Quaresma 2026
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Essa é uma das primeiras cenas de Enrolados, o 50º filme da Disney, que é uma releitura do clássico dos irmãos Grimm, Rapunzel, eum sucesso de bilheterias.
A primeira preocupação de Rapunzel quando Flynn acorda do desmaio provocado pela pancada com a frigideira é: “Espera, meu cabelo não te interessa?”. Ela passou a vida inteira com uma única referência de “amor”. A sua mãe, a vilã Gothel, usava de seus cabelos para rejuvenescer, e por isso a aprisionava na torre.
Surge entre Flynn e Rapunzel um acordo: a donzela só devolveria a coroa roubada por Flynn se ele a levasse para ver as lanternas flutuantes. Elas eram preparadas pelos reis uma vez por ano, com o objetivo de reencontrar a filha sequestrada ainda bebê. Flynn acaba vendo o acordo como um mal necessário, já que terá que encarar o perigo de ser encontrado pelos soldados do reino.
No caminho os dois começam a se conhecer de verdade e viver aventuras juntos. Um descobre os segredos do outro, como o que o cabelo de Rapunzel brilha ou que o verdadeiro nome de Flynn é José. “Eu gosto muito mais de José Bezerra do que Flynn Rider”, “você é a primeira”. Os dois descobrem a beleza extraordinária que o amor humano carrega em si.
“Eu acho que ele gosta de mim”: quando Rapunzel diz isso à Mãe Gothel, a velha bruxa se revolta e diz: “você já se olhou no espelho?”. Ou seja, “é impossível que alguém te ame, você não tem qualidades suficientes para isso”. Assim, tenta convencer Rapunzel de que Flynn está ali só por interesse, e nada mais.
Mas o que fazia Flynn permanecer não era mais o acordo inicial. “Com ela vejo que sou, ela me faz sentir que sei para onde vou”, ele canta. Flynn, na convivência com Rapunzel, conseguiu contemplar o seu mistério. Não era só o cabelo que o encantava, mas a pessoa. Ele conseguiu realizar a jornada do amor: dos atributos, que são acidentais e efêmeros, à essência , que é o que permanece sempre.
Amar é sempre uma batalha. O amor como virtude exige um esforço habitual. O clímax do filme está na situação criada por Gothel para separar Flynn de Rapunzel. E ela quase consegue. Conseguiria se não houvesse existido esforço dos dois. O amor é um ato da vontade. “Não, não vou parar. A cada minuto do resto da minha vida eu vou lutar”, grita a princesa.
Diante da agonia de Flynn depois de ser ferido pela bruxa, Rapunzel sacrifica a sua liberdade para salvá-lo. Em um pulo de coragem ele se levanta e corta os cabelos de Rapunzel, objetos de desejo da bruxa que logo morre e some. No entanto, Flynn morre, e já sem os cabelos, Rapunzel não poderia curá-lo com a magia que havia neles.
Mas, há algo que não só cura, mas traz de volta à vida: o amor. O amor de Rapunzel salva Flynn e dá a ele vida nova.
O amor ou afirma e reafirma o valor da pessoa, ou não pode ser chamado de amor. Todas as vezes que a mãe-vilã Gothel falava com Rapunzel ela se direcionava aos seus cabelos. Já Flynn, todas as vezes que se referia a ela, retirava, carinhosamente, os cabelos da frente de seu rosto. Quando paramos em atributos, aspectos e características de alguém, e não avançamos para a contemplação e visão integral, caímos no utilitarismo. Usamos ao invés de amar.
Há uma cultura do uso que, por não querer viver o esforço que o amor exige, tenta desvalorizá-lo. O remédio para ela é sempre a luta pela visão integral da pessoa: não, ela não é apenas cabelos mágicos. Ela é Rapunzel, “a princesa pela qual valeu a pena esperar”.








