Quaresma 2026
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A presença de imagens de um santo ou santa, da Virgem Maria e de Jesus é uma característica marcante das igrejas católicas ao redor do mundo. A veneração dessas imagens é uma prática antiga e bem fundamentada na doutrina, mas sua exposição segue regras claras para evitar excessos e desvios, como a idolatria. Mas, por exemplo, será que em uma igreja pode ter mais de uma imagem de um mesmo santo? Por exemplo, existem estátuas de São José dormindo, dele com Jesus e Maria, ou sozinho. Será que pode ter as três na mesma igreja? Ou uma igreja dedicada a um santo pode ter diversas imagens para que os fiéis possam prestar suas homenagens de forma mais “rápida”?
A importância do equilíbrio
A Instrução Geral do Missal Romano (IGMR), o guia para as celebrações litúrgicas, é bastante específica em seu número 318. Ele afirma que as imagens devem ser expostas para levar os fiéis aos "mistérios da fé". O documento, porém, faz uma ressalva crucial: é preciso evitar o número exagerado de imagens e sua disposição deve ser "na ordem devida", para que não distraiam os fiéis da celebração.
O ponto mais diretamente relacionado à sua pergunta é a norma de que, normalmente, não deve haver mais de uma imagem do mesmo santo na mesma igreja. O texto original é enfático: "normalmente, não haja na mesma igreja mais do que uma imagem do mesmo Santo."
Essa regra busca evitar a multiplicação de imagens que podem levar a uma devoção menos ortodoxa ou até mesmo à superstição, como se houvesse diferentes "poderes" em cada representação. O foco deve ser sempre a pessoa do santo, não a imagem em si. A honra dada à imagem é, na verdade, um reflexo de honra à pessoa representada.
O santo e a devoção popular
A regra da "uma imagem por santo" tem uma exceção importante, especialmente em igrejas históricas. Muitas vezes, diferentes invocações da Virgem Maria podem coexistir, como a Nossa Senhora do Rosário, a Nossa Senhora da Conceição e a Nossa Senhora do Carmo.
Nesses casos, a convivência de várias representações da mesma pessoa (a Virgem Maria) é justificada pela tradição. Muitas dessas imagens foram instaladas por diferentes irmandades ou confrarias, que coabitavam pacificamente na mesma igreja. No entanto, é importante que os fiéis compreendam que é sempre a mesma Virgem Maria que está sendo venerada, independentemente de sua invocação. Não faz sentido comparar, por exemplo, o "poder" da Nossa Senhora Aparecida com o da Nossa Senhora das Vitórias, pois a intercessora é sempre a mesma.
A Igreja também alerta contra a prática de colocar mais de uma imagem com o mesmo título, como duas imagens da Nossa Senhora Aparecida na mesma igreja, apenas porque foram doadas por devotos. Mais uma vez retomando a orientação da Igreja: o culto se dirige à pessoa do santo e não à escultura, e as imagens sacras não são objetos de decoração, por isso, é melhor não repetir o mesmo santo.
O cuidado com o sagrado
O Diretório sobre a Piedade Popular e a Liturgia reforça que a escolha e a disposição das imagens não podem ser deixadas à iniciativa privada. Os responsáveis pela igreja devem garantir que as imagens sejam dignas, belas e de boa qualidade.
A finalidade das imagens sagradas é "referir-se aos protótipos que elas representam" (Concílio de Trento). Ou seja, elas não são objetos de adoração, mas um convite à reflexão e à oração, que nos aproxima dos mistérios da fé e dos exemplos de santidade. O grande desafio, portanto, é educar os fiéis para que a devoção às imagens seja sempre um caminho para a santidade, e não um fim em si mesma.









