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Deixe seu filho cair!

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Aleteia Polônia - publicado em 03/09/25
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Brincadeiras arriscadas e seus benefícios

A segurança infantil é uma preocupação constante para os pais modernos. Às vezes, beira o absurdo. Brincadeiras arriscadas nos deixam tão ansiosos que somos tentados a proibir tudo. Em vez de se perguntar: "É seguro?", vale a pena perguntar: "O que meu filho pode aprender com isso?"

O encanto das memórias

Nossas memórias mais queridas da infância são frequentemente aquelas vividas sem a supervisão de adultos. Brincadeiras criativas e desinibidas, aventuras que beiravam o perigo; aventuras que seria melhor mantermos em segredo. Lembramos disso com um toque de carinho e afeição. No entanto, quando se trata dos nossos próprios filhos, o pai ou a mãe, em geral, provavelmente proibiria tudo isso desde o início.

Escalar árvores, correr de bicicleta e fazer caça ao tesouro nas matas próximas eram atividades comuns. Até pouco tempo atrás, a infância era repleta de brincadeiras livres, com os colegas, ao ar livre, sem a supervisão de adultos. Hoje, porém, a geração mais jovem passa significativamente menos tempo fazendo isso. Muitos especialistas argumentam que brincadeiras arriscadas podem ser o que mais falta às crianças modernas.

Jogo arriscado

O termo inglês risky play é mais frequentemente traduzido como "jogo arriscado". No entanto, um termo mais preciso seria "jogo com elementos de risco". Esta segunda versão enfatiza que o risco é apenas um componente de toda a experiência. O risco (entendido intuitiva e coloquialmente como uma ameaça) não é a essência deste fenômeno.

Brincadeiras arriscadas são atividades realizadas por crianças que envolvem incerteza quanto ao resultado. Isso cria a oportunidade de vivenciar riscos moderados, mas em condições que promovam a aprendizagem e o desenvolvimento. Sua essência é dar às crianças o espaço para testarem independentemente os limites de suas habilidades — físicas, emocionais e sociais — sem a interferência excessiva de adultos. Esse tipo de brincadeira não visa expor as crianças ao perigo! Em vez disso, permite que elas se envolvam conscientemente em situações nas quais possam aprender por meio da ação, cometendo erros e lidando com desafios de forma independente.

Permitir que as crianças se envolvam em brincadeiras arriscadas exige um equilíbrio entre a prevenção de lesões graves e a oferta de espaço para que explorem e aprendam. Apoiar brincadeiras arriscadas pode ser inicialmente inquietante para os adultos. Preocupações com lesões e ferimentos surgem. Pode ser difícil aceitar desvios das regras estabelecidas, que as crianças frequentemente gostam (e precisam) questionar. Esses desafios decorrem da falta de compreensão dos potenciais benefícios e da falta de espaços e equipamentos adequados.

Esqueça de "prestar atenção"

Cuidado! Não tão alto! Não tão rápido! Você vai cair! Estes são os gritos mais comuns de pais que se ouvem no parquinho. Queremos proteger as crianças até do menor desconforto. Ao fazer isso, impedimos que elas não apenas experimentem a alegria plena da vida, mas também de desenvolverem sua própria autonomia e competência. Cuidado excessivo é um sinal muito próximo da superproteção. E manter uma criança sob um abrigo não a ajudará; provavelmente terá o efeito oposto.

Brincadeiras arriscadas promovem o desenvolvimento emocional, cognitivo e físico. Por meio delas, as crianças aprendem a resolver problemas e a desenvolver a consciência dos próprios limites. Desenvolvem resiliência mental, autoconfiança e independência. Essas serão características e competências essenciais na vida adulta. O aprendizado começa no parquinho.

Jogos arriscados de diferentes tipos

O confronto controlado com ameaças se aplica até mesmo às crianças menores. Até mesmo bebês são exploradores natos – eles engatinham e se levantam sozinhos antes mesmo de conseguirem ficar em pé. O desenvolvimento motor é repleto das quedas mencionadas anteriormente. A determinação de uma criança em se levantar constantemente e perseguir seus objetivos pode, às vezes, nos envergonhar.

