Se algumas instituições mostram receio em transmitir a mensagem de Cristo por medo de serem acusadas de proselitismo, a maioria consegue conciliar a liberdade de consciência com o anúncio do Evangelho. Mas como, concretamente, responder ao mesmo tempo às expectativas das famílias e às exigências do Estado? Um verdadeiro quebra-cabeça, que gera realidades muito diversas no terreno. Entre o respeito à liberdade de consciência dos alunos e o desejo de anunciar o Evangelho, o Ensino católico enfrenta a cada ano um grande desafio: anunciar sem impor, acolher sem perder sua identidade.
Além disso, a opinião pública está fortemente dividida sobre o lugar que a educação religiosa deve ocupar no Ensino católico. Segundo um estudo recente do IFOP para Famille Chrétienne e RCF-Radio Notre Dame, apenas 39% dos franceses consideram legítimo que os colégios católicos proponham momentos espirituais durante o horário escolar. Em contrapartida, 45% acham que essa prática não é justificada. Hoje, a escolha de frequentar uma escola privada já não está necessariamente associada à orientação religiosa. “A decisão se dá mais por critérios pedagógicos ou pela reputação da instituição”, observa Jérôme Fourquet, diretor do departamento de Opinião do IFOP. “Alguns pais e alunos já nem percebem a dimensão confessional dessas escolas.” Nesse contexto, como anunciar o Evangelho sem violar a liberdade de consciência?
Expor e propor não é impor
O “caráter próprio” das escolas católicas é regularmente atacado sob a justificativa de “atentado à laicidade”, como mostraram os casos Stanislas ou Imaculada-Conceição em Pau. Essas polêmicas geralmente resultam de uma contestação ao “caráter próprio” das escolas privadas — inscrito no próprio Código de Educação — e de uma má compreensão da definição de laicidade, tal como é vivida nos estabelecimentos católicos. Trata-se de uma laicidade que não afasta o religioso, mas autoriza a livre expressão, respeitando as convicções de cada um, segundo a definição dada pelo Estado:
“A laicidade não é uma opinião entre outras, mas a liberdade de ter uma. Não é uma convicção, mas o princípio que as autoriza todas, desde que respeitem a ordem pública.”
É com essa visão que Dominique, responsável pela pastoral em uma escola do Val-d’Oise há 16 anos, vive sua missão. “A escola católica tem por vocação acolher sem distinção, no respeito às crenças de cada um, sem se privar, no entanto, de partilhar a mensagem de Cristo. Não se trata de impor crenças ou convicções — o próprio Jesus nunca impôs nada —, mas de testemunhar, com atos e palavras, a Boa Nova”, afirma. A liberdade é princípio fundamental para a Igreja: sem liberdade, não pode haver fé autêntica.
O querigma ou o anúncio do Evangelho
“Depois das aparições na gruta, Santa Bernadette Soubirous dizia: ‘Não tenho a missão de vos fazer acreditar, mas de vos dizer.’ Esse é o meu lema!”, afirma Claire, encarregada da pastoral em um liceu dos Yvelines. “Costumo dizer em sala de aula: ‘Vocês têm o direito de pensar o que quiserem, mas sempre com respeito. Estou aqui para vos anunciar a mensagem de Cristo e da Igreja, que considero bela e essencial de conhecer, e não para vos convencer.’”
Para Claire, o coração de sua missão é o querigma. “O querigma é o anúncio de que Jesus morreu e ressuscitou por amor a nós e para nos salvar”, resume.
É o termo usado para designar o conteúdo essencial da fé em Jesus Cristo, proclamado pelos primeiros cristãos aos não crentes. Hoje, continua a ser empregado para se referir à proclamação missionária do essencial da fé cristã. O papa Francisco o definiu nestas palavras:
“Jesus Cristo te ama, deu sua vida para te salvar, e agora está vivo a teu lado todos os dias para te iluminar, te fortalecer e te libertar” (Evangelii Gaudium).
