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Em tempos de polarização, a solidariedade é a nova revolução 

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Paulo Teixeira - publicado em 30/09/25
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Em um mundo marcado por divisões ideológicas e polarização política, o Brasil ainda mantém um espírito de solidariedade

O Padre Edvaldo Pereira, membro da congregação dos Missionários de São Carlos (Scalabrinianos), defende que a solidariedade é uma "obrigação" humana, e não um capricho. Em entrevista à Rede Imaculada de Comunicação, o padre questiona como a sociedade pode avançar se o foco continua no individualismo e no conflito entre grupos. 

A solidariedade, explica o padre, é uma ação pontual, em resposta a tragédias como enchentes ou a fome. Já a caridade é uma prática contínua, uma virtude que nos leva a ajudar sempre. As duas, no entanto, são "primas e irmãs", complementando-se na busca por um mundo mais justo. 

O Bom samaritano e a solidariedade

Para o Padre Edvaldo, a Bíblia é o maior exemplo de solidariedade, onde Jesus acolhia a todos, sem distinção de raça, religião ou classe social. A parábola do Bom Samaritano é a prova disso: enquanto o sacerdote e o levita agiram de acordo com a lei, o samaritano, um estrangeiro malvisto na época, foi movido pela compaixão e ajudou o desconhecido. “. A atitude dos dois personagens que passaram pelo pobre samaritano desvalido à beira da estrada, estavam rigorosamente dentro da lei. Tanto o sacerdote como o levita cumpriram a lei, não podiam se aproximar, estavam indo para o templo. Ao passo que o terceiro personagem, o samaritano, que não tinha absolutamente nada com aquela lei, era um estrangeiro mal afamado na época, mal falado na época, veja, ele teve uma sensibilidade solidária. O que ele viu ali? Ele viu um irmão que precisava de ajuda. Ele não foi fazer nenhum diagnóstico para ver se aquela pessoa era da religião dele, era da mesma situação social dele, era da mesma cultura dele”. 

"Solidariedade não tem cor, não tem raça e não tem religião", afirma. O padre Edivaldo critica a cultura do "time", onde as pessoas se fecham em grupos ideológicos e desqualificam quem pensa diferente. Para ele, essa postura impede o avanço da sociedade, que se perde em discussões inúteis enquanto o povo enfrenta problemas reais, como a fome e a falta de emprego. "Jesus não ficava discutindo ideologia. Precisava curar? Jesus curava", exemplifica. 

Todos irmãos

O Padre Edvaldo destaca a encíclica Fratelli Tutti ("Todos Irmãos"), do Papa Francisco, como uma leitura fundamental para a sociedade atual. O documento, que o padre faz questão de ler na versão impressa, defende que todos os seres humanos são irmãos e devem trabalhar juntos pelo bem comum, independentemente de suas diferenças.

“Gente, nós somos irmãos, pensamos, temos necessidades, temos carências, todos irmãos. Diferentes sim, iguais não, não somos iguais, somos diferentes, temos uma especificidade. Então, o Papa está dizendo assim, olha, o mundo é a nossa casa e precisamos todos cuidar. Se todos fizerem a sua parte, nós não vamos ter grandes catástrofes. Agora, quando cada um só pensar no seu quintal, no seu umbigo, essas diferenças vão se acentuar”. 

A encíclica é um chamado à união em causas globais, como o combate à fome, à violência e às desigualdades. "Se somos todos irmãos, somos todos filhos de Deus. Não tem um mais filho que o outro", reflete o padre. “Então, a Fratelli Tutti deveria ser uma leitura obrigatória, não só para os membros da igreja, mas para todos aqueles que pensam no bem comum e que trabalham com a questão social. É, e para aqueles também que perderam um pouco da noção do bem comum, acho que ia fazer bem ler a Fratelli Tutti”. 

A mensagem final é um convite para deixar de lado os caprichos particulares e trabalhar em conjunto para aliviar o sofrimento do outro, resgatando a empatia e a solidariedade como os grandes motores de transformação social. 

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