Em casa, a exposição ao risco pode ocorrer por meio de atividades cotidianas. As crianças estão ansiosas para participar de tarefas domésticas, como tarefas de cozinha. Em vez de ameaçá-las com ferimentos, vale a pena ensiná-las a usar facas ou tesouras com segurança. Brincar de descascar e cortar cenouras também proporciona aprendizado experiencial. Isso dá às crianças um senso de autonomia e a satisfação de realizar tarefas "adultas".

Quando se trata de jogar sozinho ou com amigos, você pode notar que eles se agrupam de acordo com certos padrões. Ellen Sandseter, professora da Universidade Queen Maud, na Noruega, que identificou oito tipos de brincadeiras que as crianças precisam. [No futevol ou em uma trilha as crianças podem experimentar esses elementos elencados como velocidade, impacto, força e altura].

1. Relacionado a alturas (subir em árvores, móveis, eletrodomésticos, pendurar-se, equilibrar-se)

2. Relacionados à velocidade (ciclismo rápido, trenó, patinação, descida, deslizamento)

3. Usando ferramentas reais (martelo, machado, chave de fenda, serra de madeira, cordas)

4. Perto de elementos perigosos (galhos, rochas, pedras, água, gelo, fogo)

5. Usando força (luta livre, combate, rolamento, esgrima com paus)

6. Colisões (colisões intencionais em algo apenas por diversão)

7. Afastar-se dos pais/responsáveis ​​(andar sozinho, desaparecer)

8. Observação (observar crianças brincando de jogos arriscados) – apenas observar tal atividade evoca emoções

Um catálogo de perigos ou uma lista de desafios emocionantes? Cabe aos pais decidir qual narrativa usar em relação a brincadeiras arriscadas. Incutimos em nossos filhos crenças e opiniões — elas devem ser reforçadas em suas vidas futuras.

Diversão como um experimento

Aos olhos das crianças, brincadeiras arriscadas são como experimentos científicos sérios. As crianças testam os limites de suas habilidades, aprendendo como seus corpos e o mundo ao seu redor funcionam. Elas não sabem exatamente qual será o resultado, então cada tentativa é uma oportunidade para descobrir e aprender algo novo. Elas buscam um equilíbrio entre o tédio das brincadeiras familiares e a ansiedade que pode acompanhar a exploração do desconhecido. É aí que começa o desenvolvimento — não apenas da força física, mas também das habilidades analíticas e de julgamento e, principalmente, da resiliência mental. Curiosamente, crianças que têm a oportunidade de assumir riscos controlados têm menos probabilidade de sofrer lesões. Com a experiência, elas aprendem a avaliar melhor os perigos e a evitar ameaças reais.Conclusões semelhantes são apresentadas por Peter Gray, autor do popular livro "Crianças Livres". Ele argumenta que a brincadeira — livre, espontânea e sem supervisão — é um mecanismo natural de aprendizagem. Por meio dela, as crianças desenvolvem autoconfiança, habilidades sociais e gestão emocional. Elas se envolvem em brincadeiras de risco moderado — que são ao mesmo tempo emocionantes e um pouco assustadoras — porque lhes permitem desenvolver coragem, aptidão física e a capacidade de lidar com os desafios da vida. As restrições modernas à liberdade das crianças e a supervisão constante de adultos podem, paradoxalmente, aumentar o risco de problemas de saúde a longo prazo, tanto físicos quanto emocionais. Brincadeiras arriscadas também ajudam as crianças a lidar com o medo e a raiva — ensinando-as a lidar com as emoções de forma segura, contribuindo para um melhor controle sobre elas mais tarde na vida.

Risco como oportunidade

Em nossa cultura, que se concentra em minimizar até o menor desconforto, vale a pena apreciar a oportunidade de explorar o mundo em seus próprios termos. As crianças sabem o quanto de risco podem lidar. Brincar com o risco não é uma ameaça, mas uma oportunidade. É um caminho para a independência, a força mental e uma melhor compreensão de si mesmas e do mundo ao seu redor. Se não permitirmos que as crianças se testem em seus próprios termos e em seu próprio ritmo, não as prepararemos para uma vida onde o risco é inevitável.

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