Sua carreira cinematográfica foi impressionante: de Butch Cassidy and the Sundance Kid a Golpe de Mestre (The Sting) e Entre Dois Amores (Out of Africa), tornou-se um nome conhecido mundialmente. No entanto, Redford nunca permitiu que a fama o definisse. “Uma parte de mim não confiava nela”, admitiu certa vez em entrevista à revista Esquire.
Em vez disso, buscava a simplicidade – retirou-se para as montanhas de Utah, onde encontrou “muito espaço para vagar” e construiu uma casa longe do brilho de Hollywood.
Uma vida enraizada na família
Apesar dos elogios e prêmios, considerava a paternidade sua maior conquista. Como pai de quatro filhos e avô de sete netos, costumava dizer: “Os filhos… são o melhor da minha vida”, como noticiou a revista InStyle.
Sua vida familiar, porém, não esteve isenta de tristezas. Redford e sua primeira esposa, Lola, perderam o primeiro filho, Scott, apenas alguns meses após o nascimento. Décadas mais tarde, ele enfrentou novamente a dor com a morte do filho James, vítima de câncer. Tais perdas poderiam destruir qualquer pai, mas Redford as carregou com silenciosa perseverança, sem buscar compaixão, apoiando-se no amor dos filhos e netos sobreviventes.
Sim, até aqueles que parecem ter tudo conhecem as mais profundas dores humanas.
Nos anos mais recentes, Redford falava frequentemente de como a família permaneceu sendo seu porto seguro. Alegrava-se com suas filhas e acompanhava o crescimento dos netos. À sua segunda esposa, a artista Sibylle Szaggars, atribuía “uma vida totalmente nova”, pois encontrou nela, nos anos maduros, companhia e um propósito comum, segundo a revista People.
Cuidado com o meio ambiente
O trabalho conjunto do casal em projetos ambientais – unindo a visão artística dela com o compromisso dele com a preservação da natureza – deu-lhe nova energia e mostrou que a vida, mesmo nos 70 e 80 anos, pode oferecer novos começos e alegrias.
Esse profundo respeito pelo mundo natural marcou grande parte de sua vida. Muito antes de o ambientalismo se tornar uma tendência, Redford já falava sobre a importância de proteger a Terra, não por ganhos políticos, mas por senso de responsabilidade com as futuras gerações. Nesse ponto, seus valores se aproximavam muito do ensinamento católico: cuidar da criação de Deus, viver com simplicidade e pensar além de si mesmo.
Uma visita ao Vaticano
A fé também teve uma presença silenciosa na trajetória de Redford. Embora não fosse tradicionalmente religioso, demonstrava profundo respeito pela fé e por aqueles que a viviam de modo autêntico. Admirava especialmente a preocupação do papa Francisco com o cuidado do meio ambiente, algo que expressou publicamente em diversas ocasiões.
Durante um encontro no Vaticano, Redford apresentou-se humildemente ao Santo Padre e agradeceu por tudo o que fazia pela criação. O papa Francisco pediu-lhe que rezasse por ele, ao que Redford respondeu simplesmente: “Rezarei”.
Um grande coração
Apesar da fama extraordinária, Redford permaneceu humilde. Resistiu ao fascínio do glamour hollywoodiano e, em vez disso, fundou o Sundance Institute, uma comunidade para narradores que apoia jovens e cineastas independentes. Sua convicção de que todos merecem a chance de contar sua história revela um coração generoso – que ergue os outros, em vez de se apegar ao próprio brilho.
“Aproveite o momento”
Talvez uma das características mais inspiradoras de Robert Redford tenha sido a forma como encarou o envelhecimento. Em vez de lutar contra o tempo, via-o como parte da beleza da vida. “A vida é, no fundo, triste. A felicidade é esporádica. Vem em momentos, e só isso. Aproveite cada momento”, declarou certa vez.
Que ele descanse em paz!










