ou em grupos paroquiais e conta um caso alarmante:
“Tivemos uma escola onde 140 crianças, ao mesmo tempo e na mesma hora, se gravaram nuas e enviaram os vídeos para as redes sociais.”
O mal entrando em ambientes católicos
A imoralidade nas redes é um problema que chegou até a lugares aparentemente impossíveis, como seminários. Clemente explica:
“Os seminaristas não vêm de Plutão. Eles são jovens comuns que, em algum momento, decidiram ser padres. Mas o que acontece? Esse jovem, que agora tem 18 anos, ganhou um celular aos 14, e nessa idade começou a ver pornografia. Então, quando entra no seminário, já carrega quatro anos de consumo de pornografia.”
Outro ponto que ele destaca é a velocidade e a interatividade atuais da pornografia:
“Hoje você entra em um aplicativo e cria o seu próprio modelo. E os jovens querem ser os atores.”
Ele cita o exemplo da famosa plataforma OnlyFans, que disfarça a prostituição como um trabalho de influencer, movimentando bilhões de dólares e vendendo a ideia de um falso empoderamento, no qual homens e mulheres que comercializam fotos e vídeos íntimos se tornam milionários. Mas a tentação não é exclusiva dos jovens — atinge também adultos.
Apesar disso, Clemente mantém o otimismo:
“Assusta pensar que um novo padre ou religiosa possa fazer isso. Mas, assim como as gerações anteriores, essas novas também encontrarão uma saída, seus próprios recursos emocionais e espirituais para superar essas dificuldades.”
Ele também age para ajudar:
“Dou conferências em seminários de Honduras e Guatemala.”
Liderança também no mundo digital
A conclusão de Clemente é clara:
“Os adultos continuam acreditando que criar filhos é liderá-los no físico, no emocional e no religioso. Mas, com a chegada do mundo virtual, o pai e a mãe precisam ser líderes também na parte digital.”
Recomendações de especialistas em segurança digital
- Retirar os celulares dos quartos durante o dia e à noite e evitar levá-los ao banheiro.
- Proibir redes sociais e celulares para menores de idade. No estado de Querétaro, no México, já está em vigor uma lei que proíbe que menores de 14 anos tenham celulares e redes sociais nas escolas.
- Limitar, regular e proibir o uso de celulares em escolas, centros paroquiais, seminários e conventos; evitar o uso à noite e permitir apenas em locais públicos, como refeitórios, bibliotecas e salas onde haja outras pessoas presentes.
- Bloquear o acesso à internet em determinados horários — por exemplo, à noite — em lares, escolas e centros religiosos.
- Configurar o “controle parental” para bloquear e restringir o acesso a sites pornográficos ou redes sociais por meio de uma plataforma de gestão virtual.









