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Por que os bispos devem renunciar aos 75 anos?  

spotkania papieża Franciszka i Benedykta XVI
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pteixera - Paulo Teixeira - publicado em 18/08/25
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Na Igreja ninguém se aposenta

A Igreja Católica tem sua hierarquia estruturada nas Igrejas particulares, que são as dioceses, e contam com um bispo que conduz os fiéis naquela região. Até a década de 1960 os bispos poderiam renunciar ao governo pastoral de suas dioceses quando achassem melhor, seja por questões de saúde como de idade avançada. Certamente não deixa de ser bispo, nem de ser daquela diocese, mas passa a outro as funções de administrar, santificar pelos sacramentos e pregar a palavra de Deus.

Bispo emérito

O Papa Paulo VI, por meio do Motu Próprio Ecclesiae Sanctae, orientou que os bispos e também os padres apresentassem a renúncia às suas funções quando completassem 75 anos. Posteriormente, em 1983, essa disposição passou a figurar no Código de Direito Canônico.  

Não é uma aposentadoria compulsória, porque na Igreja ninguém se aposenta; não é uma demissão e nem o fim de um ministério. O bispo, ou padre, emérito continua com o “vínculo”, digamos assim, mesmo que não possa exercer as atividades que caracterizam um bispo titular ou um pároco.  

Missão contínua

Recentemente o Papa Leão XIV não aceitou o pedido de renúncia apresentado pelo arcebispo do rio de Janeiro, Cardeal Dom Orani Tempesta, e pediu que permaneça mais dois anos à frente da diocese carioca.  

Já o arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, apresentou o pedido de renúncia ao Papa Francisco em 2023 e recebeu como resposta o pedido de continuar até os 80 anos à frente da diocese que abriga o Santuário Nacional. Seu antecessor, o Cardeal Dom Raimundo Damasceno também ficou até os 80 anos no posto. 

De fato, muitos bispos chegam saudáveis aos 75 anos e podem continuar nas funções; por outro lado, bispos e padres podem se sentir enfraquecidos pela idade e se dedicar à Igreja de outra forma. Por exemplo, padres que com a idade se sentem limitados para conduzir paróquias, mas aptos para colaborar na formação de novos padres, ser capelão de hospital ou ficar no “banco de reservas” auxiliando os padres mais jovens.  

Além da idade

Essa indicação da idade de 75 anos assumida pela Igreja visa “renovar” seu quadro hierárquico com periodicidade. Isso colabora para a inserção de novos bispos e novas formas de lidar com as questões da fé. Contudo, o número 75 é uma referência que, como vimos no caso dos arcebispos do Rio e de Aparecida pode ser flexibilizada.  

Além disso, não é obrigatória a renúncia. Vejamos que os Papas, por exemplo, passam muito da referência de idade dos bispos; mas é possível também renunciar quando as forças diminuem. O Papa Bento XVI esteve à frente da Igreja por 8 anos, renunciou aos 85 e ainda viveu uma década como Papa emérito. Já João Paulo II, aos 80 anos e enfraquecido pela doença afirmou: “A força não é um problema meu, mas daquele que me chamou”. E conduziu a Igreja por mais cinco anos, até quando Deus quis.  

O bispo emérito continua ligado à sua diocese. Como já dissemos, não é aposentado. Da mesma forma, os padres idosos, precisam ter assegurado esse vínculo com a missão da Igreja, colaborando na medida das possibilidades. E catequistas emérito, existe? Agente de pastoral emérito? Certamente todos católicos continuam sempre vinculados à Igreja, mesmo que as forças físicas não permitam a atuação como uma vez. Por isso é importante manter um vínculo com os catequistas antigos, visitar e trocar informações com os agentes de pastoral idosos, enfim, manter unida a família que é a Igreja.  

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