separateurCreated with Sketch.

Paulo, Peregrino de Esperança. A conclusão do mês de da Bíblia

Oficio de lectura
whatsappfacebooktwitter-xemailnative
Paulo Teixeira - publicado em 29/09/25
whatsappfacebooktwitter-xemailnative
O Mês da Bíblia, tradicionalmente celebrado em setembro, mobilizou milhares de fiéis em todo o Brasil para encontros de reflexão focado na Carta aos Romanos e na figura de São Paulo.

Uma live da CNBB, que contou com a participação de jovens, catequistas, animadores de pastoral bíblica e círculos bíblicos, reuniu pessoas de todo o país, muitas delas após longas jornadas de trabalho e afazeres domésticos, unidas pelo desejo de aprofundamento da Bíblia.

O tema central da reflexão foi "Paulo, Peregrino de Esperança", conduzida por Dom Anderson Franklin, Bispo Auxiliar de Vitória e doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana, em Roma. Membro da Comissão Bíblico-Catequética, Dom Anderson foi convidado a apresentar Paulo como um modelo de vida e fé diante das tribulações.

Paulo e as luzes da Bíblia

Dom Anderson enfatizou que a essência da esperança de Paulo reside em sua experiência única: o encontro com Jesus ressuscitado na estrada de Damasco. Este encontro transformador não apenas definiu sua vocação, mas toda a sua existência.

"Paulo é peregrino de esperança, porque ele encontrou a razão de sua esperança em Cristo," afirmou Dom Anderson. Ele detalhou que a vida do apóstolo era iluminada por duas certezas fundamentais:

  1. A Luz do Passado: A Morte e Ressurreição de Cristo, um ato gratuito e amoroso que resgatou a humanidade do pecado e da morte. A certeza de que "nada pode e nada pode separá-lo do amor de Deus" (Romanos 8) era a verdade que Paulo carregava no coração, sobretudo nos momentos de grande dificuldade.
  2. A Luz do Futuro: A Esperança da Glória Eterna, a certeza de que um dia seria acolhido pelo Pai, na plena realização das promessas de Deus.

Contudo, a esperança de Paulo não era uma fuga da realidade. Dom Anderson salientou que o apóstolo tinha "os pés plantados" nas realidades de seu tempo, atuando ativamente junto às comunidades, como a de Jerusalém, onde se comprometeu com os pobres, viúvas e órfãos, provocando a caridade em Cristo.


A Esperança de Paulo

A reflexão foi diretamente ligada ao contexto atual, especialmente ao Ano Jubilar proposto pelo Papa Francisco. Segundo Dom Anderson, o Papa ancorou o Jubileu na premissa da "esperança que não decepciona," um tema que tem sido o foco da CNBB e dos círculos de reflexão.

O Bispo apontou que o mundo de hoje, marcado por guerras, violência urbana e incertezas no coração dos jovens, espelha as tribulações vivenciadas por Paulo. Diante desse cenário de contradições—que levam da confiança ao medo, da serenidade à desolação—a leitura da Carta aos Romanos oferece um caminho.

Citando a bula de proclamação do Ano Jubilar, Dom Anderson destacou o realismo de Paulo, conforme descrito pelo Papa Francisco:

"São Paulo é muito realista, sabe que a vida é feita de alegrias e sofrimentos... E no entanto, Paulo escreve... gloriamo-nos também das tribulações, sabendo que a tribulação produz paciência, a paciência a firmeza, a firmeza a esperança." (Romanos 5, 3-4).

O Bispo concluiu que a experiência de Paulo é um modelo para os cristãos, pois demonstra que a evangelização é sustentada pela força da Cruz e Ressurreição de Cristo, que faz nascer a paciência, uma virtude "parente próxima da esperança."

Newsletter
Você gostou deste artigo? Você gostaria de ler mais artigos como este?

Receba a Aleteia em sua caixa de entrada. É grátis!