“Gosto de falar de um querigma encarnado”, acrescenta Claire, sobretudo nos projetos que desenvolve com alunos do último ano. Para ela, o anúncio do Evangelho também passa por iniciativas solidárias, como as coletas que organiza em parceria com a Ordem de Malta.
Uma vida escolar movida pelo Evangelho
No projeto educativo católico, não existe de um lado a pastoral e de outro a vida escolar. O projeto só pode anunciar o Evangelho se toda a vida da instituição corresponder à mensagem de Cristo.
“O Evangelho só pode ser anunciado de forma explícita se todo o implícito também estiver animado pelo espírito evangélico”, afirma Gabriel Dubois, diretor do liceu Notre-Dame de Boulogne, em Boulogne-Billancourt (Hauts-de-Seine). “A dimensão pastoral da missão que me foi confiada é prioritária. Isso significa não apenas garantir a existência de uma pastoral explícita, mas sobretudo imprimir a marca de Cristo e de seu Evangelho em todos os atos da vida escolar, dando-lhes uma cor, um espírito e uma razão de ser conformes ao Evangelho.”
Para ele, não existem pequenas ações nesse campo. “Cuidar da boa conservação dos prédios, por exemplo, faz parte da missão evangélica, pois assegura o bem-estar diário dos alunos. Qualquer diretor deve cuidar das instalações sob sua responsabilidade. Mas um diretor de escola católica deve fazê-lo com a consciência de que isso contribui para a harmonia necessária para que floresça uma vida conforme ao Evangelho.”
Outro exemplo, mais sério, é a proteção da integridade física e moral dos alunos, no contexto da crise dos abusos. “Qualquer responsável tem o dever de proteger os menores. Mas, a fortiori, um diretor de escola católica tem o dever imperativo de proteger os jovens que lhe são confiados, em nome do Evangelho”, afirma Gabriel Dubois. “O profissionalismo com que ele agir fará parte de seu exercício legítimo de uma missão evangélica mais ampla.”
Cultura religiosa ou catequese?
Normalmente, no início do ano, as famílias podem escolher se inscrevem seus filhos na catequese (opcional) ou em cursos de cultura religiosa. Algumas instituições decidem tornar a cultura religiosa obrigatória para todos os alunos. Mas não se deve confundir com a catequese.
A cultura religiosa é diferente tanto do “ensino do fato religioso” — interdisciplinar e integrado aos programas — como da catequese, que se insere em um caminho de fé. A cultura religiosa pertence ao campo do “saber” e não ao do “crer”: não exige adesão de fé, mas oferece conhecimento. Seu objetivo é estudar e conhecer uma religião, considerando o aluno como “aprendente”; já a catequese visa aprofundar a fé católica, considerando o aluno como “crente”.
A confusão entre os dois termos vem do fato de que, muitas vezes, são as mesmas pessoas que conduzem a catequese e os cursos de cultura religiosa. Elas são geralmente chamadas de “animadoras de pastoral”, embora as duas áreas sejam diferentes.
No colégio Notre-Dame de Boulogne, a formação religiosa intelectual é obrigatória, com uma aula semanal de cultura religiosa no 2º ano do ensino médio. Esse curso leva os alunos a conhecer os conteúdos da fé católica, a história da Igreja, assim como os fundamentos do islamismo e do judaísmo. O programa foi elaborado com a ajuda de uma ex-animadora de pastoral, com sólida formação teológica. “O objetivo era construir um programa que falasse de Deus, das religiões monoteístas, com uma abordagem teológica e filosófica”, explica Clothilde, a responsável pela concepção.
Joseph Herveau, responsável nacional pela pastoral escolar no Secretariado Geral do Ensino Católico, convida nesse sentido a repensar o vocabulário: “É preciso parar de colocar tudo sob o termo ‘pastoral’, que usamos mal, e chamar as coisas pelo nome, para diferenciar claramente o que pertence à transmissão cultural e o que pertence à evangelização.”









